
O som alto advindo de bares, adegas, pancadões e carros tem tirado o sono de uma parcela da população do ABC que enfrenta momentos de perturbação de sossego. Levantamento feito pelo RD com as prefeituras revela o tamanho do incômodo a partir das ocorrências e reclamações, e mostra que, em algumas cidades, os casos chegam a ser milhares por ano e já resultaram em centenas de multas.
Em São Caetano, um lounge bar situado na avenida Presidente Kennedy, bairro Santa Paula, foi alvo de reclamações na última semana por barulho durante a madrugada. Segundo os moradores da região, o som alto começa já na terça-feira, por volta das 21h30 e se estende até aproximadamente 7h do outro dia. “E é um barulho que vai de terça-feira a sábado. Ninguém consegue dormir, é um caos”, reclama uma moradora que prefere não se identificar.
Na mesma linha, um bar situado no bairro Santa Teresa, em Rio Grande da Serra, tem deixado os moradores revoltados por não conseguirem dormir. “Aos finais de semana fazem festa nesse bar e o som alto não deixa ninguém dormir. E no começo da semana também tocam música na frente do bar e vão parar sempre depois das 22h, e não existe fiscalização”, reclama um dos vizinhos que também prefere não ser identificado.
Em Santo André a situação não é muito diferente. Ao longo de 2025 foram registradas 6,8 mil ordens de serviço relacionadas à fiscalização. De janeiro até o momento, já foram 4.852 registros. As principais reclamações envolvem som amplificado em bares e adegas durante a noite. Os bairros com maior número de ocorrências são o Jardim Santo André e o Centro. Entre janeiro e julho, a fiscalização aplicou 212 advertências e 302 Autos de Infração Ambiental, que correspondem às multas.
Diadema tem quase 4 mil denúncias em 2026
Em Diadema, a Guarda Civil Municipal recebeu 3,9 mil denúncias de perturbação do sossego até o momento. Em 2025, foram 6.070 registros. A cidade aplicou 450 multas neste ano, contra 727 em 2025. As ocorrências envolvem principalmente residências e estabelecimentos comerciais, especialmente bares, som automotivo e veículos com emissão sonora irregular. Casa Grande, Eldorado e Taboão concentram o maior número de ocorrências.
Mauá registra queda, mas mantém centenas de ocorrências
Em Mauá, foram registrados 455 protocolos de perturbação sonora no primeiro semestre de 2026, queda de 32,6% em relação aos 675 casos registrados no mesmo período do ano passado. No período, 237 estabelecimentos comerciais foram orientados, autuados e/ou multados. As ocorrências envolveram estabelecimentos (202), residências (133) e veículos (82).
A fiscalização inclui a Operação Dorme Tranquilo, ações em bares e adegas, atendimento de denúncias, notificações, aplicação de multas e abordagens de veículos com equipamentos sonoros. Dependendo da infração e da reincidência, podem ocorrer apreensão de equipamentos ou veículos, interdição e abertura de processo administrativo.
Já em Ribeirão Pires, a Prefeitura registra média de 120 ocorrências por ano relacionadas à perturbação sonora no período de 2025 a 2026. Os chamados envolvem principalmente bares e festas. Os bairros com maior incidência são Centro, Jardim Esperança, Parque Aliança, Quarta Divisão e Ouro Fino.
Na cidade, as principais reclamações se concentram em comércios da região central. Moradores relatam que, nas proximidades do Ribeirão Pires Futebol Clube, na Rua Padre Marcos Simoni, um bar mantém o som alto pelo menos até 1h da manhã. “E apesar de a delegacia estar perto, quando ligamos para denunciar não fazem absolutamente nada. A GCM é a mesma coisa: ligamos e não tomam uma providência”, reclama um morador.
Onde denunciar
A perturbação do sossego pode ser denunciada pelos canais de fiscalização de cada cidade. Em geral, as prefeituras orientam que o morador registre a ocorrência com informações sobre endereço, horário e, quando possível, a origem do ruído.
Ribeirão Pires: as reclamações podem ser feitas pelo aplicativo Ribeirão Pires Digital, pela Ouvidoria, pelo telefone (11) 4828-9800, ramal 3, ou presencialmente na Secretaria de Clima, Meio Ambiente e Habitação.
Diadema: denúncias podem ser encaminhadas à GCM pelo telefone 153 ou pelo número (11) 4043-6330.
Mauá: o morador pode acionar os canais de atendimento da Prefeitura para registrar a ocorrência e solicitar fiscalização.
Santo André: as denúncias podem ser feitas pelo site do Semasa, pelo telefone 0800-4848115 ou 4433-9300, pelo aplicativo Colab e pelo WhatsApp (11) 4433-9011.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
