
Em comunicado divulgado à imprensa esta semana, a Secretaria de Educação do Estado informou ter investido R$ 261,6 milhões em obras e manutenções em 222 escolas estaduais do ABC entre janeiro de 2023 e junho deste ano. As obras vão intervenções para acessibilidade, que consumiram a maior parte do montante, além de coberturas de quadras além de quatro escolas que foram ampliadas e uma nova que foi construída na área da Unidade Regional de Educação de Mauá. Para a professora e presidente da Apeoesp de Santo André, Maíra Machado, as obras não são suficientes e há muitos problemas de todos os tipos em toda a região.
“As escolas de Santo André estão em mau estado de conservação, mas isso não é só uma questão local, essa é a política do governo do Estado, de sucateamento da escola pública que está em situação bastante degradada. Há denúncias de várias cidades de São Paulo sobre o nível de degradação das escolas. Na Apeoesp, entendemos que várias obras são necessárias e urgentes, como em várias escolas que têm infiltração, mofo, e em algumas isso é mais gritante, principalmente na periferia”, aponta a professora.
Segundo Maíra, o governo tem ampliado o funcionamento estimulando a transformação de escolas para o funcionamento em período integral, mesmo quando mesmo com o funcionamento em horário menor já há problemas de manutenção e necessidade de intervenções profundas também. “Tem escolas que não têm nem água para os professores que trazem de casa. São diversos problemas de diferentes níveis de segurança, na escola Clotilde Peluso, na Vila Luzita, tem sala que alaga quando chove e tem outras na mesma região em situação semelhante”, aponta. “A escola Clotilde Zanei, recentemente transformada em PEI (Programa de Ensino Integral) em uma decisão com pequena participação da comunidade escolar, está caindo aos pedaços. O governo quer transformar a escola em ensino integral e ela está totalmente decadente e essa é uma situação que vem se repetindo em diversas escolas”.
Há problemas estruturais sérios com riscos para professores, funcionários e alunos, segundo a presidente da Apeoesp andreense, como a quadra da escola Waldomiro Guimarães, na Vila João Ramalho em que a cobertura da quadra desabou e ainda não foi reparada. “Colocaram lá uma lona como de um circo, já faz três anos e não reconstruíram. Além disso há escolas onde o jardim virou matagal, um espaço que poderia ser aproveitado por professores e alunos em aulas ao ar livre, estão ocupados pelo mato que pode trazer insetos, como escorpiões. Tem ainda situações de árvores cujas folhas entopem calhas, galhos que podem danificar telhados e outras que também podem cair inteiras. Já vi coisas horríveis nestes terrenos, porque tem escolas que são invadidas quando estão fechadas”, diz a professora.
Além de problemas que seriam resolvidos com reformas, a professora aponta deterioração de equipamentos, como carteiras, computadores e lousas. “Em 2020, quando começou a informatização das escolas, elas receberam uma série de equipamentos, computadores e tablets, que hoje já estão estragados, na minha escola são mais de 40 professores e são oito computadores funcionando. Dos tablets para os estudantes mais da metade já não funciona mais. E não é culpa dos alunos, pois não tem como equipamentos de tecnologia serem utilizados por anos sem reposição dessa maneira. Imagine quase 800 alunos usando isso todo dia, não é anormal que quebrem, e não tem reposição. Ao mesmo tempo que o governo proíbe o uso de celular, apesar de reconhecermos que não tem como o aluno usar celular na aula, há uma contradição porque eles têm milhares de atividades nas plataformas e não têm equipamentos. É muita hipocrisia do governo querer que a gente use tudo digital e não dá condições para isso. Falta carteira porque não tem reposição. Soubemos que agora virá uma nova verba para reformas, mas precisa ter mais participação da comunidade escolar para decidir onde será investido nesse dinheiro.
O RD questionou a Secretaria de Educação para que listasse as escolas que tiveram obras os últimos três anos e meio e o que foi feito em cada uma delas, mas a pasta informou somente os valores investidos de uma forma geral por tipo de intervenção. “332 obras gerais foram realizadas nas escolas do ABC, com R$ 128,7 milhões investidos. Foram 41 obras de acessibilidade, com R$ 112,1 milhões investidos; 18 obras foram realizadas nas coberturas de quadras das unidades, com R$ 11,7 milhões de investimento. A Unidade Regional de Mauá também recebeu uma nova instalação, com o investimento de R$ 6,9 milhões e também houve a ampliação de quatro escolas, que receberam seis novas salas de aula, com o investimento de R$ 2,1 milhões.
Nota da Secretaria de Educação enviada dia 4 de agosto
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo reafirma o investimento de R$ 261,6 milhões em obras e manutenções realizadas em 222 escolas estaduais do ABC entre janeiro de 2023 e junho de 2026, distribuídos entre 332 obras gerais (R$ 128,7 milhões), 41 obras de acessibilidade (R$ 112,1 milhões), 18 obras de cobertura de quadras (R$ 11,7 milhões), a nova unidade da Diretoria de Ensino de Mauá (R$ 6,9 milhões) e a ampliação de quatro escolas, com seis novas salas de aula (R$ 2,1 milhões).
Em relação às situações específicas citadas na reportagem, a pasta esclarece:
E.E. Waldomiro Guimarães
Diferentemente do que foi noticiado, a unidade não está sem intervenção. A escola recebeu duas obras voltadas exatamente ao problema estrutural relatado na cobertura da quadra de esportes: um serviço emergencial, que contemplou melhoria na quadra interditada, substituição das telhas metálicas, proteção das peças de fixação das estruturas metálicas, substituição do bebedouro e da passagem coberta de acesso à quadra (R$ 343.604,95); e uma manutenção classificada como de risco, destinada a corrigir anomalias na estrutura metálica da cobertura, cujas treliças apresentavam estágio avançado de oxidação (R$ 1.220.250,14). Juntas, as duas intervenções somam mais de R$ 1,56 milhão investidos na unidade.
E.E. Clotilde Zanei
A unidade, recentemente transformada em Programa de Ensino Integral, recebeu três intervenções emergenciais nos últimos meses: recomposição de danos à infraestrutura elétrica interna decorrentes de sinistro envolvendo veículo em via pública (R$ 19.023,21); reforma de cobertura em resposta ao vendaval de setembro de 2025 (R$ 166.918,80); e reparos decorrentes de furto de cabos (R$ 154.428,02) — totalizando mais de R$ 340 mil em ações emergenciais direcionadas à escola.
A Secretaria reforça que as demandas de manutenção são avaliadas de forma contínua e que segue à disposição para detalhar, caso a caso, as intervenções realizadas na rede estadual do ABC.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
