
O Governo Federal lançou o Desenrola Brasil 3.0, nova etapa do programa de renegociação de dívidas voltado para pessoas físicas inadimplentes. A principal novidade é um novo modelo de operação, no qual a União poderá adquirir carteiras de dívidas de instituições financeiras e outros credores para renegociá-las diretamente com os consumidores, com o objetivo de facilitar a recuperação financeira de milhões de brasileiros.
De acordo com Luiz Antônio de Oliveira Dantas, coordenador do NAF (Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal) e do MBA em Banking – Gestão de Negócios Financeiros e Inovação Digital do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), o programa representa uma nova oportunidade para famílias que enfrentam dificuldades financeiras. “O Desenrola 3.0 permite que mais pessoas regularizem sua situação financeira e recuperem o acesso ao crédito. O mais importante é aproveitar essa oportunidade com planejamento para evitar um novo ciclo de endividamento”, afirma.
A principal inovação é que a União poderá participar da aquisição de carteiras de crédito inadimplentes por meio de procedimentos competitivos, com descontos que deverão ser integralmente repassados aos devedores. O objetivo é facilitar acordos em condições mais vantajosas.
Poderão ser contempladas dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, com valor original de até esse limite, e atraso entre 720 e 1.645 dias, o equivalente a aproximadamente dois a quatro anos e meio.
O governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis para essa modalidade.
Benefícios
Para o professor Luiz Dantas, a principal vantagem é a possibilidade de renegociar débitos com descontos expressivos. Entre os benefícios esperados estão a redução significativa do valor das dívidas, a possibilidade de limpar o nome, a recuperação do acesso ao crédito, a reorganização das finanças pessoais e a diminuição do comprometimento da renda com juros.
“Sair da inadimplência não significa apenas voltar a ter crédito. Significa recuperar capacidade de planejamento financeiro, reduzir o estresse causado pelas dívidas e melhorar a qualidade de vida da família”, destaca.
Responsabilidade
O especialista alerta que aproveitar o programa exige responsabilidade. “O acordo deve fazer parte de uma reorganização financeira. Antes de assumir um novo compromisso, é importante avaliar se as parcelas cabem no orçamento e evitar contrair novas dívidas sem necessidade”, alerta.
O coordenador do NAF recomenda elaborar um orçamento familiar antes de negociar, priorizar as dívidas com juros mais elevados, manter uma reserva financeira para emergências, evitar utilizar todo o limite do cartão de crédito e acompanhar regularmente a situação financeira.
Golpes
Com o lançamento de novas fases do Desenrola, aumentam também as tentativas de fraude. Dantas orienta que os consumidores busquem informações apenas em canais oficiais e desconfiem de mensagens, anúncios ou pessoas que prometam renegociações mediante pagamento antecipado ou solicitem dados pessoais sem confirmação da origem. Casos recentes mostram a circulação de anúncios falsos usando indevidamente a identidade visual do programa.
“Nenhum programa de renegociação elimina a necessidade de educação financeira. Quanto maior o conhecimento sobre orçamento, crédito e planejamento, menores são as chances de voltar ao endividamento”, afirma.
Educação financeira
Segundo o professor, iniciativas como o Desenrola devem ser acompanhadas por ações permanentes de educação financeira. O NAF do Centro Universitário Fundação Santo André desenvolve atividades de orientação à comunidade, enquanto o MBA em Banking – Gestão de Negócios Financeiros e Inovação Digital aborda os desafios do sistema financeiro, da inovação e da gestão do crédito. “A verdadeira mudança acontece quando as pessoas desenvolvem hábitos financeiros saudáveis, aprendem a planejar seus gastos e utilizam o crédito de forma consciente”, destaca.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
