
O período de janeiro a junho de 2026 foi o mais letal no trânsito do ABC para um primeiro semestre desde que as estatísticas de trânsito passaram a ser divulgadas mensalmente pela plataforma Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito), ligada ao DetranSP (Departamento Estadual de Trânsito). A região, que já tinha batido recorde no primeiro semestre de 2025 com 128 mortes, fechou os primeiro semestre deste ano com novo recorde, 136 óbitos. Os motociclistas continuam a liderar as fatalidades, porém com sensível redução. Outro ponto é que os 180 primeiros dias do ano tiveram mais mortes de pedestres que o mesmo período do ano passado.
A estatística para o segundo semestre deste ano pode apontar números ainda mais alarmantes pois casos de atropelamentos estão nos noticiários diariamente. Só nas últimas semanas o RD noticiou vários atropelamentos. Na segunda-feira (10/8) uma mulher foi atropelada por uma moto ao atravessar o corredor de ônibus na avenida Piraporinha, em São Bernardo. Foi socorrida e está hospitalizada. Antes, um adolescente foi atropelado no dia 7, na avenida Pereira Barreto, também em São Bernardo por outra moto; pedestre e motociclista precisaram de atendimento médico.
Em 3 de abril deste ano, um veículo desgovernado invadiu uma calçada no bairro Jardim Canhema, em Diadema, e atingiu dois irmãos de 5 e 10 anos de idade, que morreram no local. O motorista, que teria sinais de embriaguez, foi preso.
Ao considerar todos os primeiros semestres desde 2015, quando o Infosiga foi criado, nunca o ABC teve tantas mortes no trânsito. A série histórica começou com 124 óbitos e o total só baixou de 100 casos em 2018, quando foram 93 vítimas fatais, voltou a subir para 104 no primeiro semestre do ano seguinte, se manteve abaixo de uma centena de mortos nos primeiros seis meses dos dois anos seguintes, como 88 e 92, respectivamente, porém foi um período atípico por conta da pandemia da covid-19 que forçou o isolamento e menos pessoas circulavam nas ruas no período. Depois disso o número voltou a crescer e não parou mais, batendo o recorde nos seis meses iniciais do ano passado que foi superado este ano.
As mortes entre os condutores de veículos se mantiveram tanto no primeiro semestre de 2025 como neste ano, em torno de 59%. Os motociclistas mortos, considerando condutores e garupas, que foram exatamente metade dos óbitos no semestre inicial do ano passado, neste ano essas vítimas representaram menos do total de mortos, 44%.
As vítimas fatais que ocupavam automóveis, também aumentaram de 15% no primeiro semestre do ano passado para 17% este ano. A participação de pedestres no total de mortos no trânsito do ABC também subiu se comparados os dois primeiros semestres; a alta foi de dois pontos percentuais, passando de 27% para 29%. As vítimas fatais em bicicletas também aumentaram de 4% para 5%.
Quedas
Na análise dos seis meses iniciais deste ano São Bernardo se mantém com a cidade com maior número de vítimas, foram 56 óbitos. Como estradas estaduais respondem pelo maior volume de mortes no trânsito, a via Anchieta, a rodovia dos Imigrantes e o Rodoanel explicam parte desta liderança. Mesmo assim a cidade reduziu em 15,15% o número fatalidades se comparado com primeiro semestre do ano passado que teve dez mortes a mais. Quem também reduziu as mortes foi São Caetano, de três para dois óbitos (-33,33%).
Rio Grande da Serra foi o desta que positivo com redução de 100%; em seis meses iniciais de 2025 a cidade registrada cinco mortos em razão de acidentes de trânsito, no mesmo período desse ano, nenhum caso foi registrado. Santo André cravou exatamente o mesmo número de mortos do primeiro semestre do ano passado no comparativo com o mesmo período deste ano, foram 28 casos.
Altas
A maior alta no comparativo dos primeiros semestres ocorreu em Diadema. Na cidade foram 23 óbitos nas ruas e avenidas neste ano contra sete nos primeiros seis meses de 2025, uma alta de 228,6%. Também aumentaram as mortes no trânsito de Ribeirão Pires, de seis para 11 casos, alta de 83,33%, no comparativo dos primeiros semestres de 2025 e 2026. Outra cidade onde o trânsito fez mais mortes este ano foi Mauá, que chegou a 16 fatalidades, três a mais que nos semestre inicial de 2025, alta de 23,07%.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
