
A implantação da Faixa Azul para motociclistas ainda caminha em ritmo lento no ABC, mesmo diante do elevado número de acidentes registrados nos principais corredores viários da região. Levantamento do Infosiga aponta que vias como a Rodovia Anchieta (SP-150), em São Bernardo, e a avenida dos Estados, em Santo André, somaram milhares de ocorrências de trânsito entre junho de 2025 e maio de 2026. Apesar desse cenário, poucas cidades contam com a estrutura em operação ou em fase de implantação, enquanto alguns municípios sequer pretendem adotar a medida devido às características de seu sistema viário.
Dados do Infosiga mostram que a Rodovia Anchieta (SP-150), em São Bernardo, lidera o ranking regional, com 1.604 acidentes registrados no período, seguida pela Rodovia dos Imigrantes (SP-160), também no município, com 951 ocorrências. Em Santo André, a avenida dos Estados contabilizou 574 acidentes e a rua Giovanni Battista Pirelli, 378.
Em Diadema, a SP-160 registrou 397 ocorrências e a avenida Piraporinha, 339. Também aparecem entre as vias com maior número de registros a avenida Barão de Mauá (381) e a avenida João Ramalho (205), em Mauá; a avenida Índio Tibiriçá (105) e a SP-031 (93), em Ribeirão Pires; a avenida Goiás (80) e a avenida Guido Aliberti (50), em São Caetano; além da Estrada Guilherme Pinto Monteiro (20) e da avenida Deputado Antônio Adib Chammas (15), em Rio Grande da Serra.
Faixa Azul depende de autorização do Senatran
A Faixa Azul consiste em um espaço demarcado entre as faixas de rolamento destinado ao deslocamento preferencial de motociclistas. A implantação depende de autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e de estudos técnicos que levam em consideração fatores como largura da via, volume de motos, histórico de acidentes e fluidez do trânsito.
Santo André foi a primeira cidade da região a implantar a Faixa Azul. De acordo com levantamento feito pelo RD, o projeto entrou em operação em maio de 2024 na avenida Prestes Maia e, posteriormente, foi ampliado para as avenidas Dom Jorge Marcos de Oliveira e José Antonio de Almeida Amazonas. O município também já anunciou estudos para expandir a iniciativa às avenidas dos Estados e Presidente Costa e Silva.
Em São Bernardo, a Faixa Azul começou a funcionar em março de 2025, na avenida Lions. Segundo a Prefeitura, a via foi escolhida após estudos apontarem que cerca de 70% dos acidentes registrados no local envolviam motociclistas. A administração também estuda levar o projeto para outros corredores da cidade.
Já Diadema iniciou a implantação em junho deste ano. A sinalização horizontal e vertical está sendo executada conforme avança o recapeamento asfáltico e contemplará as avenidas Corredor ABD, Fábio Eduardo Ramos Esquível e Presidente Kennedy, em ambos os sentidos.
Segundo a Prefeitura, ainda não há previsão de ampliar o projeto. A prioridade é concluir a primeira etapa e avaliar os resultados antes de definir novos corredores. A escolha das vias seguiu critérios técnicos de engenharia de tráfego, segurança viária e eficiência operacional. Entre os fatores analisados estão a largura das pistas, o volume diário de motocicletas, o histórico de acidentes, a fluidez do transporte coletivo e as diretrizes da Senatran.
Na outra ponta, Rio Grande da Serra informou que não possui Faixa Azul e descartou a implantação da estrutura. Segundo a Prefeitura, as características viárias da cidade não permitem a criação desse tipo de corredor exclusivo. A administração também afirma que o fluxo de motocicletas é reduzido quando comparado ao de municípios maiores da região, concentrando-se principalmente em entregadores de aplicativos e serviços de delivery.
O motociclista de Santo André Caio Ribeiro Neto, de 29 anos, afirma sentir falta de iniciativas como a Faixa Azul em cidades maiores do ABC. Para ele, municípios como São Bernardo e Diadema deveriam ampliar a medida, especialmente em rodovias e vias de grande fluxo, onde os acidentes são mais frequentes.
“Não digo em todas as cidades, porque temos algumas bem pequenas no ABC, mas municípios maiores, como Diadema e São Bernardo, precisam ampliar esse serviço da Faixa Azul, principalmente em grandes rodovias, onde os acidentes acontecem com mais frequência”, diz.
Apesar de nunca ter se envolvido em acidentes, Caio relata que já perdeu amigos que também eram motociclistas em ocorrências de trânsito. “Comigo nunca aconteceu nada, graças a Deus, mas já perdi muitos parceiros por causa de acidentes envolvendo caminhões e colisões. A galera não respeita o motociclista”, afirma.
Até o fechamento desta reportagem, as demais prefeituras não haviam respondido aos questionamentos do RD sobre a existência de Faixa Azul, estudos técnicos ou projetos de expansão.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
