A pré-candidata a deputada estadual Lair Moura (PL), defende que haja espaço para a educação especial, caso das Apaes (Associações de Pais e Amigos do Excepcional) e da Apraespi (Associação de Prevenção, Atendimento Especializado e Inclusão da Pessoa com Deficiência de Ribeirão Pires), entidade a qual preside, além da educação inclusiva aquela em que os alunos com deficiência estudam nas escolas das redes municipal e estadual ao lado de não deficientes. Atualmente a política pública é baseada na modalidade inclusiva, porém o Congresso deve discutir uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que pode afetar as entidades e deixar a educação inclusiva como única opção. Ela já se movimentou junto ao senador Sérgio Moro (PL) que propôs uma emenda aditiva. Além deste trabalho ela fez diversos outros beneficiando entidades. Se eleita, ela acredita que pode fazer mais.
No PL paulista, Lair é coordenadora da defesa das pessoas com deficiência. Ela explica como a PEC pode prejudicar as entidades e a importância da emenda que ela sugeriu e Moro propôs. “A filosofia petista de administração é a de que a criança não precisa de escola especializada, pode ter uma educação inclusiva. Em uma experiência de quase meio século, do trabalho no dia a dia, isso pode não dar certo porque as crianças com deficiência precisam de um atendimento especializado. Estamos falando dos filhos das donas Marias, porque os filhos das Marys, tem atendimento porque as mães podem pagar. Eu tenho brigado muito por isso; defendo a escola especializada, porque a criança que tem deficiência precisa de um atendimento da saúde concomitante. O Partido Liberal tem muito disso, de atender bem a pessoa com deficiência em todos os níveis”, detalha.
Segundo pré-candidata, se a PEC passar sem a emenda a educação especial não vai entrar nos planos de educação de estados e municípios. “Com a emenda, fica contemplada também a inclusiva, além da especial, e dá o direito à mãe de escolher”, diz a pré-candidata que já percorreu várias câmaras municipais em que obteve moção de apoio à emenda de Moro, entre as cidades estão Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Santo André e São Bernardo. Ela diz que falta conversar com São Caetano e que não teve retorno em Mauá.
“Se a PEC passa sem mudança, esquece a educação especial, vai ter só a inclusiva e os pais vão por os filhos na escola com mais de 30 alunos, ainda que coloquem educadora assistente não vai dar conta. Nossa luta é para que passe a emenda do Moro, aí vão continuar as Apaes e a Apraespi, que é o que dá certo”, continua a pré-candidata.
Lair alerta para candidatos que aparecem como defensores das famílias atípicas e não conhecem o assunto em profundidade. Para ela muitos vão se aproveitar do assunto que está “na moda”. Com uma vida dedicada à causa, Lair conta que o assunto é complexo, exige muito conhecimento e experiência. “Antes todos os candidatos falavam em ajudar as Apaes, agora falam que vão defender autismo, não se fala mais em paralisia cerebral e outras situações. O candidato que tem mais de 60 anos, que nunca fez nada nessa área, mas agora diz que vai fazer, é caso de estelionato eleitoral. Propor Casa do Autista como estão fazendo por aí virou moda, mas precisa ter infraestrutura, com terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogo e capacidade de atendimento pois a mãe quer que o filho seja atendido, mas não uma vez a cada quinze dias, quer todos os dias com o atendimento necessário e próximo da casa delas”, explica.

Lair cita o BPC (Benefício de Prestação Continuada) que hoje atende a mães com auxílio de um salário mínimo que ajuda das despesas de crianças autistas, uma conquista que teve sua participação. Ela cita que uma de suas propostas é também dar um colar para a mãe ter acesso ao transporte público. “Uma das grandes dificuldades é o transporte, hoje uma criança com autismo tem o transporte público gratuito, quando a mãe vai levar para a escola não paga a passagem, mas quando ela volta para casa, depois de deixar a criança na escola, tem que pagar. Então não basta colocar um colar de girassol na criança, a mãe precisa ter esse acesso a todos os lugares também. Isso já acontece em Santa Catarina”, exemplifica.
A pré-candidata, mesmo sem mandato, já conquistou recursos importantes para a causa da criança com deficiência, como a verba que as entidades recebem e também cita a conquista de um centro especializado para a região. Recentemente a Apraespi conseguiu a doação de um terreno de 30 mil metros quadrados em Suzano para a implantação de uma nova unidade da instituição, hoje presente em Ribeirão Pires, mas atendendo alunos de toda a região. “Como Lair eu consigo muita coisa, como deputada a gente abre muitas portas. Quero trazer muito recurso para o ABC, principalmente para Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra”, destaca.
Nardini
Lair Moura diz que o hospital Nardini, sobrecarrega Mauá, por atender Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Para resolver a questão candidatos e políticos com mandato defendem a estadualização dele, mas a pré-candidata defende a construção de um hospital regional, controlado pelo Estado, nos moldes do Hospital Serraria (em Diadema) e Mário Covas (em Santo André). “O Nardini é municipal e não dá conta. A alta complexidade depende do Mário Covas e o Serraria que são muito bons. A nossa região carece de um hospital regional decente que faça cirurgias de alta complexidade, não transformar o Nardini em regional, porque não tem nem terra para isso”, diz a pré-candidata que fez elogios ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre a Tabela SUS Paulista que complementa pagamento às Santas Casas por procedimentos realizados.
Segundo Lair, a convenção do PL realizada no sábado (25/07) foi produtiva. Ela considera que para ser eleita a linha de corte é de 100 mil votos. Ela já conseguiu quase 68 mil em outra tentativa à Câmara Federal em 2002. “Tenho toda a condição e o partido está ajudando; vou ter televisão o que é bastante válido. Entendo que vamos ter um trabalho na região e também em Ribeirão Preto e Franca. Pelo que já fiz pelo ABC eu poderia ser a mais votada. Mas a mulher tem que cavar um espaço de recurso, de material e de convencimento. Nossa região é rica, mas ainda precisa de muita coisa”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
