
A região está discutindo, dentro do plano regional de mobilidade formas de fazer fluir o transporte de cargas, sem causar gargalos no trânsito da região. As cidades estão discutindo, no Consórcio Intermunicipal, a padronização da sinalização para vias restritas aos veículos de carga e até ampliar a mancha viária onde esses veículos estão proibidos de passar.
O Consórcio Intermunicipal informou que a circulação de veículos de carga está em discussão no âmbito do GT (Grupo de Trabalho) Mobilidade, que reúne representantes técnicos dos sete municípios, e diz que o objetivo é buscar uma regulamentação regional para o assunto. “O tema será aprofundado nas próximas reuniões do grupo, considerando a necessidade de uma abordagem regional para questões como regulamentação da circulação de caminhões, definição de horários e restrições em determinadas áreas, especialmente para veículos de passagem que utilizam as vias municipais e podem gerar impactos à mobilidade e à segurança viária. A discussão também deverá considerar as características econômicas do ABC, incluindo a presença de polos industriais, centros logísticos e diferentes perfis de transporte de cargas. A articulação com os setores envolvidos poderá contribuir para a construção de soluções que conciliem a circulação de mercadorias com a segurança e a fluidez do trânsito”, diz o colegiado de prefeitos, em nota. O Consórcio não tem ainda uma previsão de quando esse tema será concluído.
Diadema
Em Diadema hoje são 15 ruas em que o tráfego de caminhões pesados é proibido a maioria está no Centro da cidade e são: rua São Manoel, rua Santo Antônio, rua São Francisco de Assis, rua São Joaquim, rua São Jorge, avenida São José, rua Arthur Sampaio Moreira, rua Izaurino Lopes da Silva, rua São Judas Tadeu, avenida Nossa Senhora das Vitórias e avenida Santa Maria. Também há ruas onde os caminhões não podem passar no bairro Eldorado (avenida Nossa Senhora dos Navegantes, avenida Frei Ambrósio de Oliveira Luz e rua João Antônio de Araújo) e também no bairro de Piraporinha (avenida Fukuichi Nakata). O período de restrição vigora de segunda a sexta-feira, das 6h às 20h, e aos sábados, das 6h às 14h. Fora desses intervalos, o tráfego é permitido, respeitada a sinalização local.
A administração diademense diz que está em estudo a ampliação do perímetro de restrição com a inclusão de novas vias. “Por depender de estudos de impacto na matriz de origem e destino de cargas, bem como de simulações de fluxo, ainda não há um cronograma definido ou lista de vias estabelecida para novas restrições”, diz a prefeitura que acrescenta que as vias restritas a caminhões estão sinalizadas.
As vias de Diadema que sofrem mais com o volume grande de caminhões estão em eixos intermunicipais, como a avenida Fábio Eduardo Ramos Esquível, o Corredor ABD, as avenidas Piraporinha, Presidente Kennedy e Alda. Por essa característica o município considera que as decisões sobre restrição devem passar pelo Consórcio Intermunicipal. “A articulação regional promovida pelo Consórcio é premissa fundamental para que as restrições locais não gerem externalidades negativas ou sobrecarreguem as malhas viárias dos municípios limítrofes. Dado que o fluxo de carga pesada na região possui caráter eminentemente intermunicipal — interligando polos fabris a grandes eixos como o Corredor ABD e o Sistema Anchieta-Imigrantes —, as discussões coletivas visam à padronização de restrições e à integração da sinalização. Essa governança macro regional garante que o planejamento de Diadema dialogue de forma harmônica com os planos de mobilidade de São Bernardo, Santo André e São Caetano, estruturando corredores logísticos integrados que preservem os núcleos urbanos e mantenham a eficiência do abastecimento”, diz a prefeitura, que não informou uma estimativa de quantos caminhões circulam pela cidade todos os dias.
Santo André
A prefeitura de Santo André estima que entre 55 mil e 58 mil veículos de carga circulem pelo município diariamente. O município informa em nota que a restrição para veículos de carga podem ser consultadas no SIGA Mapa – Sistema de Informações Geográficas Andreense e na plataforma do Observatório de Mobilidade. As restrições podem ser totais ou parciais, conforme a regulamentação de cada via, incluindo horários e condições estabelecidos pela sinalização e pela legislação municipal. A prefeitura mantém parceria com o Waze, compartilhando informações sobre as restrições existentes para contribuir com a atualização das rotas indicadas aos motoristas.
O paço de Santo André diz que está em processo de padronização de procedimentos relacionados à restrição de caminhões. “O município está em fase de implantação da Normativa nº 3, que padroniza os procedimentos relacionados às restrições à circulação de veículos de carga, regulamenta autorizações especiais e estabelece normas para fiscalização, monitoramento e gestão eletrônica do transporte de cargas. A implantação contará também com ações educativas e divulgação na mídia. O município também acompanha as discussões no âmbito do Consórcio Intermunicipal, avaliando os impactos regionais da circulação de cargas e possíveis medidas integradas entre as cidades”.
Ribeirão Pires tem 13 vias restritas ao tráfego de caminhões, são elas: avenida Kaethe Richers, sentido Centro, a partir do primeiro retorno após o portal turístico; rua Ângelo Maziero; rua Afonso Zampol; rua Batista Lion; rua Presidente Kennedy; travessa Gilberto Pereira de Figueiredo; avenida Fortuna; rua José Elias Chiedde; rua Giácomo Sortino; avenida Francisco Monteiro, do nº 995 ao início; rua João Domingues de Oliveira; rua Boa Vista; rua Miguel Prisco, entre os nº 30 e 288. “Além dessas restrições, em abril de 2026 foi implantada alteração de circulação em trecho da Avenida Prefeito Valdírio Prisco, após a Rua Santo Bertoldo, passando a operar em sentido único, medida que também restringiu o acesso de caminhões de grande porte naquele trecho”, diz a prefeitura, que informa também que não tem planos para aumentar a zona restrita a caminhões.
Para auxiliar os motoristas Ribeirão Pires adotou iniciativas voltadas à integração de informações viárias com plataformas de navegação, como Waze, especialmente quanto às restrições de altura e largura existentes em pontes, viadutos, portais e outros pontos da cidade. “Quanto às restrições específicas de circulação de caminhões, a atualização e ampliação dessas informações junto às plataformas poderão ser avaliadas pela Administração conforme a necessidade”, explica o município, em nota.
O paço ribeirãopirense considera a discussão regional é relevante, considerando que a circulação de veículos de carga ultrapassa os limites municipais. “Em 2026, o Consórcio Intermunicipal abriu processo para elaboração do novo Plano Regional de Mobilidade Urbana, contemplando os sete municípios da região. Os estudos regionais poderão fornecer subsídios técnicos ao planejamento municipal, inclusive para avaliação de corredores e rotas mais adequados ao tráfego de veículos de carga.
Em Ribeirão Pires , segundo a prefeitura há presença mais significativa de veículos de carga na avenida Ernesto Menato, especialmente por sua função de ligação e acesso ao sistema rodoviário, e também a avenida Prefeito Valdírio Prisco, em razão do fluxo veicular e das atividades comerciais existentes na região. Em abril de 2026, foi realizada alteração de circulação em trecho da avenida com o objetivo de melhorar a fluidez e a segurança viária, medida que também restringiu o acesso de caminhões de grande porte naquele ponto.
As demais cidades não comentaram o assunto.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
