
Uma mulher de 60 anos, apontada como responsável por um canil clandestino, foi presa nesta quinta-feira (25/06), na Via Tangará, em Rio Grande da Serra. A operação resultou no resgate de 65 cães e gatos mantidos em condições insalubres e revelou uma série de irregularidades, entre elas o uso de medicamentos vencidos para induzir partos e a aplicação de ocitocina sem acompanhamento veterinário.
Em nota enviada ao RD, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que a suspeita mantinha 47 cães e 18 gatos sem abrigo adequado contra o frio e a umidade. Além disso, medicamentos vencidos eram armazenados de forma irregular no imóvel.
O caso foi registrado pela Delegacia de Investigações contra Crimes contra o Meio Ambiente (DICMA), de Santo André, como prática de ato de abuso contra animais.
Local funcionava como criadouro
O médico-veterinário e vereador de São Bernardo, Evandro Rosa, que acompanhou toda a operação, explicou ao RD que a investigação começou após a denúncia de uma pessoa que havia comprado um filhote no local.
“O filhote veio doente. Após procurar a responsável pelo canil, a compradora constatou as condições em que os animais eram mantidos. Formalizamos a denúncia junto à Delegacia do Meio Ambiente e fomos até o imóvel realizar a vistoria”, relatou.
Segundo o vereador, o espaço era utilizado exclusivamente para reprodução de cães e gatos, sem qualquer estrutura adequada para garantir o bem-estar dos animais.
“Os animais viviam em condições precárias e o canil funcionava apenas como um criadouro”, afirma.
Durante a fiscalização, as equipes encontraram cães e gatos confinados em meio ao acúmulo de fezes e urina, em um ambiente insalubre, com graves problemas sanitários e incompatível com os padrões mínimos de bem-estar animal.
Uso indevido de ocitocina pode ser fatal
Outro ponto que chamou a atenção da equipe foi o relato da responsável pelo imóvel. Segundo Evandro Rosa, ela afirmou que aplicava, por conta própria, injeções de ocitocina nas fêmeas e disse atuar na criação de cães há mais de 28 anos.
Para o veterinário, no entanto, a experiência não justifica a administração de medicamentos sem indicação técnica.
“Isso não dá o direito de aplicar uma medicação. O uso indevido da ocitocina pode levar à morte da fêmea”, alertou.
Ao RD, a pneumologista veterinária Larissa Azevedo explicou que a ocitocina é um hormônio utilizado para induzir o parto e que sua aplicação exige avaliação clínica criteriosa.
“A fêmea precisa passar por acompanhamento veterinário e realizar exames para verificar, por exemplo, se há alterações nos níveis de cálcio, o número de filhotes da gestação e se realmente existe indicação para o uso do medicamento. Somente após essa avaliação é possível decidir se a ocitocina deve ou não ser administrada”, explica.
Além disso, a fiscalização encontrou um ambulatório improvisado no imóvel. Segundo as equipes, medicamentos vencidos eram utilizados para induzir partos nas fêmeas. Nenhum documento sanitário foi apresentado durante a operação, e também não foram localizadas carteiras de vacinação nem laudos médico-veterinários dos animais.
ONG recebe doações
Os 65 cães resgatados foram encaminhados à ONG Focinhos Carentes, que está arrecadando doações para auxiliar nos cuidados com os animais. A entidade recebe ração, caminhas e cobertores.
Também é possível contribuir por meio de Pix, utilizando a chave (11) 98134-1283. Mais informações sobre as doações e o trabalho da ONG podem ser obtidas pelo Instagram, no perfil @ongfocinhoscarentes.
(Vídeo: reprodução/Instagram/@drevandrorosa)
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
