
A Oncoclínicas protocolou na segunda-feira (13/07), um pedido de recuperação extrajudicial (RE) para reestruturar dívidas financeiras quirografárias de cerca de R$ 5,1 bilhões. O objetivo, segundo a empresa, é criar um “ambiente jurídico estável, seguro e transparente” para negociar com os credores.
Segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia, até esta terça-feira (14), conta com adesão expressa ao plano de credores signatários detentores de aproximadamente 37% dos créditos. O percentual, de acordo com a empresa, é suficiente para o ajuizamento da recuperação extrajudicial e demonstra apoio relevante ao processo.
A Oncoclínicas disse ainda que tem prazo de 90 dias, a contar do processamento da RE, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do plano, com a vinculação de 100% dos créditos abrangidos aos novos termos.
A empresa informou que o plano pode envolver, “ainda que não necessariamente”, capitalização pelos acionistas, conversão de parte dos créditos em participação acionária, substituição de parte dos créditos por novas dívidas e alongamento do cronograma de amortização.
A Oncoclínicas afirmou que a RE não abrangerá obrigações operacionais correntes com clientes, fornecedores e parceiros e que elas continuarão a ser honradas “regular e tempestivamente” nos vencimentos. A companhia também disse que suas operações seguem conduzidas normalmente e que a RE não deve impactar adversamente as obrigações com os clientes.
No mesmo comunicado, a empresa informou que duas controladas rescindiram contratos de locação atípicos na modalidade “built-to-suit” (imóvel desenvolvido ou adaptado sob medida): a Centro Paulista de Oncologia rescindiu contrato relativo a imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo, com multa estimada em cerca de R$ 76 milhões, incluída na lista de créditos abrangidos; e a Cebrom rescindiu contrato relativo a um hospital pretendido em Goiânia, cuja multa ainda é incerta e ilíquida, segundo a companhia.
A Oncoclínicas disse que o pedido de RE foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e será submetido à ratificação de assembleia geral extraordinária, que ainda será convocada.
A gestora Latache, uma das principais acionistas da Oncoclínicas, entrou em disputa com o fundo americano Centaurus em torno do pedido para realização de uma oferta pública de ações (OPA) da companhia após decisão contrária da área técnica da CVM. A negociação envolve uma cifra estimada em R$ 6 bilhões, cerca de dez vezes o valor de mercado da empresa hoje na B3 (R$ 502 milhões). A dívida do grupo soma R$ 3,5 bilhões, o caixa está restrito e as ações caem 71% no ano.
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