
As reclamações de perturbação sonora aumentaram no ABC no primeiro semestre de 2026. Levantamento realizado pelo RD aponta que o número de ocorrências atendidas pela Guarda Civil Municipal, de cada cidade, passou de 11.424, no mesmo período de 2025, para 11.848 neste ano, uma alta de 3,7%. O crescimento foi puxado, principalmente, por São Bernardo, com crescimento de 29% nos chamados.
Em São Bernardo, os atendimentos da GCM passaram de 4.110 ocorrências no primeiro semestre de 2025 para 5.297 no mesmo período de 2026. Rio Grande da Serra também registra alta nos chamados relacionados à perturbação sonora. A cidade passou de 58 ocorrências em 2025 para 66 em 2026, crescimento de 14%.
Na contramão, três cidades registraram redução nos atendimentos. Em Santo André, os casos caíram de 3.411 para 3.237 ocorrências no período analisado, uma queda de 5%. Diadema teve redução de 3.170 para 2.793 chamados, retração de 12%. Já Mauá apresenta a maior queda proporcional entre as cidades que informaram os dados, com os registros reduzidos de 675 para 455 ocorrências, uma redução de 32,5%.
As principais queixas registradas pelas GCMs estão relacionadas a bares e adegas, que concentram a maior parte das reclamações. Em seguida aparecem outras fontes de perturbação, como festas em residências e veículos com som alto.
Ribeirão Pires e São Caetano não responderam aos questionamentos do RD sobre os números de ocorrências nos períodos analisados até o fechamento da matéria.
Veja os bairros com maiores incidências de ocorrências relacionadas à perturbação sonora na região:
| Cidade | Bairros com maior incidência |
|---|---|
| Santo André | Jardim Santo André |
| Diadema | Canhema |
| Rio Grande da Serra | Santa Teresa / Vila Figueiredo / Recanto das Flores |
| Mauá | Jardim Miranda D’Aviz / Jardim Oratório / Jardim Zaíra |
| São Bernardo | Não informado pela administração municipal |
| Ribeirão Pires | Não informado pela administração municipal |
| São Caetano | Não informado pela administração municipal |
Operações
Além das ações de fiscalização e atendimento às denúncias, as Guardas Civis Municipais também realizam operações específicas para reforçar o combate à perturbação do sossego.
Em São Bernardo, a GCM conta com a Operação Dorme Bem SBC, que complementa o trabalho de atendimento às reclamações e fiscalização em todas as regiões da cidade. As equipes se deslocam até os locais indicados, orientam os responsáveis e adotam as medidas necessárias para interromper a irregularidade.
Em Diadema, entre as ações complementares estão a Operação Fecha Bares, voltada à fiscalização de estabelecimentos que descumprem a legislação, e a Operação Diadema Segura, que amplia o patrulhamento e as fiscalizações em diferentes pontos do município.
Pancadões
Ao RDcast, o coronel Fernando Carvalho Ricardo, que está no comando do CPA-M6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6), responsável pelo policiamento nas sete cidades do ABC, afirma que houve redução nas reclamações relacionadas aos pancadões, mas destaca que os eventos ainda são um problema na região.
“Eu tenho a percepção de que tem havido menos reclamações desses eventos, mas ainda há barulho, desordem e bloqueios de vias públicas. Todo final de semana tem ocorrência. Em todos os municípios do ABC. Se fosse só uma ocorrência, estava bom. São várias”, afirma o comandante.
A estratégia da PM é ocupar os espaços antes que o pancadão tenha início. “Quando está instalado não dá para chegar jogando bomba em todo mundo. A gente vai lá e ocupa antes”, revela.
Critérios para autuação
O processo de fiscalização ocorre em etapas, com orientação inicial ao responsável e aplicação de multa em casos de descumprimento ou reincidência. Nas situações mais graves, o estabelecimento pode sofrer lacre ou interdição, conforme a legislação municipal, especialmente quando são identificadas irregularidades, como a falta de documentação obrigatória para funcionamento.
Os infratores estão sujeitos às penalidades previstas nas normas municipais, que podem incluir multas. Em Diadema, por exemplo, os valores podem chegar a R$ 11.220. Além disso, a punição pode envolver a apreensão da fonte causadora do ruído, como caixas de som, equipamentos de áudio, veículos com volume excessivo e escapamentos irregulares, além da cobrança das despesas de remoção, estadia e permanência em pátio, quando aplicável.
Privação de sono aumenta riscos à saúde
A exposição frequente ao barulho noturno e a consequente privação de sono podem causar prejuízos significativos à saúde, a curto e longo prazo. Ao RD, Renan Iegoroff, neurologista, médico do sono e membro do Grupo de Estudo e Pesquisa Respiratória na Atenção Primária da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), explica que uma noite mal dormida já é suficiente para gerar efeitos perceptíveis no dia seguinte.
A falta de sono provoca irritabilidade, desatenção, fadiga e lentidão no raciocínio. “Há também redução na liberação de substâncias fundamentais ao organismo, como o hormônio do crescimento e a testosterona, além de alterações no apetite”, explica.
Quando a privação de sono se torna frequente, os danos podem ser ainda mais graves. “A longo prazo, o problema aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), além de elevar as chances de desenvolvimento de demência, Parkinson, em pessoas predispostas, e até câncer” afirma.
A exposição constante ao barulho pode também agravar doenças já existentes. “A privação do sono é capaz de ativar fatores genéticos silenciosos, descompensar quadros controlados, como hipertensão e diabetes, além de elevar o risco de lesões vasculares”, revela.
Canais para denúncias
As denúncias de perturbação do sossego podem ser feitas pelo telefone 190 da Polícia Militar e pelo 153 da Guarda Civil Municipal (GCM). Além desses canais, as prefeituras disponibilizam alternativas próprias para o registro de reclamações e solicitações de fiscalização.
Rio Grande da Serra conta com atendimento da Secretaria de Segurança Urbana, Trânsito e Defesa Civil pelo telefone (11) 2770-0162, da Ouvidoria Municipal pelo (11) 2770-0212, da Secretaria de Finanças pelo (11) 2770-0158 e da Guarda Civil Municipal pelo telefone de emergência (11) 4826-8008.
Santo André recebe as reclamações pela Central de Atendimento do Semasa, nos números 0800-4848115 ou 4433-9300, e também pelo aplicativo Colab.
Em Mauá, os moradores podem acionar o Centro de Controle Operacional pelo telefone (11) 4512-7675.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
