
No mês em que São Bernardo comemora 473 anos, a regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) considera que o município tem acertado em políticas públicas na área de desenvolvimento econômico, como a de planejamento da cidade para a infraestrutura de eletromobilidade. Para o diretor titular do Ciesp local, Jorge Alberto Corso, a medida foi acertada, porém ele considera que o município ainda precisa trabalhar mais propostas para garantir o crescimento da indústria gerando, consequentemente, mais empregos nas fábricas, que trazem melhores salários e maior volume de impostos.
“Vejo que a prefeitura acerta em trazer a eletromobilidade para a indústria de transformação, para que a cidade seja referência nesta área. Quando o mundo todo está começando a trocar a mobilidade por energia renovável essa é uma decisão assertiva. Não é a curto prazo que isso se tornará uma realidade, mas em dois anos, imagino que já se pode ter um caminho bem traçado”, diz Corso.
O diretor do Ciesp não se refere somente à indústria de automóveis, mas toda uma rede necessária para manter esses veículos. “Tem um mercado muito grande que pode ser explorado, nos cabos e wallbox para carregamento, tem mercado para a reposição ou segunda vida das baterias, tem um mercado grande de bicicletas e ciclomotores elétricos que em alguns lugares até já congestionam ciclovias, então há muita oportunidade”, analisa.
Corso, no entanto, diz que muitas indústrias continuam deixando a cidade, apesar de esforços no sentido contrário. Essas indústrias estão dando lugar a grandes galpões do setor de serviços como atacarejos. Nos próximos dias deve ser inaugurado mais um empreendimento deste tipo na avenida Piraporinha, no lugar onde antes funcionava uma fábrica. “São Bernardo continua tendo indústrias, apesar da desindustrialização do país. Temos contatos de empresas que se interessam em vir para cá, mas na média o movimento é negativo, saem mais do que entram. A cidade está se voltando mais para o setor de serviços. Vi um pronunciamento do prefeito (Marcelo Lima – Podemos) na sessão de aniversário da cidade, na Câmara, onde ele falou que a cidade hoje tem de tudo. Eu concordo com ele, tem de tudo, mas falta incentivo para a indústria, que gera empregos mais qualificados e melhores salários, enquanto que o setor de serviços gera empregos de menor remuneração. Substituir a indústria de transformação por serviços é uma informação ruim que pode nos levar a uma cidade dormitório”, aponta.
Carga de impostos elevada e uma indústria que não conseguiu acompanhar o mesmo ritmo da evolução tecnológica de outros países, fizeram o setor encolher nos últimos anos, segundo a avaliação de Corso. “Houve uma mudança muito grande no mundo quanto à tecnologia e a nossa indústria local não acompanhou. Temos excelentes instituições como o Senai e a FEI (Fundação Educacional Inaciana) que formam pessoal com a mais avançada tecnologia, mas as empresas da região não conseguiram absorver essa mão de obra altamente qualificada”, analisa.
Por outro lado há um desestímulo para o jovem seguir carreira na indústria por conta de possibilidades de renda sem vínculo empregatício. “No comitê de desenvolvimento que temos e que envolve o Ciesp e a prefeitura, o emprego industrial é prioridade. Temos o subcomitê que envolve a academia e discutimos a formação do colaborador do futuro”, conta.
Por fim o diretor titular do Ciesp de São Bernardo diz que a cidade tem muitas possibilidades de atrair investimentos. “São Bernardo é uma cidade gostosa de se viver, tem de tudo, em 20 minutos estamos na Serra do Mar, temos atributos naturais, a nossa Represa Billings, aqui dá para trabalhar e ter o lazer. O turismo é um setor que pode ser muito fomentado ainda, tanto o turismo de passeios como o de negócios”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
