
Dois artefatos explosivos foram encontrados nesta segunda-feira (16/02) na Represa Billings, na Rodovia Caminho do Mar, em São Bernardo. A descoberta ocorreu durante uma atividade de pesca magnética realizada por Arthur Catole e Silvio Cavalcante, do canal Detectorismo Osasco.
A prática consiste na retirada de resíduos metálicos de rios e represas com o uso de ímãs de alta potência, capazes de atrair objetos pesados do fundo da água. O primeiro item retirado foi identificado como uma granada. Em seguida, um segundo artefato foi localizado, apontado como um morteiro.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo foi acionada, e equipes do 6º Batalhão compareceram ao local, nas imediações do restaurante Mirante. A área foi isolada até a chegada do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), unidade especializada em ocorrências com explosivos.
Após avaliação técnica, os especialistas optaram pela detonação controlada dos artefatos no próprio local. Os fragmentos foram recolhidos para perícia e destinação adequada.
Impactos ambientais
Ao RD, Marta Marcondes, bióloga, ambientalista e professora da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), explicou que a pesca magnética costuma estar associada a “caça-tesouros”, que buscam encontrar objetos de valor em represas, rios e praias. “O problema é trazer à tona artefatos que estavam submersos e inativos”, afirma.
Segundo a especialista, a presença de explosivos sempre representa risco, já que não há garantia de que estejam totalmente inertes. “Mesmo que não detone, o artefato pode liberar substâncias tóxicas. Muitas vezes, não se sabe exatamente quais materiais compõem esses objetos”, ressalta.
De acordo com a professora, há dois principais perigos: a possibilidade de explosão, com impactos diretos a pessoas e animais, e o risco de contaminação da água. “Se houver detonação na água, pode ocorrer mortandade de peixes e outros organismos, além de danos à fauna e à flora, que já sofrem com poluição e desmatamento. Também há impacto potencial sobre nascentes e áreas de recarga do reservatório”, explica.
A ambientalista destaca que, embora seja necessária maior fiscalização e monitoramento, nem sempre é possível identificar previamente a origem e o período em que esses artefatos foram descartados, o que dificulta ações preventivas.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
