
O número de roubos de celular caiu na região do ano passado para cá, no comparativo dos primeiros semestres. De janeiro a junho do ano passado foram subtraídos no ABC 9.194 aparelhos de telefone móvel, sendo que até junho deste ano foram 6.547 crimes de roubo e furto, uma queda de 28,6%, mas ainda assim é o tipo de crime patrimonial mais frequente sendo que um celular é roubado ou furtado a cada 40 minutos. Especialistas em segurança, ouvidos pelo RD apontam que falta investigação para quebrar a cadeia de negócios do roubo, furto e receptação de celulares.
Para o coronel da reserva da Polícia Militar, ex-secretário Nacional de Segurança Pública e consultor nesta área, José Vicente da Silva, falta investigação para tirar de circulação as quadrilhas organizadas que roubam e que receptam os aparelhos. “Precisaria de um plano integrado das polícias Militar e Civil. Cada localidade como o ABC, precisaria de um plano especial, porque o crime tem muita ligação com o local. Esse trabalho é 60% a 70% da Polícia Civil porque o celular é tomado e imediatamente levado a receptação, que por sua vez destina para quem vai comprar o celular. Esse é um trabalho mais de investigação, a PM fica nos pontos de maior incidência criminal, mas mesmo assim não é suficiente”, aponta.
O próprio coronel da reserva foi vítima dos bandidos. “Eu tive o desprazer de ser roubado; estava no meu carro na região do Glicério, na Capital, quando o sujeito quebrou o vidro do passageiro e pegou o celular da minha esposa que estava no painel. Tinha patrulhamento da PM nas duas esquinas, distante menos de 100 metros uma da outra e o sujeito estava roubando entre os policiais, portanto esse é um problema que precisa de planejamento próprio, assim como teve um planejamento na Cracolândia o celular também precisa de um planejamento deste tipo. Simplesmente fazer boletim de ocorrência e uma investigaçãozinha e a PM patrulhando em certos locais, não está dando certo”, analisa.

Outro pesquisador da área de segurança e também coronel da reserva da PM de São Paulo, Adilson Paes de Souza, igualmente considera que a organização do crime está vencendo o trabalho policial. “Esse é um tema que tem chamado a minha atenção. Vejo como uma linha de montagem de uma empresa, para usar uma metáfora de produção; nós temos várias pessoas praticando o roubo porque tem onde desembocar esse material que pode voltar ao mercado com aparelho negociado por inteiro ou em peças. Enquanto essa linha não for desmontada o crime vai acontecer e aí não adianta vir com redução da maioridade penal, ou aumentar a pena para o crime de roubo e furto, isso não vai resolver. O que vai resolver é quebrar o ciclo de impunidade que há nessa cadeia. Pode-se ver que as taxas de esclarecimento de crimes de roubos e furtos, como os de celulares, são muito baixas, ou seja, a impunidade é premiada quando o Estado não consegue prevenir o delito. Uma das formas de prevenir é investigar rapidamente, identificar os culpados em toda a cadeia e prendê-los”, aponta.
Para Souza o ponto falho da atuação policial está na investigação. “Não temos investigação, não se sabe se por incompetência, por falta de estrutura ou se tem agente público envolvido. Enquanto não tiver uma investigação eficiente e rápida os criminosos vão continuar sentindo a impunidade e mais estimulados a praticar o delito”, completa.
Bairro a bairro
Os centros das cidades e os bairros com maior movimentação de pessoas são os preferidos pelos criminosos.
Em Diadema foram 1.013 celulares subtraídos, sendo 307 furtados e 706 roubados este ano. Além do Centro, os bairros que mais aparecem na estatística oficial são a Vila Nogueira, a Vila Conceição e o bairro de Piraporinha.

Em Mauá, este ano foram 763 aparelhos levados por criminosos, sendo 326 furtados e 437 roubados. Matriz, Centro, Vila Magini, Vila Noêmia e Parque São Vicente são onde acontecem mais crimes.
Em Ribeirão Pires foram 136 aparelhos de telefonia móvel levados este ano foram 66 furtos e 69 roubos. Os bairros Centro, Centro Alto, Vila Gomes e Vila Monteiro são os mais frequentes na estatística oficial da polícia.
Rio Grande da Serra teve 20 celulares furtados e cinco roubados este ano, sendo que os bairros mais atingidos são: Centro, Vila Lavínia, Vila Arnoud e Jardim Esperança.
Em Santo André foram 2.455 aparelhos levados por bandidos, a cidade da região com maior número absoluto destes crimes. Só de furtos foram 1.005 boletins de ocorrência e 1.450 foram os roubos registrados. Centro, Vila Guiomar, Vila Gilda, Vila Luzita, Bairro Paraíso, Vila Palmares, Vila Bastos, Camilópolis e Vila Metalúrgica são os bairros mais citados nestas ocorrências.
São Bernardo teve esse ano 1.861 aparelhos levados por criminosos, sendo 745 furtados e 1.116 roubados. Os bairros Centro, Nova Petrópolis, Jardim do Mar, Rudge Ramos, Montanhão e Ferrazópolis são muito citados nas ocorrências.
São Caetano teve 294 aparelhos levados este ano, 230 foram furtados e 64 roubos foram registrados tendo o celular como objetivo dos bandidos. Os bairros Centro, Cerâmica, Nova Gerty, Cerâmica, Fundação, Jardim São Caetano e Santo Antônio aparecem mais nos boletins de ocorrência.
O que diz a Secretaria de Segurança Pública:
Em nota a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo destaca a redução do número de casos e atribui isso ao maior esclarecimento dos crimes: “As Polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate aos crimes patrimoniais em todo o Estado, incluindo a região do ABC. Em toda a região do Demacro, os roubos e furtos de celulares apresentaram redução de 17,6% no primeiro semestre deste ano, passando de 21.116 ocorrências em 2025 para 17.394 em 2026. No mesmo período, também houve queda de 20,5% nos roubos em geral e de 3,2% nos furtos. As ações policiais resultaram ainda na detenção de 16.728 infratores e na apreensão de 935 armas de fogo na região. O enfrentamento aos roubos e furtos de celulares foi intensificado por meio de operações de inteligência, investigação e policiamento ostensivo, com foco na identificação de autores, recuperação de aparelhos e combate aos receptadores. Desde 2023, mais de 85,2 mil celulares foram recuperados em todo o Estado por meio do conjunto de ações de combate a esses crimes, incluindo o programa SP Mobile, que auxilia na localização e devolução de aparelhos roubados ou furtados”, diz a pasta de segurança em seu comunicado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
