
A Enel removeu mais de 6,8 mil materiais irregulares e regularizou 16,2 mil postes em Santo André, São Bernardo e São Caetano neste ano. Apesar das ações de limpeza e ordenamento da infraestrutura, a retirada de cabos clandestinos ainda é um desafio em parte dos municípios do ABC. Mauá afirma que realiza fiscalizações, mas aponta limitações para remover a fiação irregular, enquanto Diadema reforça a atuação por meio de legislação municipal e aplicação de multas.
Segundo a Enel, as ações de ordenamento e limpeza da infraestrutura ocorrem de forma contínua em toda a área de concessão da distribuidora, em parceria com prefeituras e empresas de telecomunicações. A companhia informou que novas operações serão realizadas conforme o planejamento operacional.
Santo André concentra o maior volume de materiais retirados. Neste ano, foram removidas mais de 3.830 unidades irregulares e regularizados 8.165 postes. Em São Bernardo, a Enel retirou mais de 1.780 unidades e regularizou 4.161 postes. Já São Caetano registrou a remoção de 1.230 materiais irregulares e a regularização de 3.874 postes.
A operação mais recente ocorreu em São Bernardo, onde a Prefeitura iniciou, na quinta-feira (30/7), uma nova etapa de combate à fiação aérea irregular na avenida Luiz Pequini, no Parque São Bernardo. A ação prevê a retirada de cabos rompidos, clandestinos, sem identificação ou fora dos padrões técnicos.
A manutenção e a organização dos cabos instalados nos postes são de responsabilidade das empresas de telecomunicações que utilizam a infraestrutura. Cabe à concessionária de energia fiscalizar a ocupação dos postes e exigir a regularização quando identifica irregularidades, conforme normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Mauá atua conforme demanda
Em Mauá, a Secretaria de Meio Ambiente (Sama) informou que realiza fiscalizações e solicita a retirada de cabos mortos conforme as demandas recebidas. Nos casos considerados mais complexos ou urgentes, a pasta aciona a Enel.
Segundo o município, equipes de fiscalização atuam diariamente nas ruas e encaminham as ocorrências identificadas à concessionária. A população também pode registrar denúncias por meio da Ouvidoria da Sama.
A Prefeitura afirma que há cabeamento irregular e clandestino no município e que a Sama não possui equipe ou qualificação técnica para realizar a remoção desse tipo de material. O município também informou que não tem competência para aplicar multas às empresas responsáveis.
Diadema reforça fiscalização por lei municipal
Em Diadema, a Prefeitura informou que a responsabilidade pelo alinhamento e pela remoção de cabos e da fiação aérea é das empresas prestadoras de serviços de energia, telefonia e internet que compartilham os postes.
O município possui legislação específica sobre o tema e prevê multa de 2 mil UFDs para a concessionária de energia que, após notificação, não realizar as adequações exigidas. Atualmente, a penalidade corresponde a R$ 10.720 por trecho entre postes.
A administração municipal também destacou que fios baixos, cabos rompidos ou emaranhados representam risco para pedestres e motoristas. Em 2026, foram registradas 51 solicitações relacionadas ao tema por meio do aplicativo Colab. Segundo a Prefeitura, todas as demandas foram resolvidas ou indeferidas conforme cada caso.
Quando a ocorrência envolve fiação que não integra a rede de iluminação pública, o morador é orientado a registrar a reclamação diretamente com a empresa responsável pelo serviço.
Fiscalização é apontada como desafio
Para o urbanista Enio Moro Júnior, gestor do curso de Arquitetura e Urbanismo da USCS, a falta de fiscalização contribui para a permanência dos cabos irregulares. Segundo o especialista, muitas empresas mantêm fios sem uso nos postes porque o custo para ocupar essa infraestrutura é baixo.
“O aluguel é muito barato e as empresas deixam os fios nos postes mesmo quando eles não têm mais utilidade. Em alguns casos, os postes acabam funcionando como depósito de materiais”, afirma.
Na avaliação de Enio, a implantação de redes subterrâneas seria uma alternativa mais segura, mas ainda não há mecanismos legais que obriguem as empresas a adotar esse modelo. “O custo para utilizar os postes continua muito menor do que implantar uma rede subterrânea, por isso esse cenário permanece”, explica.
Moradora relata preocupação
A auxiliar de enfermagem Isabella dos Santos afirma que presenciou uma situação preocupante no domingo (2), na Rua Bocaiúva, em Piraporinha, em Diadema. Segundo a moradora, havia um emaranhado de fios e um cabo solto em frente a uma igreja da via, trecho com circulação de moradores e próximo a uma escola estadual.
Isabella relata que a situação chamou a atenção das pessoas que passavam pelo local, principalmente pela dificuldade de identificar se o cabo fazia parte da rede elétrica ou de telecomunicações.
“Ficamos com medo de passar perto porque não dava para saber se era um fio de energia ou não. A preocupação é uma criança encostar ou brincar perto desse cabo”, afirma.
Para a moradora, o problema vai além da poluição visual. “Às vezes a gente passa e vê aquele monte de fio junto, sem saber se está sendo usado. Além de deixar a rua feia, também dá medo de acontecer algum problema, como um acidente ou até um incêndio”, relata.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
