Prefeito, vice-prefeito e vereador em São Bernardo e deputado federal e diretor presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), além da formação de médico, com esse currículo William Dib (PSB) é um dos políticos mais respeitados do país. Em entrevista ao RDCast, nesta segunda-feira (28/09), Dib comparou as campanhas eleitorais do passado e como são feitas hoje, critica gastos com as campanhas e diz que o modelo político só favorece quem busca a reeleição.
Sobre o número grande de candidatos nesta eleição, principalmente em São Bernardo, Dib se espanta, teme a divisão de votos, mas não acredita que o ABC vá reduzir o número de representantes por causa disso. “Não acredito que teremos queda de representantes, mas vamos precisar de votos fora de São Bernardo e região para eleger esses candidatos. Dificilmente algum candidato a deputado estadual ou federal conseguirá se eleger, como ocorreu no passado, só com os votos da cidade. São Bernardo tem 32 candidatos a deputado federal e estadual, um volume recorde, acho que nunca chegou perto disso. Com essa divisão fica mais difícil se imaginar que algum deputado consiga se eleger, apesar dos partidos, com os votos só da cidade de São Bernardo, vão ter que ter votos na região, no interior, no litoral. Acho que nenhum candidato está fazendo (a campanha) exclusivamente a cidade de São Bernardo”, analisa.
Dib é um incentivador do voto regional. “Existe uma campanha no ABC, e acho muito importante, de se tentar fazer o voto regional, votar em alguém para a região conseguir aumentar o número de representantes na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) e na Câmara Federal. Acredito que vamos manter o número de representantes, seja com novos nomes ou com nomes velhos, mas vamos manter o número de deputados na nossa região, isso é bom. E também tem uma chance de aumentar”, destaca o ex-prefeito.

Segundo Dib a população está desmotivada em votar, não pesquisa mais sobre o candidato e a eleição, segundo ele ficou cara e distante do eleitor por causa da polarização. “A preocupação número zero é o desânimo, a falta de esperança sobre o que está ocorrendo nessa eleição. Essa é uma eleição em que a população está muito pouco esperançosa de que a qualidade de vida, a saúde, a segurança ou o transporte vão melhorar. Então isso preocupa porque muita gente já não avalia bem a questão de comparecer no dia e dar sua opinião. Ideal é fazer campanha para todos participarem, inclusive os com mais de 70 como eu, senão outros vão decidir por você”, sustenta.
A pesquisa sobre os candidatos, o passado de cada um, é primordial, segundo Dib. Para ele o eleitor deve dedicar um tempo para fazer essa pesquisa antes de decidir seu voto. “Tem que valorizar seu voto, ver o que o candidato propõe ou o que ele representa, porque a gente põe toda a culpa no prefeito, no governador e no presidente da República e esquece do Legislativo, que é fundamental e grande parte dos problemas do Brasil estão no Congresso. As grandes dificuldades que às vezes o Governador tem estão na Assembleia Legislativa, assim como o prefeito também tem dificuldade na câmara municipal, então precisamos valorizar o voto Legislativo. O problema é que grande parte da população, mais de 70%, não sabe em quem votou na eleição passada para deputado. É fácil se comunicar hoje com as pessoas, então olhe bem, escolha bem, investigue e acompanhe o trabalho dele”, orienta.
As denúncias de corrupção e investigações que envolvem políticos todos os dias na imprensa, também afetam a percepção do eleitor que acha que todos são iguais. Também pessoas. “Esse é um padrão que afasta, quando se tem muita denúncia de corrupção isso faz com que a classe pensante do país acabe se afastando do processo político, alguém tem que ocupar esse espaço, no passado intelectuais com conhecimento de gestão. Com a saída deles diminuiu um pouco a atividade intelectual de prospecção de grandes projetos importantes para a população”, diz Dib.
Enquanto o eleitor desconfia do que é novo, o sistema eleitoral privilegia quem já tem mandato e busca reeleição. “O eleitor desconfia do novo. Por isso quem está no cargo tem muita vantagem, inclusive econômica. Os novos têm muito mais dificuldade econômica. Você eleitor tem que fazer essa análise. Quem está apoiando o candidato também é algo importante a ser visto. O Brasil perdeu a mão, o eleitor acha que todos os políticos estão envolvidos em escândalos, aí escolhe o menos ruim. Tem que ter algo melhor, não é possível que não aja gente do bem. Na prática a legislação trabalha pela reeleição, mas precisamos eleger pessoas que veem o interesse público em primeiro lugar por isso o eleitor precisa comparecer e conhecer em que está votando, se acha que está errado tem que trocar. A Democracia dá esse direito, se errou há quatro anos tem condições de trocar agora”, completa o ex-prefeito.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
