
Moradores de Diadema e São Bernardo têm relatado aumento nas contas de energia elétrica. Segundo os reclamantes, as cobranças subiram em até R$ 100, mesmo sem mudanças na rotina das residências. Os consumidores também afirmam que houve elevação no consumo registrado nas faturas, o que, segundo eles, não condiz com os hábitos das famílias.
Em entrevista ao RD, a moradora Julianna Santiago, que vive na região do Eldorado, na divisa entre Diadema, São Bernardo e São Paulo, conta que a conta de energia de sua residência passou de cerca de R$ 220 para R$ 320.
Para Julianna, o aumento chamou a atenção porque não houve alterações no consumo da família. “Mesmo com a bandeira amarela, achei estranho esse aumento. Comecei a conversar com vizinhos, familiares e pessoas dos grupos de WhatsApp e percebi que muitos tiveram um reajuste parecido, sem mudança no consumo do dia a dia”, relata.
O marido de Julianna, Rizkallah Elia Ayde Filho, afirma que a principal preocupação da família não é apenas o valor da conta, mas o aumento do consumo registrado na fatura.
Segundo Rizkallah, o consumo apontado pela concessionária aumentou cerca de 35%, apesar de a família não ter adquirido novos aparelhos elétricos nem alterado os hábitos de uso da energia. “O valor aumenta porque o consumo registrado aumentou. O problema é entender de onde veio esse consumo, já que nossa rotina permaneceu a mesma e, inclusive, passamos menos tempo em casa”, afirma.
O morador diz ainda que o medidor de energia do imóvel foi substituído sem autorização da família. Após a troca, segundo ele, o equipamento permaneceu sem lacre, o que compromete a confiança na medição registrada pela concessionária. “Como vou comprovar que não consumi essa energia? Se a empresa informa que o relógio registrou determinado consumo, o consumidor praticamente não tem como contestar”, questiona.

A situação, segundo Julianna, também foi percebida pelos pais dela, moradores do bairro Baeta Neves, em São Bernardo. De acordo com a moradora, o casal identificou aumento na conta de energia, embora não tenha havido qualquer mudança na rotina ou no consumo da residência.
Outra moradora que relata situação semelhante é Yane Caroline dos Santos Moura, de 27 anos, residente na Vila Conceição, em Diadema. Ela afirma que a conta de energia passou de cerca de R$ 150 para R$ 200, sem que houvesse qualquer alteração no padrão de consumo da residência.
Segundo Yane, durante o período de férias escolares, as crianças permaneceram na casa da avó, o que reduziu o tempo de permanência de pessoas no imóvel.
Beneficiária do Bolsa Família, ela afirma que já solicitou a Tarifa Social de Energia Elétrica e destaca que o aumento compromete o orçamento doméstico. “Solicitei a Tarifa Social assim que comecei a receber o benefício. A conta sempre veio em torno de R$ 150, mesmo sendo uma família em situação de vulnerabilidade. Agora, pagar R$ 200 já pesa no orçamento”, relata.
A moradora afirma que não procurou a Enel para contestar a cobrança porque acredita que a reclamação não resultaria em desconto na fatura. “Na minha situação, R$ 50 fazem diferença. É praticamente o valor da minha conta de água”, diz.
O RD procurou a Enel Distribuição São Paulo para esclarecer os relatos apresentados pelos moradores. Até o fechamento desta reportagem, a concessionária não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamento.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
