
O Governo Federal deve anunciar nos próximos dias um novo programa de renegociação de dívidas voltado às famílias brasileiras. A proposta prevê descontos de até 80% sobre os valores devidos, com o objetivo de aliviar o orçamento doméstico e frear o avanço da inadimplência.
O cenário é de recorde: em março de 2026, o número de brasileiros inadimplentes chegou a 81,7 milhões.
A iniciativa deve funcionar nos moldes do Desenrola Brasil, criado em 2023 para reduzir o endividamento e facilitar o acesso ao crédito. Na nova versão, a expectativa é que bancos, fintechs e outras instituições ofereçam abatimentos expressivos, enquanto o governo pode atuar como garantidor do refinanciamento do saldo restante, reduzindo riscos e incentivando a adesão.
Para o professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Ahmed El Khatib, a medida pode trazer alívio imediato às famílias. “O lançamento de um novo programa de renegociação é importante porque permite reorganizar o orçamento e recuperar o poder de consumo, especialmente em um cenário de juros elevados e renda comprometida”, afirma.
Segundo ele, os efeitos também podem ser sentidos na economia. “Quando o consumidor limpa o nome e reduz o peso das dívidas, volta a consumir de forma mais equilibrada. Isso movimenta o comércio, melhora a arrecadação e ajuda a reduzir a inadimplência no sistema financeiro”, completa.
Como evitar dívidas?
A principal recomendação é manter os pagamentos em dia, sempre que possível, já que os juros da inadimplência costumam ser elevados.
Caso isso não seja viável, o especialista orienta avaliar as condições de negociação. “Pagamentos à vista, em geral, garantem os maiores descontos. Também é importante considerar se há necessidade de crédito no curto prazo ou se é possível conviver temporariamente com o nome negativado”, explica.
Dicas para não se endividar
Além da renegociação, algumas medidas ajudam a manter as finanças sob controle:
Organizar o orçamento
Mapear toda a renda e listar despesas fixas e variáveis permite identificar excessos e ajustar hábitos de consumo.
Usar ferramentas de controle
Planilhas ou aplicativos ajudam a acompanhar gastos e evitam decisões impulsivas.
Priorizar dívidas mais caras
Débitos com juros altos, como cartão de crédito e cheque especial, devem ser quitados primeiro para evitar o efeito “bola de neve”.
Pesquisar preços
Comparar valores antes de comprar pode gerar economia significativa no médio prazo.
Planejar gastos
Definir limites, fazer listas e revisar contratos de serviços ajudam a evitar desperdícios e abrir espaço no orçamento.
Dívida caduca x dívida prescrita
Entender a diferença entre esses conceitos é fundamental para evitar erros.
Quando uma dívida “caduca”, após cinco anos ela deixa de aparecer nos órgãos de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, e não afeta mais o score do consumidor. No entanto, isso não significa que ela deixou de existir.
“Mesmo após esse prazo, bancos podem ter acesso ao histórico e considerar esse comportamento na hora de conceder crédito”, explica El Khatib.
Já a dívida prescrita ocorre quando a empresa perde o direito de cobrá-la judicialmente por não ter acionado a Justiça dentro do prazo legal.
“Ou seja, a dívida deixa de ser exigível na Justiça, mas isso depende do tempo e das ações tomadas pelo credor”, conclui.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
