
Em entrevista exclusiva ao RD para falar da saúde de São Bernardo e os avanços nesta área, o secretário Jean Gorinchteyn destacou que a cidade, que já gasta R$ 180 milhões por mês no seu sistema de saúde, sendo 35% desse montante bancado pelos cofres municipais, terá, à partir deste mês mais recursos, que virão através da complementação de valores por procedimentos da Tabela SUS Paulista. O secretário destacou também o alto índice de vacinação da cidade, entregas de unidades de saúde, a ampliação do atendimento TEA (Transtorno do Espectro Autista) e ainda do projeto do tão esperado Pronto Socorro 24 horas para a região do Pós-balsa, uma promessa do prefeito Marcelo Lima (Podemos).
Como parte das comemorações de aniversário da cidade, a prefeitura pretende entregar na próxima semana a UBS Parque Imigrantes. Também está em obras a Policlínica Assunção. A prefeitura espera entregar no próximo ano o primeiro Pronto Socorro 24 horas para a população da região conhecida como Pós-Balsa, o projeto já está pronto. Segundo Gorinchteyn o planejamento já foi feito e o PS será mantido em uma parceria com a iniciativa privada. “Já temos na UBS Santa Cruz, uma sala de estabilização que funciona 24 horas, mas a intenção é garantir um atendimento efetivo para emergências, para acidentes, com salas de sutura, capacidade para atender situações de pessoas com mordida de cobra, ou seja todo o perfil daquela região”, explica. “Teremos lá uma Unidade de Terapia Semi-intensiva para o paciente ser estabilizado até que possa ser transferido, e também sala de sutura”, diz Gorinchteyn.
Custeio
O custeio, principalmente na maior cidade da região, é o maior problema da gestão da saúde. O orçamento para esta área é de R$ 180 milhões por mês, sendo que o município banca sozinho 35% deste valor; os repasses de verbas estaduais e federais não garantem totalmente o atendimento exigindo esforço com dispêndio de verba do tesouro municipal. Segundo Gorinchteyn, essa realidade terá um pouco de alívio à partir deste mês de agosto com a chegada da primeira parcela de cotas da Tabela SUS Paulista, que complementa o valor repassado pelo governo federal por procedimentos realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Vamos começar este mês a receber nossas cotas e isso nos dará um suspiro de alívio nas contas, são R$ 10,2 milhões mensais, o que vai significar R$ 52 milhões até o final do ano”, enumera o gestor da saúde municipal.
Ainda no tema financiamento da saúde, uma das dificuldades que a atual gestão do município tem colocado é o custo para manter o Hospital de Clínicas, que, apesar de ser mantido com dinheiro dos cofres municipais é uma unidade com característica regional. As discussões sobre isso já passaram pela estadualização do hospital, hoje, porém a prefeitura mantém o hospital funcionando, inclusive ampliando o número de cirurgias e o mantendo no top 10 dos melhores hospitais do território paulista. “Há duas discussões em torno do custeio do Hospital de Clínicas; a estadualização ou transformá-lo em Hospital Universitário em que ele receberia recursos para ser ampliado, mas o Estado e o Governo Federal não se manifestaram sobre isso até o momento. Apesar de ser municipal, ele atende de forma generalizada a região inclusive com procedimentos de altíssima complexidade como cirurgias cardíacas. Hoje temos dois hospitais entre os dez melhores do Estado, o Hospital da Mulher é terceiro lugar e o HC é o sexto, isso nos deixa muito orgulhosos”, diz o secretário.
Campanhas
Segundo Gorinchteyn São Bernardo tem motivos para se orgulhar da saúde pública. Em meio à campanha de vacinação contra sarampo em que a cidade já ministrou mais de 130 mil doses o secretário diz que tem sido um sucesso não só a imunização contra a doença que teve casos registrados no Estado, como também quando aplicação de outras vacinas. “Temos 92% de imunização na primeira dose e cerca de 90% na segunda dose contra o sarampo e 100% das crianças de dois anos integralmente vacinadas, temos um dos melhores índices do Brasil”, comemora.
O secretário, que é médico infectologista, destacou também o trabalho feito durante a Caravana da Saúde, que realizou mais de 2 mil cirurgias de catarata. Segundo ele, diferente dos mutirões cirúrgicos para corrigir o problema da visão causado pelo envelhecimento, a caravana priorizou o atendimento de qualidade para atender a 50 cirurgias por semana. “Tudo para assistir o morador que estava com sua autonomia comprometida, mas de forma segura”, sustenta.
Cidade vai aumentar capilaridade do atendimento em TEA
No atendimento à pessoa autista, o município também tem avançado e a proposta agora é levar as consultas e os demais atendimentos cada vez mais perto do morador, visto que deslocamentos mais demorados podem despertar crises em quem tem TEA (Transtorno do Espectro Autista). Segundo Gorinchteyn através do programa municipal Teacolhe são ofertadas cinco mil consultas por mês assim como no CER (Centro Especializado de Reabilitação) que atende a autismo de nível de suporte 3. Agora a prefeitura estuda junto com pais e mães a instalação de de salas de acolhimento nas Unidades Básicas de Saúde.
“A intenção é levar o território onde a família atípica está e evitar deslocamentos, como ter que tomar duas conduções, por exemplo o que é muito difícil para o autista. Não dá para implantar isso em todas as UBSs, por isso estamos dialogando com as famílias para criar esse ambiente calmo e tranquilo para o atendimento e mais perto de casa. Não é possível fazer em unidades muito cheias, o que pode ocasionar crises desse paciente”, explica o secretário.
Certificação
O secretário municipal de saúde falou da qualificação da rede e lembrou da certificação internacional que a cidade obteve no atendimento a pacientes com AVC (Acidente Vascular Cerebral). Agora São Bernardo é certificada como Cidade Angels, título concedido pelo programa Angels, iniciativa global da Boehringer Ingelheim em parceria com a Organização Mundial do AVC (World Stroke Organization – WSO). O Hospital de Urgência e o Samu de São Bernardo foram contemplados pela certificação Angels Awards Diamond, maior nível em uma escala que tem ainda os selos Gold e Platinum. “Essa certificação mostra que a cidade está absolutamente preparada para identificação do AVC, com resposta rápida reduzindo mortalidade e sequelas”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
