A Represa Billings completa 101 anos nesta sexta-feira (27/03) ainda marcada por problemas históricos. Apesar de décadas de estudos, pesquisas e alertas ambientais, o reservatório continua a enfrentar poluição, lançamento irregular de esgoto, descarte de resíduos e ocupações em áreas de mananciais.
Em entrevista ao RDtv, a bióloga Marta Marcondes, coordenadora do projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, afirma que a situação é complexa e envolve múltiplos fatores. “Infelizmente, não se trata de um problema específico. São vários aspectos que colocam o reservatório em risco”, explica.
Segundo a pesquisadora, embora haja monitoramento constante e produção de dados técnicos, as respostas do poder público não acompanham o ritmo da degradação. “A gente produz dados, faz monitoramento, mas as ações não acontecem na mesma velocidade. A degradação avança mais rápido do que as medidas de preservação”, afirma.
Um dos principais entraves, de acordo com Marta, é o descumprimento da legislação ambiental que protege a Billings. “A lei específica é desrespeitada. Há áreas que não poderiam receber esgoto sem tratamento, mas isso acontece, inclusive em locais onde seria totalmente proibido”, diz.
Qualidade da água preocupa
Outro ponto crítico é a falta de controle sobre a carga de poluentes lançados pelos municípios. “Não há controle adequado da quantidade de fósforo despejada, como a legislação determina, e isso impacta diretamente a qualidade da água”, destaca.
A pesquisadora também chama atenção para a redução das áreas de proteção. “Em vez de recuperação, o que vemos é a diminuição das áreas de mananciais ao longo dos anos”, afirma.
Durante os monitoramentos, a equipe também identificou a presença de resíduos e esgoto em afluentes do reservatório. Para Marta, o problema está ligado à ausência de fiscalização efetiva. “Se houvesse fiscalização adequada, não teríamos esse volume de entulho e esgoto. Falta fiscalização e punição”, reforça.
Alerta ambiental
Em algumas regiões, especialmente próximas à capital, a qualidade da água já se aproxima da registrada em rios urbanos altamente poluídos, como o Rio Pinheiros e o Rio Tietê. “Há presença de bactérias e metais pesados”, alerta.
Apesar disso, ainda existem pontos com melhor qualidade, mas que, segundo a pesquisadora, correm risco de degradação caso não haja intervenção.
Outro fator de preocupação é a perda de capacidade do reservatório ao longo dos anos. “Já comprovamos que a Billings perdeu capacidade em algumas áreas por causa do acúmulo de sedimentos e da poluição”, completa. Assista a entrevista completa!
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
