
O Mapa da Desigualdade, realizado pela primeira vez na Região Metropolitana, coloca Rio Grande da Serra na primeira colocação dentre os 39 municípios pesquisados com a menor desigualdade no critério de pobreza, trabalho e renda. A pesquisa divulgada esta semana é um estudo inédito da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Cidades Sustentáveis e que reúne 40 indicadores de nove áreas temáticas. No índice geral as cidades do ABC também se destacam, com São Caetano na primeira posição. O território sancaetanense se destaca também em saúde o que leva os moradores da cidade a serem mais longevos; a idade média ao morrer no município é 76 anos a maior entre todas as 39 cidades pesquisadas.
Renda
Considerando somente o quesito econômico Rio Grande da Serra lidera com índice 0,39. Pelo critério da pesquisa o que tem menos desigualdade é o mais próximo de zero e o pior mais perto de 1. Nesta área Diadema aparece na quarta posição, com 0,43 e empatada com Cajamar, Ferraz de Vasconcelos e Poá. Mauá vem em quinto, com índice de 0,44 e também em empate com Franco da Rocha e Ribeirão Pires. Santo André surge na 13ª colocação com índice de 0,53 mesma pontuação de Osasco e Biritiba Mirim e São Caetano e São Bernardo pontuaram igual 0,54, o que as colocou as duas em 14° juntamente com Mogi das Cruzes.
PIB
Apesar da desigualdade ser menor em Rio Grande da Serra, não significa uma cidade mais rica, tampouco população com renda mais alta. O PIB (Produto Interno Bruto) versus população coloca Cajamar na liderança com PIB per capita de R$ 312.708,11. São Caetano é a melhor colocada do ABC na 4ª posição, com PIB per capita de R$ 136.147,10. São Bernardo vem e oitavo com R$ 88.766,77. Mauá, com produto interno bruto de R$ 59.773,04 por pessoa fica no 16° lugar. Diadema é a 19ª da região metropolitana nesse quesito com PIB de R$ 53.985,47 à frente de Santo André, com R$ 49.312,88. Ribeirão Pires vem em 25°, com PIB per capita de R$ 41.997,84 e Rio Grande da Serra é a última do ABC, na 33ª colocação com R$ 26.399,15, mas praticamente o dobro do PIB por pessoa do último colocado, que é Francisco Morado, com R$ 13.549,01.
Habitação
Quanto à habitação, Diadema e Mauá estão no pé da lista, em 31° e 33° lugares como as cidades com maior número de pessoas vivendo em favelas e habitações subnormais. O índice do território diademense é 22,35 e de Mauá de 27,55. Sete cidades dividem o primeiro lugar com índice zero de favelização. São Caetano divide esse lugar no pódio com Guararema, Juquitiba, Salesópolis, Santa Isabel, São Lourenço da Serra e Vargem Grande Paulista.
Ribeirão Pires vem em nono lugar e a segunda melhor colocação das cidades do ABC e índice de 4,05. Rio Grande da Serra com nota de 11,76 fica em 18°, duas posições acima de Santo André que tem índice de 13,25. E São Bernardo fica em 29° com 19,52. A nota média das 39 cidades é nove, portanto só São Caetano e Ribeirão Pires superaram a média metropolitana, o que coloca a maior parte da região com grandes núcleos de favelas.
Para a professora de arquitetura e urbanismo da UFABC (Universidade Federal do ABC), Silvana Maria Zioni, que tem especialização em planejamento e gestão urbana, o Mapa da Desigualdade revela muito do que já se sabia sobre o desenvolvimento econômico e social da região. “O mapa reflete o conjunto da sociedade, a nossa metrópole foi feita com base nessa desigualdade e com baixo investimento em infraestrutura. As questões sociais se agravaram com a transição industrial no ABC, mas São Caetano conseguiu se encapsular dessa realidade, com segmentos com renda mais alta e porque não é mais o operário da indústria que mora lá”.
Sobre a favelização a professora da UFABC avalia que a construção e o crescimento da região forçou os trabalhadores com menor erenda a irem viver em bolsões de pobreza. “O desenvolvimento obrigou o trabalhador a morar em favelas, o Montanhão, em São Bernardo é um exemplo disso”, aponta.
