
O leite materno traz benefícios para todos os bebês e tem importância ainda maior para os que estão internados, especialmente os prematuros que precisam de cuidados intensivos. Com as ações do Agosto Dourado, as quatro unidades do ABC que trabalham com coleta e processamento do leite reforçam a importância das doações para manter o atendimento.
A região conta com bancos de leite nos hospitais da Mulher de São Bernardo, da Mulher de Santo André e Mário Covas, em Santo André, além de um posto de coleta no Hospital Nardini, em Mauá.
Diadema, Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires e São Caetano não possuem bancos de leite próprios, mas mantêm parceria com as unidades da região. Mesmo sem banco de leite próprio, os municípios asseguram que os recém-nascidos internados recebam leite materno extraído na própria unidade de saúde.
A doação de leite materno pode contribuir para a recuperação de bebês internados, principalmente prematuros que precisam de cuidados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. O alimento oferece nutrientes importantes e possui anticorpos que auxiliam na proteção contra infecções, além de favorecer a digestão dos recém-nascidos.
Bebê prematuro
A experiência de Fernanda Costa com a amamentação também mudou a forma como a fisioterapeuta enxerga a doação de leite materno. Ao RD, a mãe de Yan Lucca, que nasceu prematuro extremo, com 950 gramas, conta que precisou recorrer ao leite doado para alimentar o filho durante os 74 dias de internação no Hospital da Mulher, em São Bernardo.
Durante esse período, o Yan foi alimentado por sonda com leite doado. “Muitas mães de bebês prematuros não produzem leite ou ele seca. A doação é essencial para que esses bebês tenham a nutrição que precisam para se recuperar”, reforça Fernanda, que se tornou doadora de leite por cinco meses.
Além de reconhecer a importância que o leite doado teve na recuperação de Yan, Fernanda também incentiva outras mulheres que tenham produção excedente a fazer a doação. “Eu precisei do leite para o meu filho. Então, depois, pensei que poderia ajudar outras mães e outros bebês que também passam por isso”, conta.
Benefícios
Ao RD, Giuliana Cristina Papaleo Taveira, pediatra e coordenadora da Neonatologia do Hospital e Maternidade Santa Helena, explica que o leite humano contribui para o fortalecimento da imunidade dos bebês, por conter anticorpos que ajudam a protegê-los contra infecções graves. “O alimento também favorece a microbiota intestinal e pode contribuir para a prevenção de casos de enterocolite necrosante, uma complicação que pode atingir principalmente recém-nascidos prematuros”, afirma.
Além disso, o leite materno é de mais fácil digestão para os bebês. “Conseguimos uma progressão de dieta mais rápida, porque os bebês aceitam mais facilmente e, consequentemente, vemos uma diminuição do tempo de internação”, explica Giuliana.
Quem pode doar
Para doar leite materno, a mulher precisa amamentar o próprio filho e apresentar produção excedente. Não existe uma quantidade mínima específica para a doação. O volume destinado ao banco deve ser aquele que sobra após atender às necessidades do próprio bebê.
Há também situações que impedem a doação. Mulheres com doenças infecciosas transmissíveis pelo leite materno não devem doar. “A restrição também se aplica a quem utiliza medicamentos contraindicados durante a amamentação, como alguns quimioterápicos e imunobiológicos, além do uso de substâncias ilícitas, cigarros e bebidas alcoólicas” destaca.
Para as mães que têm vontade de contribuir, mas temem não produzir leite suficiente para o próprio filho, a orientação é acompanhar tanto a quantidade ordenhada quanto o volume consumido pelo bebê. “A doação pode ajudar a salvar vidas dos bebês que estão em uma UTI neonatal”, orienta a pediatra.
Coleta domiciliar
Em entrevista ao RD, Nerli Andreassa, responsável técnica do Banco de Leite do Hospital da Mulher de São Bernardo, explica que as mães não precisam sair de casa para fazer a doação. O serviço conta com veículo próprio e profissionais treinados para realizar a coleta e orientar as doadoras sobre a retirada, o armazenamento e o transporte do leite.
Após o primeiro contato, um profissional capacitado acompanha o motorista até a residência da doadora e repassa as orientações necessárias. A mãe realiza a ordenha e, na semana seguinte, a equipe retorna ao endereço para recolher o leite armazenado.
Depois de chegar ao hospital, o leite passa por uma etapa de seleção e classificação. “A equipe verifica as condições da embalagem e observa se há qualquer alteração que possa comprometer a qualidade do alimento” afirma.
Em seguida, o leite fica armazenado até o momento da pasteurização. “Todo o leite recebido passa por análises antes de ser liberado para consumo. O processo inclui avaliações físicas, químicas e microbiológicas”, destaca.
De acordo com Nerli, nem todo leite recebido pode ser aproveitado. “Entre os fatores que podem levar ao descarte estão a presença de cabelos, cílios ou insetos durante a ordenha e problemas relacionados ao armazenamento”, alerta.
A responsável técnica explica que o leite precisa ser congelado imediatamente após a retirada. Caso permaneça em temperatura ambiente por um período inadequado, pode sofrer alterações que são identificadas durante as análises realizadas pelo banco. Todo o processo, desde a coleta na residência até a liberação para os bebês, leva cerca de sete dias.
Estoque fora da margem de segurança
Atualmente, o Banco de Leite do Hospital da Mulher de São Bernardo conta com aproximadamente 250 litros de leite, volume considerado suficiente para cerca de 45 dias de atendimento.
De acordo Nerli, porém, a manutenção de uma margem de segurança é necessária para garantir o abastecimento dos bebês atendidos. “O ideal seria que tivéssemos pelo menos mais 150 litros de leite”, revela.
Já Banco de Leite do Hospital da Mulher de Santo André arrecada uma média de 95 litros de leite mensalmente. No momento, o nível é considerado adequado para suprir as necessidades.
Normas técnicas
Os Bancos de Leite Humano (BLH) utilizam técnicas nos procedimentos de rotina que devem garantir a qualidade de produtos e serviços sob a sua responsabilidade. As Normas Técnicas da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) contemplam os procedimentos de rotina e as condições mínimas necessárias ao funcionamento podem ser visualizadas em: https://rblh.fiocruz.br/normas-tecnicas-e-manuais.
Veja onde doar no ABC:
Hospital da Mulher em São Bernardo
Avenida Imperador Pedro II, 216 – Jardim Nova Petrópolis – São Bernardo
Telefone: 11-2663-3911 ou 11-96194-2262
Hospital da Mulher de Santo André
Rua América do Sul, 285 – Parque Novo Oratório – Santo André
Telefone: 11-4478-5048 ou 11-4478-5027
Hospital Estadual Mário Covas
Rua Dr. Henrique Calderazzo, 321, Paraíso – Santo André
Telefone: 11-2829-5021
Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini
Rua Reg. Feijó, 166 – Vila Bocaina – Mauá
Telefone: 11-4547-6999
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
