
As mortes no trânsito aumentaram 29% no ABC no primeiro trimestre de 2026, enquanto milhares de internações em decorrência de acidentes no trânsito pressionam hospitais públicos e ampliam os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) na região. Dados do Infosiga apontam que o número de vítimas fatais saltou de 55 para 71 entre janeiro e março deste ano, cenário que atinge principalmente adultos jovens e reforça o alerta durante a campanha Maio Amarelo, de conscientização no trânsito.
Ao mesmo tempo, informações da Secretaria de Estado da Saúde mostram que somente a região do Departamento Regional de Saúde (DRS) da Grande São Paulo registrou mais de 26 mil internações por acidentes de trânsito em 2025, o que gerou custo superior a R$ 40 milhões aos cofres públicos.
Os dados estaduais mostram ainda o perfil predominante das vítimas atendidas na rede pública: homens jovens. Para se ter ideia, somente em 2025, a faixa etária de 20 a 24 anos liderou o número de internações, com 5.098 registros, seguida pelos grupos de 25 a 29 anos, com 4.629 casos, e de 30 a 34 anos, com 3.020. Homens representaram mais de 21 mil internações no período.
Em 2026, apenas entre janeiro e fevereiro, a região da Grande São Paulo contabilizou 2.825 internações relacionadas a acidentes de trânsito, que custaram cerca de R$ 3,6 milhões. Em 2024, haviam sido registradas 26.563 internações, com gasto semelhante ao do ano passado, na casa dos R$ 40 milhões.
No ABC, o avanço das mortes também trouxe mudança no perfil das vítimas. Em 2025, os casos apareciam de forma mais distribuída entre vítimas de 20 a 24 anos e de 40 a 44 anos. Já neste ano, as mortes passaram a se concentrar principalmente entre jovens de 25 a 29 anos, faixa que lidera os registros no primeiro trimestre, seguida pelos grupos de 20 a 24 anos e 30 a 34 anos.
A análise mensal revela o agravamento da situação. Enquanto janeiro havia sido o mês mais crítico do primeiro trimestre de 2025, com 23 mortes, março deste ano encerrou o período com 30 vítimas fatais, o maior número do trimestre.
Avanço entre os mais jovens
Em São Bernardo, por exemplo, o perfil mudou de mulheres entre 40 e 44 anos em 2025 para vítimas de 20 a 24 anos em 2026. Já em Santo André, as mortes passaram a se concentrar na faixa de 25 a 29 anos. Em Mauá, o destaque também migrou para vítimas mais jovens, enquanto Diadema registrou aumento no total de mortes e divisão dos casos entre jovens e pessoas acima dos 45 anos.
Um caso registrado durante o feriado de Tiradentes exemplifica a gravidade do cenário na região. Uma mulher morreu após um acidente com duas motocicletas na Estrada Galvão Bueno, no bairro Batistini, em São Bernardo. Um homem ficou ferido e precisou de atendimento médico.
O impacto da violência no trânsito também aparece diretamente na rede municipal de saúde. Em Diadema, o Hospital Municipal registrou 72 internações por acidentes de trânsito em 2024, ao custo de R$ 59,3 mil. Em 2025, foram 48 internações, com gasto de R$ 22,1 mil. Somente nos primeiros meses de 2026, a unidade contabilizou mais seis internações relacionadas a acidentes.
Segundo a Prefeitura, o Hospital Municipal de Diadema funciona como porta aberta e atende vítimas de acidentes ocorridos inclusive nas rodovias Anchieta e Imigrantes, que cortam a região.
Santo André informa não possuir levantamento consolidado sobre custos hospitalares específicos relacionados aos acidentes de trânsito. Apesar disso, dados do Samu apontam cerca de 3,9 mil resgates em acidentes entre 2024 e 2025, com aproximadamente 80% dos pacientes encaminhados ao Centro Hospitalar Municipal (CHM).
Em Rio Grande da Serra, a Prefeitura, que não possui hospital próprio, encaminha pacientes vítimas de acidentes para unidades de referência de outras cidades, como o Hospital Nardini, em Mauá.
Maio Amarelo
Durante o Maio Amarelo, cidades do ABC intensificaram campanhas educativas e ações de conscientização. Em Rio Grande da Serra, a Prefeitura informou que ampliará panfletagens e divulgará conteúdos sobre o conceito de “Visão Zero”, estratégia internacional voltada à redução de mortes no trânsito.
Em Santo André, a programação inclui blitzes educativas e atividades em escolas municipais sobre segurança viária. Já Diadema prepara ações de conscientização ao longo do mês.
A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) foi procurada pela reportagem para comentar os impactos dos acidentes sobre a saúde pública, mas não respondeu até o fechamento da matéria. As demais cidades da região também foram procuradas, mas não se manifestaram.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
