
No mês de agosto, quando se realizam ações de conscientização sobre a violência contra a mulher, o Agosto Lilás, os feminicídios tentados e consumados explodem no ABC, bem como aumentaram também os casos de estupro. Os dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública disponíveis até o momento são os do primeiro semestre; de janeiro a junho oito mulheres foram mortas na região, o dobro do verificado no mesmo período do ano passado. As mulheres que sobreviveram a atentados contra suas vidas foram nove no ano passado e 15 neste ano, alta de 66,6% e os casos de estupro cresceram 10%.
Enquanto essa realidade ganha proporções maiores, a estrutura física de amparo às vítimas, investigação e captura dos agressores e feminicidas continua a mesma.
A região tem Delegacias de Defesa da Mulher em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá. Ribeirão Piresprepara um imóvel que irá ceder ao Estado para a sua DDM e Rio Grande da Serra ainda não tem planejada uma estrutura específica para atendimento.
A única mudança no serviço policial de atendimento aos casos de violência contra a mulher nos últimos anos foi a ampliação do atendimento em São Bernardo. Em maio, com a inauguração da Cidade da Polícia, a DDM da cidade passou a funcionar 24 horas, uma antiga demanda de todo o ABC.
Enquanto o número de delegacias especializadas não aumenta, o governo paulista criou as salas DDM, que funcionam em distritos policiais de bairro e, na prática, são salas onde a vítima é ouvida por uma delegada, por videoconferência. No ABC são nove salas com este modelo.
Dados da violência
Neste ano, até junho, foram registradas 15 tentativas de feminicídio, sendo cinco em São Bernardo, quatro em Santo André, três em Diadema, duas em Mauá e uma em Ribeirão Pires. Número 66,6% maior que os nove casos ocorridos nos primeiros seis meses do ano passado.
Em dados oficiais, a região já teve oito mulheres mortas este ano em crimes registrados como feminicídio. Foram cinco em São Bernardo e os três restantes aconteceram em Diadema, Santo André e Ribeirão Pires. O número é 100% maior que o do mesmo período de 2025, que teve quatro mortes, sendo dois em Santo André, um em Diadema e outro em São Bernardo.
Infraestrutura
A Polícia Civil não indica quando vai instalar novos plantões 24 horas. “A Polícia Civil informa que realiza estudos para a implantação de Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) com atendimento 24 horas no ABC. A instituição ressalta que acompanha as demandas da região e vem expandindo a estrutura voltada ao acolhimento de vítimas de violência doméstica, com atendimento humanizado, reservado e qualificado.
Atualmente, São Paulo conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher e 235 Salas DDM para atendimento remoto. No ABC, há nove dessas salas em funcionamento. Além disso, mais de 650 policiais foram incorporados ao reforço do atendimento, e novas unidades ainda serão implantadas”, resume a polícia judiciária em nota.
A Secretaria de Segurança Pública não informou data possível para inaugurar a DDM de Ribeirão Pires. A Prefeitura informa que o prédio está 70% pronto e que investiu R$ 597 mil no local e aguarda que o Estado inaugure o equipamento ainda este ano. A escolha do local foi estratégica, na avenida Prefeito Valdírio Prisco, próxima à Delegacia de Polícia e ao Fórum Municipal.
“Essa é uma conquista histórica para Ribeirão. A Delegacia da Mulher vai garantir um atendimento especializado e humanizado às vítimas de violência. É um passo importante para reforçar a rede de proteção e acolhimento das mulheres do nosso município”, disse o prefeito Guto Volpi (PL).
Campanha e serviços
A campanha nacional Agosto Lilás, pelo fim da violência contra a mulher ocorre em razão do alusão ao aniversário da Lei Maria da Penha. Há uma série de serviços que a mulher pode utilizar para se proteger de situações de violência.
O Aplicativo SP Mulher Segura reúne serviços de atendimento a casos de violência doméstica. É possível registrar boletins de ocorrência de violência doméstica. Além disso, o aplicativo também disponibiliza um botão do pânico para acionamento de socorro caso a vítima tenha medida protetiva e esteja em situação de perigo. Por meio de georreferenciamento, o aplicativo também cruza os dados da localização da vítima e do agressor monitorado por tornozeleira eletrônica. Se identificada uma aproximação, o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) é acionado e uma viatura é despachada para o local.
A mulher que aciona a Polícia Militar pelo 190 tem um time especializado de policiais femininas para o atendimento de ocorrências e suporte a mulheres vítimas de agressão. Elas compõem a Cabine Lilás, uma sala com cinco policiais mulheres à disposição para o atendimento. Os trabalhos das operadoras da Cabine Lilás já foram responsáveis por 30 prisões em flagrante por descumprimento de medida protetiva.
Há ainda o Protocolo Não se Cale através do qual funcionários de bares e restaurantes recebem capacitação para acolher e dar suporte às vítimas de assédio. O estabelecimento deve garantir um espaço seguro para a vítima, acompanhá-la até o veículo solicitado e, se necessário, acionar a polícia ou o SAMU, sempre respeitando a decisão da mulher e orientando-a sobre a rede pública de apoio disponível. O curso de capacitação é feito de forma online.
O governo do Estado mantém ainda a Casa da Mulher Paulista, equipamento dedicado à proteção, acolhimento, capacitação e orientação das mulheres em direção ao mercado de trabalho. Além disso, também oferece suporte jurídico e psicológico para recuperação de autonomia e confiança. São Bernardo tem uma unidade que fica na avenida Senador Ricardo Baptista, 274 (ou número 300), no Bairro Assunção (próximo à Área Verde). O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
