
A campanha Julho Neon reforça a conscientização sobre a saúde bucal e a importância da prevenção de doenças odontológicas. Na rede pública do ABC, a conclusão de procedimentos, como a extração de dentes, pode levar meses em razão das diferentes etapas do tratamento e do intervalo entre consultas e exames.
Levantamento feito pelo RD mostra que Ribeirão Pires, Diadema e Santo André verificou que não tem registro de fila de espera para atendimento odontológico na rede pública. Juntas, as três cidades realizam em média 15.870 atendimentos odontológicos por mês. Já São Bernardo, Mauá, São Caetano e Rio Grande da Serra foram procuradas, mas não responderam aos questionamentos da reportagem.
Na Atenção Primária, realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), são ofertados procedimentos mais simples, como limpeza, restauração e tratamento gengival, além de atendimentos de urgência, como dor, traumas e abscessos. Nessa etapa inicial, o atendimento ocorre em prazo considerado adequado, de acordo com as prefeituras.
Já nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) são realizados os tratamentos mais complexos, como endodontia (canal), periodontia (gengiva), cirurgia oral menor, estomatologia, atendimento a pacientes especiais e prótese dentária. É nessa fase, que exige mais etapas, exames e retorno entre consultas, que o tempo de conclusão dos tratamentos pode se estender por meses.
Etapas do tratamento
A espera pelo atendimento na rede pública levou a auxiliar administrativa Patrícia Ferreira a recorrer ao serviço particular para aliviar uma dor intensa causada por um dos dentes do siso. Ao RD, a moradora de São Bernardo conta que procurou uma Unidade Básica de Saúde (UBS), mas foi informada de que precisaria passar por diversas etapas antes da extração. “Na UBS fui informada que eu teria que marcar um dia para passar com o dentista, para o especialista avaliar a necessidade de extrair o dente, depois aguardar ser chamada para fazer a panorâmica e, só então, agendar a retirada do siso”, relatou.
Sem conseguir nem comer devido à dor, Patrícia decidiu recorrer ao atendimento particular. “Paguei R$ 400 pela extração, gasto que impactou o orçamento da família”, disse.
Após a extração particular, a munícipe retornou à UBS para dar continuidade ao tratamento dos outros sisos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Passei com o dentista, que disse que iria pedir a panorâmica. Minha sorte é que eu já tinha o exame porque tirei o aparelho ortodôntico há pouco tempo, então já fui caminhada diretamente para o Centro de Especialidades Odontológicas”, conta.
Pouco mais de um mês depois, Patrícia foi chamada para realizar a extração de outro siso. No entanto, o procedimento não ocorreu como a munícipe esperava. “Nessa mesma época, um dos sisos me causava muita dor. No dia a dentista disse que não tiraria o dente que me incomodava porque o procedimento levaria mais tempo e, naquele dia, havia um mutirão. No final, a odontologista retirou um dente que não tinha tanta urgência”, afirma.
Para Patrícia, o modelo adotado pelo serviço público prolonga desnecessariamente o tratamento. “Na verdade, acho que deveriam fazer todas as extrações de uma vez ou, pelo menos, retirar dois dentes por procedimento. Retiram um e marcam a próxima extração para o mês seguinte. Com isso, o paciente precisa tomar mais antibióticos, perde mais tempo, gasta mais com passagens e enfrenta um tratamento mais demorado”, relata.
Sinais de alerta
Ao RD, a cirurgiã-dentista Yasmin Freitas explica que, em algumas situações, se possível o paciente não deve esperar pelo agendamento e precisa buscar atendimento imediato. “Em casos de edema, presença de pus, calor, rubor e fratura, se não tratado rapidamente, o quadro pode evoluir para algo mais grave”, afirma.
Os problemas que mais se agravam com a demora no tratamento são cáries, doenças gengivais como gengivite e periodontite, infecções de origem dentária e inflamações relacionadas ao dente do siso. “Sem tratamento, esses casos podem evoluir para a perda do dente, perda de tecido ósseo e formação de abscessos”, destaca .
Yasmin destaca ainda que a saúde bucal não deve ser vista apenas pelo aspecto estético, mas tratada com seriedade. Uma cárie, que pode parecer simples, quando não tratada precocemente pode evoluir para a necessidade de tratamento de canal ou até extração. “Se não for tratado, pode gerar também abscesso e até celulite facial”, alerta.
Nos casos mais avançados, infecções podem se espalhar pelos tecidos e atingir outras regiões do organismo, o que aumenta o risco de complicações mais graves, como infecção generalizada.
Universidades oferecem atendimento
Além da rede pública, moradores do ABC encontram alternativas nas clínicas-escola de instituições de ensino superior, que funcionam como complemento ao SUS e ampliam o acesso a procedimentos odontológicos. Entre os serviços oferecidos estão limpeza, restauração, tratamento periodontal e próteses.
A USCS (Universidade Municipal de São Caetano) mantém uma clínica integrada onde alunos realizam atendimentos supervisionados, após triagem. O agendamento ocorre conforme abertura de vagas divulgadas pela instituição em https://uscs.edu.br/.
Já quem busca atendimento em São Bernardo pode recorrer à clínica odontológica da Universidade Metodista de São Paulo. O serviço é realizado por estudantes em fase final da graduação, com acompanhamento de professores. Em alguns casos há cobrança reduzida, ligada a custos de material. O contato pode ser feito pelo telefone (11) 4366-5000 ou pelo site www.metodista.br.
No caso do Centro Universitário Fundação Santo André, o acesso passa por uma triagem inicial que direciona os pacientes conforme a necessidade de tratamento. A clínica-escola oferece desde procedimentos básicos até atendimentos especializados. Interessados podem buscar informações pelo telefone (11) 4979-3300 ou no site (https://www2.fsa.br/home/).
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
