Depois da ascensão nas urnas, PSL já enfrenta disputa interna; pivô foi entrevista ao RDtv

O vertiginoso crescimento do PSL, de partido nanico, a um dos mais representativos do país, com 52 deputados federais e elegendo o presidente Jair Bolsonaro, já começa a causar problemas internos, há dois meses do início dos mandatos. Entrevista do deputado federal eleito, Júnior Bozzella juntamente com o vereador de São Bernardo, Rafael Demarchi (PRB), ao RDtv, desta quarta-feira (31/10) já causou mal estar entre os comandantes do partido e a situação vai ser resolvida no âmbito estadual da sigla.

Ao falar sobre convite feito a Demarchi para ingressar no partido, Bozzella deu pistas de que trabalharia seu nome para uma futura candidatura a prefeito em 2.020. Lembrando que o irmão de Rafael, Vinícius, já é filiado ao PSL. “Rafael só não é deputado estadual porque não quis. Teria legenda, estaria eleito porque o PSL distribuiu vaga. Mas Deus prepara tudo na hora certa, quem sabe pode ser nosso prefeito”, apontou o deputado eleito e integrante da executiva nacional do PSL, durante a entrevista ao RDtv.

A declaração foi mal recebida pelo deputado estadual eleito, coronel Paulo Nishikawa, que evocou o estatuto do partido para criticar Bozzella. “Cansei de chamar o Rafael Demarchi para conversar, porém nunca veio falar comigo. O artigo 99 do estatuto (do PSL) prevê que quem é eleito em uma determinada região tem como responsabilidade de ser articulador. Sou o único representante eleito do PSL na região”, alfinetou o coronel.

Júnior Bozzella disse que o partido ainda está se organizando e recebendo muitas pessoas de outras legendas

Em vários momentos da entrevista, Bozzella relata que o partido tem a intenção de lançar candidatos a prefeito em tantas cidades quanto for possível e por vezes apontou para Rafael. “O Rafael representa bem aquilo que nós defendemos. No ABC o partido pretende formar o cinturão verde e amarelo. Essa é linha de trabalho para que as pessoas de bem, que querem participar desse projeto de mudança de nação, mas o PSL não pode servir para oportunistas, temos que estar sempre fazendo uma faxina” disse o deputado que é de São Vicente, onde foi vereador e disputou a prefeitura em 2016, então pelo PSDB.

Coronel Nishikawa foi o único candidato do ABC eleito pelo PSL. (Foto: Victor Oliveira)

Por sua vez, Demarchi se mostrou alinhado com os princípios do PSL, porém não relatou em nenhum momento que pretende deixar o PRB, apenas salientou que o irmão Vinícius, já se filiou. “Surgiu o Jair Bolsonaro, que defendia as bandeiras que defendemos em São Bernardo; contra ideologia de gênero, contra o aborto e com escola sem partido. É esse candidato que eu quero seguir, aí conheci o Bozzella, que tem me orientado. Quero estar num partido que defende os valores de família, para mudarmos o estado”, disse o vereador.

Júnior Bozzella disse que o partido ainda está se organizando e recebendo muitas pessoas de outras legendas. “PSL vai passar por um processo de amadurecimento, era um partido que ninguém queria, agora todo mundo quer vir, não precisa nem convidar”, disse ao detalhar os planos já para 2020. “O partido passa a ser protagonista eleitoral, no maior número de cidades possíveis vai ter candidatura a prefeito ou a vice. Vamos trabalhar ao máximo para isso. Creio que o Major Olímpio – senador eleito pela sigla e presidente estadual do partido –  esteja fazendo suas avaliações. Ninguém é dono de nada, é meritocracia”.

Neste ponto, ao menos, Bozzella e Nishikawa convergem. “Com certeza o PSL deverá se articular para lançar vereadores e prefeitos da região”, disse o coronel, que é de São Bernardo.

A questão foi parar na executiva estadual do partido. Nishikawa levou ao conhecimento da instância superior a situação pois considera que o estatuto foi desrespeitado. “Não sei o que vai dar, mas tenho livre trânsito na assessoria do Jair (Bolsonaro) se preciso vou falar com ele, pois está no estatuto que quem tem mandato na região é que fala por ela, como eu sou o único eleito pela região, me acho responsável. Aí vem, sem eu saber, pessoas de fora falar. Se é uma articulação que vem de cima – das executivas nacional e estadual – tudo bem, senão tem que passar por nós. Não me senti ofendido, mas tem que ter ética”, criticou.

Sobre Demarchi, o deputado estadual eleito, disse que tentou falar com ele várias vezes para trazê-lo para o partido. “Ele trabalhou para a Carla Morando (PSDB) de São Bernardo, se viesse com a gente poderia ter composto”, concluiu.

O presidente da executiva estadual e senador eleito, Major Olímpio, disse que ainda não foi informado sobre o corrido no ABC. “Eu não sei do que se trata. Nenhum dos dois trouxe qualquer fato a meu conhecimento como presidente estadual”, resumiu.

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