O início do ano costuma trazer promessas ligadas à saúde e ao bem-estar, e entre as mais frequentes está o desejo de abandonar o sedentarismo. Academias registram aumento na procura e muitas pessoas passam a repensar a rotina após excessos das festas e alertas do próprio corpo. Ainda assim, transformar a intenção em hábito segue como um dos principais desafios.
Em entrevista ao RDtv, Daniel Leite Portella, professor do Programa de Mestrado em Ensino em Saúde e do curso de graduação em Educação Física da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), explica que a dificuldade está diretamente ligada à criação de rotina. “Quem não construiu o hábito de se movimentar encontra mais barreiras no início, já que a prática exige frequência, repetição e engajamento, o que não acontece de forma imediata”, afirma.

O professor destaca que não existe idade certa para começar. A infância e a adolescência são fases ideais para estimular o movimento, mas não há limite etário. “Há pessoas que iniciam a prática aos 60 ou 70 anos, motivadas por questões de saúde ou pela decisão de mudar o estilo de vida. Nunca é tarde para começar e o incentivo familiar é essencial”, conta.
Primeiro passo
Portella também reforça que existem diferentes formas de treinar força, que não se limitam à musculação tradicional. “A criança, quando brinca de cabo de guerra, e o idoso, quando sobe escadas, por exemplo, também treinam força”, explica. Segundo o professor, esse tipo de exercício é recomendado em todas as fases da vida, de acordo com as capacidades e necessidades de cada pessoa.
Para quem leva uma vida sedentária, o primeiro passo não precisa ser complexo. Segundo o professor, sair da inatividade já representa um avanço importante. “O corpo deve ser colocado em movimento. Quando existe prazer, convivência social e acolhimento na atividade, as chances de continuidade aumentam”, explica.
O cuidado, a atenção e a correção dos movimentos fazem diferença tanto para evitar lesões quanto para manter a motivação. “É importante testar modalidades, encontrar ambientes acolhedores e respeitar o próprio ritmo”, afirma.
Conceitos distintos
Portella também explica a diferença entre atividade física e exercício físico. Atividade física envolve qualquer movimento que gere gasto calórico, como caminhar, subir escadas ou realizar tarefas domésticas. “Já o exercício físico é planejado, estruturado e tem um objetivo específico, como uma rotina de treinos, que pode ser feita até com materiais simples, como garrafas PET ou cabos de vassoura”, revela.
Acompanhamento médico
O professor também recomenda atenção à saúde antes de iniciar exercícios mais intensos. Para práticas de intensidade moderada a alta, a realização de exames e um check-up médico ajudam a garantir segurança. “Já as atividades leves do cotidiano não exigem, necessariamente, avaliação prévia. Isso depende do objetivo e do tipo de atividade realizada. O recomendado é a realização de exames anuais”, destaca.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
