
Os pátios de veículos do ABC continuam a receber centenas de automóveis e motocicletas todos os meses, enquanto as prefeituras tentam lidar com a ocupação crescente dos espaços destinados à guarda de veículos apreendidos. Dados obtidos pelo RD junto às administrações municipais e ao Detran-SP mostram que estacionamento irregular, abandono de veículos e problemas de documentação seguem entre as principais causas das remoções.
Para se ter ideia, somente nos últimos 12 meses, 4.875 veículos foram recolhidos nas sete cidades da região, segundo o Detran-SP. Ainda de acordo com o órgão estadual, a principal infração identificada nas fiscalizações foi a circulação sem o licenciamento regularizado, seguido de estacionamento irregular que – embora seja frequente associado às apreensões – não representa a maioria dos casos em todas as cidades.
Em Ribeirão Pires, por exemplo, apenas cerca de 6% das apreensões registradas neste ano tiveram como motivo o estacionamento irregular. Em Rio Grande da Serra, o percentual sobe para aproximadamente 23%. Já em Santo André, as infrações relacionadas ao estacionamento irregular representam cerca de 20% das autuações aplicadas em 2026.
Em São Caetano, que não respondeu aos questionamentos enviados pelo RD, moradores relatam problemas recorrentes relacionados à falta de fiscalização em alguns pontos da cidade. Moradora da cidade, Érica Santos Nascimento, de 32 anos, afirma que a situação é frequente no cruzamento da rua Silvia com a Alameda Araguaia. Segundo ela, veículos costumam ocupar vagas proibidas e até bloquear acessos residenciais.
“Toda semana tem carro parado em local proibido. Tem gente que estaciona até na frente das garagens, mas ninguém fiscaliza”, relata. A mesma reclamação é compartilhada por Fábio Ferreira, morador do bairro Santa Maria, que afirma que, em determinados dias da semana, motoristas chegam a utilizar áreas destinadas ao transporte público para estacionar. “Na Alameda Araguaia tem um centro espírita e, toda quarta-feira, muitos motoristas param os carros sem se preocupar se estão ocupando locais proibidos. Já vi veículo estacionado até em ponto de ônibus”, afirma.
Gestão de pátios
Além das apreensões, outro desafio enfrentado pelos municípios é a gestão dos pátios. Em Ribeirão Pires, o espaço administrado por concessionária possui capacidade para 2 mil veículos e atualmente abriga 1.717 unidades, ocupação próxima de 86% do total disponível.
Em Santo André, o pátio terceirizado tem capacidade para armazenar 300 veículos leves, 400 motocicletas e 20 veículos pesados. Segundo a prefeitura, a ocupação atual gira em torno de 60%. Já em Diadema, onde a média mensal de apreensões é de 185 veículos em 2026, o sistema é dividido em duas áreas. O pátio localizado no município opera com cerca de 40% da capacidade, enquanto a unidade instalada no interior do Estado registra ocupação de aproximadamente 70%.
Veículos abandonados agravam situação
O acúmulo de veículos abandonados é um dos principais fatores que dificultam a rotatividade dos pátios. Em Diadema, aproximadamente 2,4 mil veículos aguardam destinação. Para reduzir o estoque, a concessionária responsável pelo serviço e a prefeitura já realizaram dois leilões e estudam promover outros cinco.
Situação semelhante ocorre em Santo André, onde cerca de 20% dos veículos recolhidos encontram-se em estado de abandono. Questionada, a administração municipal informa que também pretende realizar leilão para liberar espaço, embora ainda não exista uma data definida.
Já em Rio Grande da Serra, o município aguarda liberações e procedimentos junto aos órgãos competentes para avançar nas etapas necessárias à realização de leilões envolvendo veículos vinculados à esfera municipal.
Onde ocorrem mais apreensões
As regiões com maior incidência de remoções variam conforme a cidade. Em Santo André, a fiscalização aponta concentração de infrações na região central, onde o fluxo de veículos é mais intenso. Já em Ribeirão Pires, as principais ocorrências são registradas nas avenidas Prefeito Valdírio Prisco, Kaethe Richers e Humberto de Campos.
Em Diadema, os maiores índices estão relacionados a veículos abandonados em bairros mais afastados da área central.
Segundo as prefeituras, a fiscalização é realizada com base nas regras previstas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Algumas infrações dependem da existência de sinalização específica, enquanto outras são proibidas independentemente de placas, como o estacionamento em frente a guias rebaixadas destinadas à entrada e saída de veículos.
Quanto custa recuperar um veículo?
Para os motoristas que têm o veículo recolhido pelo Detran-SP, a liberação envolve a regularização das pendências e o pagamento de taxas obrigatórias.
Atualmente, a taxa estadual de liberação é de R$ 20,82. Também é cobrada taxa de remoção no valor de R$ 422,62 e diária de permanência de R$ 42,26.
Na prática, um veículo que permaneça cinco dias no pátio gera um custo mínimo de R$ 654,74 apenas em taxas administrativas, sem considerar multas, licenciamento atrasado ou outros débitos pendentes.
Para agilizar o processo, o Detran-SP disponibiliza a Liberação Instantânea de Veículos (LIVE), plataforma digital que permite ao proprietário solicitar a liberação online, realizar os pagamentos via Pix e receber o documento de retirada diretamente pelo celular.
Segundo o órgão, todo o procedimento pode ser concluído entre dois e dez minutos, desde que o veículo não possua bloqueios ou restrições e que todas as pendências sejam regularizadas.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
