
Com a publicação da lei 7.610/26 no último dia 19/06 a prefeitura de São Bernardo extingue, em caráter permanente o uso de radares móveis para a fiscalização de trânsito na cidade. A matéria é de autoria do vereador Julinho Fuzari (Republicanos) que foi convidado à prefeitura para estar presente ao ato de sanção da medida pelo prefeito Marcelo Lima (Podemos). A medida marca, através de lei, o fim da fiscalização por equipamentos não estáticos no ABC, que podem tanto estarem em tripés em qualquer parte das vias como até embarcados em veículos.
Fuzari, que é pré-candidato a deputado estadual, citou na sua justificativa do projeto de lei que, na Capital, radares estão sendo colocados em coletivos, para flagrar motoristas o que para ele significa a prática de “indústria da multa”, sem qualquer objetivo de educação no trânsito.
“O radar móvel cria um clima de insegurança jurídica nas relações do Estado, por meio do excesso do poder de polícia estatal, e a conduta dos motoristas. Nesse caso o poder fiscalizatório está com a função de arrecadar recursos, de modo a fortalecer a indústria da multa, sem qualquer relação com a redução dos índices de violência no trânsito”, diz o autor na sua justificativa.
Outras cidades fizeram o mesmo, não necessariamente por leis, mas por atos administrativos. Em Santo André os radares móveis foram extintos em 2017. Atualmente o município tem 80 radares, mas todos fixos. A prefeitura tem em seu site (https://portais.santoandre.sp.gov.br/observatoriomob/fiscalizacao-eletronica-de-transito-radares/) a lista dos locais onde os equipamentos de fiscalização estão instalados.
Os radares fixos de Santo André processaram no ano passado inteiro cerca de 305 mil infrações, o que dá 25,4 mil por mês. Em 2026, foram aproximadamente 145 mil até o momento (24,1 mil multas em média por mês), segundo informações da prefeitura. Mauá também só tem radares fixos; são 49 ao todo que aplicaram 65.678 infrações no ano passado (5,4 mil ao mês, em média) e neste ano até agora foram 29.494 multas, o que dá média mensal de 4,9 mil.
A prefeitura de Diadema informa que também não se utiliza de radares móveis. Segundo o paço diademense são 37 radares fixos que, no ano passado multaram 192.737 vezes, média de 16mil por mês. Neste ano, até maio, foram 99.567 autuações, média de 19,9 mil mensais. A prefeitura não informou quando que os radares móveis deixaram de ser utilizados, porém salienta que eles não serão reinseridos na cidade.
Ribeirão Pires tem seis radares operando, todos fixos. Em 2025 eles geraram 16.112 multas e neste ano, o que dá uma média de 1,3 mil autuações por mês. Já este ano já foram lavradas 9.194 multas (média de 1,5 mil multas mensais).
Rio Grande da Serra não tem radares móveis, nem fixos sob controle do município. Os que existem estão em rodovia sob responsabilidade do DER (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo). São Caetano não respondeu à solicitação do RD. No portal da prefeitura há uma lista com locais e que tipo de radar está instalado. São 14 radares de avanço de sinal vermelho e de velocidade , mais nove fiscalizadores de velocidade do tipo lombada eletrônica e ainda dois radares que fiscalizam restrição de via para veículos, que estão no terminal de ônibus e na rua Manoel Coelho, no Centro.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
