
O prédio industrial do Moinho São Jorge, que tem várias pendências judiciais e que está em inatividade há quase duas décadas, tem um novo leilão previsto para o dia 8 de outubro. O prédio, na avenida dod Estados, é parte da história da cidade pois, além do espaço industrial, conta com um salão de festas luxuoso que, nos anos 70 foi palco de muitas festas que reuniram políticos e membros da alta sociedade paulista. O prédio ainda conta com algumas obras de arte que inclusive fazem parte do leilão. O proprietário do prédio, Jorge Chammas Neto, quer reativar a indústria, e diz que vai quitar o débito junto à prefeitura para evitar o leilão do prédio que tem mais de 100 mil metros quadrados de área construída.
O prédio industrial mais os galpões que estão no terreno e área pavimentada para caminhões de carga tem lance inicial de quase R$ 290 milhões. O site Leilão Judicial Eletrônico, aponta que a praça está aberta para lances, mas até o fechamento desta reportagem ainda não havia nenhum lance. Se o imóvel não for arrematado no dia 8 de outubro, uma nova tentativa de venda está prevista para o dia 28/10 quando o Moinho São Jorge poderá ser arrematado por cerca de R$ 145 milhões, ou seja, metade do preço inicial. Essa é mais uma tentativa de leiloar o imóvel por conta de dívidas judiciais. No caso são dívidas de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
O procurador de Chammas Neto, o advogado Leonardo Dias Batista, não informou o valor que envolve esse pedido de leilão do prédio, mas disse que a empresa vai pagar para evitar perder o imóvel. “A empresa está envidando todos os esforços para pagar esse débito com a municipalidade porque quer voltar a operar e gerar empregos na cidade. A empresa vai pagar para evitar o leilão”, destacou. Há cerca de um ano o Moinho São Jorge depositou judicialmente R$ 244.500,00 de outra dívida de IPTU e mais R$ 7.980,00 de custas processuais e evitou outro leilão que venderia toda a propriedade.
Batista comentou que há um protocolo de intenção com a UFABC (Universidade Federal do ABC) para uso prédio para estudos. “Há um protocolo de intenções com a universidade e há intenção de colaboração para o uso do prédio”, destaca.
O vereador de Santo André, Ricardo Alvarez (PSol), o prédio do Moinho São Jorge tem uma grande importância histórica para a cidade. Segundo ele há um protocolo de tombamento que não avançou nas duas últimas gestões municipais. Para o parlamentar, a prefeitura poderia, em vez de solicitar o leilão para pagamento de dívidas, fazer a desapropriação do prédio. “Não tombaram o prédio, mas poderiam desapropriar, o leilão é a saída menos interessante para a cidade. Imagine aquilo tudo ser demolido para sair mais um conjunto de prédios, sendo que ao longo da Avenida dos Estados há outros imóveis. O protocolo com a UFABC é a saída mais interessante porque poderia preservar o patrimônio e ainda serviria para ampliar o curso na área de saúde da universidade que está precisando, seria um ganho para o município, para a Educação e o patrimônio estaria preservado. Há dívidas municipais, estaduais e federais, mas se tiver vontade política é possível fazer”, resume.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
