
Um paciente de Diadema aguarda há pouco mais de nove anos por atendimento ortopédico. A espera começou em 1º de setembro de 2017 e é a mais longa registrada atualmente pelo município. Ao todo, segundo levantamento da administração municipal, pouco mais de 2,3 mil pessoas estão na fila para avaliação de cirurgia ortopédica na cidade, com tempo médio de espera que chega a 55 meses, ou seja, quase cinco anos, para procedimentos de coluna.
A demora também é relatada por moradores que ainda aguardam uma consulta com especialista. É o caso de Isabel Moraes Lopes, 64 anos, moradora do bairro Taboão, em Diadema. Com fortes dores nas costas, ela conta que recebeu encaminhamento para um ortopedista, mas está há cerca nove meses esperando ser chamada. Nesse período, precisou recorrer a pronto-socorros e receber medicação para aliviar as dores.
Diante da demora, Isabel decidiu pagar uma consulta particular. O ortopedista solicitou uma tomografia, pela qual a paciente desembolsou R$ 240, e apontou problemas como hérnia, artrose e “bico de papagaio”. Também foi prescrita uma medicação manipulada, que custou outros R$ 250. Ao todo, foram cerca de R$ 500 em despesas médicas, valor que, segundo ela, pesou no orçamento.
“Eu estou sofrendo com dores muito fortes”, relata Isabel, que afirma não ter condições de arcar com novos exames particulares caso sejam solicitados. “Se me pedirem outros exames eu já não tenho como fazer. Precisei tirar dinheiro do meu Bolsa Família para conseguir fazer esses primeiros, mas agora não sei como manter o tratamento”, conta. A reclamante diz, ainda, que continua aguardando o chamado da rede pública para passar pelo ortopedista.
Fila para avaliação da coluna tem maior demanda
Segundo a Prefeitura de Diadema, os 2.384 pacientes que aguardam avaliação para cirurgia ortopédica estão distribuídos entre diferentes grupos de procedimentos. A maior fila é a de coluna, com 760 pacientes e espera média de 55 meses. Na sequência aparecem joelho, com 721 pacientes e espera média de 48 meses; ombro, com 560 e 49 meses; quadril, com 141 e 33 meses; mão, com 91 e três meses; ortopedia pediátrica, com 86 e 14 meses; e pé, com 25 pacientes e dois meses de espera.
O município afirma que cirurgias ortopédicas de média e alta complexidade dependem de serviços habilitados, com infraestrutura, profissionais, recursos tecnológicos e financiamento específico do SUS. A administração também aponta o envelhecimento da população e o aumento da prevalência de doenças crônicas e condições que demandam cirurgia como fatores que pressionam a capacidade de atendimento.
Para diminuir o tempo de espera, a prefeitura diz ter realizado mutirões e ações concentradas e que formaliza um novo acordo com o governo do Estado de São Paulo para fomentar a assistência especializada, incluindo a ortopedia geral.
Rio Grande da Serra concentra 335 pacientes que aguardam consultas
Em Rio Grande da Serra, são 335 pacientes aguardando consulta em ortopedia geral e outros 200 que esperam avaliação para cirurgia ortopédica. A maior demanda cirúrgica está relacionada aos procedimentos de joelho.
De acordo com a administração municipal, a espera média por consulta ambulatorial de ortopedia varia de dois a três meses. Já nos grupos cirúrgicos encaminhados para equipamentos estaduais, o tempo para avaliação com o cirurgião pode variar de 12 a 18 meses, conforme o procedimento.
O paciente que está há mais tempo na fila no município pertence ao grupo de cirurgia de ombro e aguarda desde janeiro de 2025.
Em Ribeirão Pires, a Prefeitura informou 4.635 solicitações relacionadas a consultas ortopédicas na rede municipal. Entre as principais demandas estão casos de dor nas costas, dor lombar, artrose de joelho, dor articular, dor nos membros, lesões no ombro, dor lombar com ciática e alterações nos discos intervertebrais.
Para cirurgias ortopédicas, há 1.010 solicitações registradas na CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), sistema de regulação gerido pelo Estado. Para isso, a administração municipal negocia com a Diretoria Regional de Saúde (DRS) a ampliação da oferta de consultas disponibilizadas pelo Estado. Também informou que monitora a demanda, faz a classificação dos casos conforme critérios clínicos e regulatórios e realiza reavaliações periódicas.
Santo André não informa o tamanho da fila
Em Santo André, a Prefeitura não informou o tamanho da fila de ortopedia. Segundo o município, o tempo de espera para consultas ambulatoriais e procedimentos ortopédicos de menor gravidade é de até 45 dias. As maiores demandas estão concentradas em procedimentos relacionados a joelho e quadril.
Nos casos urgentes e emergenciais, o atendimento é realizado imediatamente nas unidades municipais de pronto atendimento. A cidade possui seis unidades – UPAs Bangu, Jardim Santo André, Perimetral, Sacadura Cabral e Vila Luzita, além do PA Paranapiacaba. Já para casos de maior complexidade, a responsabilidade é do Estado.
Questionadas, as prefeituras de Mauá, São Bernardo e São Caetano não retornaram com informações até o fechamento da reportagem.
Fila de ortopedia também entra na pauta regional
A demora para conseguir atendimento ortopédico também foi discutida recentemente pelo Consórcio ABC. No último mês, os prefeitos da região se reuniram em Diadema para tratar da regionalização da ortopedia de alta complexidade.
Durante a Assembleia de Prefeitos, o Consórcio discutiu uma estratégia conjunta para ampliar a oferta de atendimento e enfrentar a demanda regional. A proposta é transformar as discussões em um projeto a ser apresentado ao Governo do Estado de São Paulo. Segundo o Consórcio, a iniciativa considera a demanda existente na região e a estrutura hospitalar disponível nos municípios.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
