ABC - sábado , 20 de junho de 2026

Sem depoimento de Auricchio, CPI da Dívida entra na fase de relatoria

Parra focará nos documentos enviados pelo Poder Executivo e que também foram alvo de auditoria externa (Foto: Divulgação)

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Dívida, na Câmara de São Caetano, entra em sua reta final. Após período de recesso e ainda sem o depoimento do ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD), os trabalhos de relatoria serão encaminhados pelo vereador e relator Edison Parra (Podemos). A ideia é usar as mais de 30 mil páginas de documentos para finalizar os trabalhos.

“Agora começa o momento mais importante da CPI, que é transformar milhares de páginas de documentos oficiais em um relatório contundente, objetivo e bem fundamentado”, afirmou Parra em comunicado divulgado nesta sexta-feira (16/01).

A reta final dos trabalhos da Comissão acontece após os não depoimentos de Auricchio e da ex-secretária da Fazenda Stefânia Wludarski, que aconteceriam em dezembro do ano passado. Ambos não compareceram para dar sua versão sobre o aumento da dívida pública entre 2023 e 2024, momento em que teria ultrapassado a casa do R$ 1,1 bilhão.

“A CPI ofereceu a oportunidade de esclarecimentos. A ausência foi frustrante, pois tínhamos muitas questões formuladas sobre as decisões tomadas no último ano de governo do ex-prefeito”, ressaltou o relator.

Em agosto de 2025, período em que ainda se estimava a dívida em R$ 824,9 milhões, Auricchio apontou que que o valor em si comprometeria 34% do orçamento, abaixo da média da região, segundo seu levantamento pessoal. E que a principal causa do súbito aumento do valor devido foram os precatórios.

“Só de precatórios alimentares nós aumentamos R$ 200 milhões. Isso são demandas que vêm lá de 20, 30 anos atrás, discussões judiciais, que a Prefeitura chega na sua última instância na Justiça e tem que pagar.”, iniciou.

“De não alimentares, que são demandas de empresas contra a Prefeitura, contratos executados, também discussões de duas, três décadas, nós tivemos um aumento de R$ 236 milhões. Só aqui nós temos R$ 400 milhões, que é um problema que todas as grandes cidades estão enfrentando.”, continuou o ex-prefeito em entrevista ao RDtv.

Política

A concepção da CPI, com apoio de boa parte dos vereadores que fizeram parte da base aliada de Auricchio, criou um racha político na cidade, com direito a críticas diretas do atual prefeito Tite Campanella (PL) contra seu antecessor e amigo.

O ex-prefeito nunca escondeu a surpresa com o processo, principalmente pela forma rápida em que a proposta de instauração da CPI foi protocolada e aprovada pelo Legislativo.

“Mas, de qualquer maneira, você (repórter) falou aí da base de aliados que eram aliados nossos. Eu acho que a lealdade e a gratidão fazem parte do caráter das pessoas. Então, quando você tem esses dois valores embutidos, isso deixa claro o tipo de caráter que essas pessoas têm. Mas, de qualquer maneira, eu acho que é muito importante que a gente entenda do desarrazoado que é essa comissão. Não estou aqui julgando, muito menos tirando a legitimidade do poder legislativo, que é da sua constituição enquanto Estado democrático. Mas você tem que ter, de fato, aí um objeto muito claro, que não existe.”, comentou na entrevista.

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