Mobilidade
O Mapa da Desigualdade aponta que a mobilidade é um dos maiores desafios do ABC e que o trabalhadores mais pobres se cansam mais para ir e voltar do trabalho levando mais de uma hora no trajeto. Os pesquisadores analisaram os trabalhadores com renda per cápita familiar de até meio salário mínimo que levam mais de uma hora para chegarem ao trabalho e a cidade melhor colocada do ABC foi São Caetano apenas na sétima posição com nota atribuída de 11,84. Santo André vem em 14° com 18,60; Diadema em 16°, e índice de 19,56; Ribeirão Pires em 18° e índice de 20,93, colada em São Bernardo com nota de 22,11. As piores colocações da região, ou seja, onde mais trabalhadores desta faixa de renda levam mais de uma hora no deslocamento entre casa e o trabalho, ficam Mauá, em 29° lugar e nota de 29,96 e Rio Grande da Serra, em 31° e nota de 31,03.
O desafio da mobilidade também pode ser visto no índice de mortes no trânsito por 100 mil habitantes. São Lourenço da Serra é primeiro lugar com zero mortes no ano de referência da pesquisa, DataSus de 2023. Com índice de 4,83 São Caetano é a melhor do ABC e a 5ª na região metropolitana. Ribeirão Pires aparece em sétimo (índice de 5,19); Santo André em 8° (5,47); Diadema é 11° (7,12); Mauá em 13° (7,41); São Bernardo em 20° (9,74) e Rio Grande da Serra é a que teve pior índice de mortes no trânsito no ABC a cada grupo de 100 mil pessoas, com 11,32 de índice e ocupando a 31° colocação de 39. O índice no entanto é menos de um terço da pior colocada, Salesópolis, 39,47.
Saneamento
Um dos quesitos na área de saúde analisados no Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana é o de saneamento e nesta área o número de internações hospitalares ocorridas em consequência de doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado e o índice é calculado, por 100 mil habitantes.
Nesta análise, São Bernardo fica como a segunda cidade melhor avaliada na Região Metropolitana, com índice de 23,80 casos por cem mil habitantes. Bem perto dela vem Rio Grande da Serra na terceira posição e índice de 24,27. Ribeirão Pires fica na quinta posição e índice de 35,33. Outras duas cidades do ABC ficaram entre as 10 melhores; Santo André em oitavo lugar com 43,92 casos por 100 mil habitantes e Mauá que aparece com índice de 44,95 o que lhe garantiu a a nona posição.
No meio da classificação dentre as 39 cidades aparece Diadema, com índice de 80,17 e posição 22. A surpresa é São Caetano na última posição dentre as cidades do ABC e uma das últimas também na região Metropolitana. A cidade teve 132,47 internações por doenças relacionadas ao saneamento em 2024, ano base da pesquisa DataSUS usada no Mapa da Desigualdade, o que lhe colocou na 34ª posição de 39.
Longevidade
Outra análise feita pelo Mapa da Desigualdade foi a de longevidade, ou seja, idade ao morrer onde São Caetano lidera com folga entre todas as 39 cidades que integram a pesquisa. No município a idade média dos óbitos a cada ano é de 76,20 segundo o levantamento. O segundo lugar é de Santo André, mas com uma idade média bem menor, de 71,17.
Ribeirão Pires ocupa o quarto lugar, com idade média ao morrer de 69,58 anos, seguida por São Bernardo com 69,19. Ro Grande da Serra aparece em 11° com idade média de 67,27. Mauá é 19° com 66,06 e Diadema é a pior colocada do ABC, na 25 colocação por conta da idade média ao morrer de 64,89 anos.
Regionalidade
Para a urbanista Silvana Maria Zioni a desigualdade que coloca cidades da mesma região em posições tão diferentes dificilmente poderia ser solucionada em soluções conjuntas, mesmo sendo o ABC pioneiro na defesa da regionalidade com o Consórcio Intermunicipal. “O consórcio tem uma capacidade limitada, pode atuar em questões de governança e de alguns recursos, mas não tem capacidade para resolver essas questões estruturais”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
