A iminente criação de um novo partido, o PSD (Partido Social Democrático) – fórmula encontrada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para deixar, junto com seu grupo político, o DEM sem incorrer na infidelidade partidária e não correr o risco de perder o mandato – tem despertado o interesse de políticos do ABC. Segundo o advogado Alberto Rollo, responsável pela preparação jurídica da nova agremiação, várias consultas informais são feitas ‘todos os dias’. Sem revelar os nomes, Rollo afirma que não só políticos, como pessoas da sociedade civil já o questionaram sobre o desfecho do episódio que tem pautado a política nacional. “Essas pessoas me perguntam se o negócio do Kassab vai dar certo”, diz.
A ratificação do PSD abre porta para verdadeira migração partidária. A legislação eleitoral permite em quatro casos – um deles justamente a criação de uma sigla – a mudança partidária sem a possibilidade de perder o mandato. Sendo assim, qualquer político – com ou sem o reconhecimento dos votos – poderá movimentar-se no tabuleiro eleitoral.
Nos bastidores, vários nomes – alguns de expressão – já admitem aos mais próximos pensar na possibilidade de ingressar no partido de Kassab, se a nova legenda for cristalizada.
Fusão
No início do projeto, Kassab aventou com força o segundo passo que seria a fusão do PSD com as fileiras do PSB. Nas últimas semanas a intenção perdeu força, pelo menos para 2012. Porém, se a ideia vingar, este segundo momento também permitirá verdadeira ‘dança partidária’. Os filiados ao PDB que, por ventura, sentirem-se desconfortáveis com a fusão socialista, poderão – sem risco de perder o mandato – mudar novamente de legenda. O mesmo vale para os integrantes do PSB que forem contrários ao acoplamento.
2012
Segundo Rollo, por ser novata, a legenda não terá para 2012 a sustentação do tempo de televisão e do fundo partidário, previstos com base na representatividade no Congresso. Para isso, a saída é buscar alianças e coligações que supram o gargalo no próximo pleito.
Histórico
No fim do ano passado Kassab procurou o escritório de Alberto Rollo para externar a insatisfação partidária. “Ele e o grupo político dele se sentiram prejudicados pelo partido. O Kassab presidia comissão que definia sobre coligações. Porém, a ata que fazia esse registro foi fraudada e o verbo decidir foi alterado para opinar”, diz Rollo.
Conversa de Marinho com prefeito de SP deve passar por 2014
Nas próximas semanas, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), se reunirá com o chefe do Executivo de São Paulo, Gilberto Kassab. No bate-papo, o petista irá tatear o objetivo da criação do novo partido, o PSD.
O diálogo tende a destrinchar para o leque estadual, principalmente 2014. Não é de hoje que Marinho e Kassab confidenciam aos mais próximos o interesse de construir base forte para lançarem seus nomes na corrida eleitoral ao Palácio dos Bandeirantes, no intuito de romper a hegemonia do PSDB no território.
A migração do prefeito de São Paulo, deixando a trincheira da oposição, seria sinalização efetiva de um contato mais próximo com os opositores dos tucanos no Estado. Assim, tanto Marinho quanto Kassab poderiam afinar o discurso para convergência de projeto. Até porque, mesmo que o nome deles não esteja nas urnas no pleito estadual, ninguém duvida da influência de ambos nas tratativas sucessórias de 2014.
Outro ingrediente introduzido no caldo eleitoral é a afinidade já explicitada entre os dois. Logo no início do governo em São Bernardo, Marinho foi até o gabinete de Kassab tratar do apoio do DEM. A sigla, que sempre esteve atrelada ao PSDB na região, por intermédio do prefeito da Capital, passou a orbitar no eixo petista na cidade.
Dúvida
Marinho afirma que a conversa ocorrerá até abril. “Eu vou dialogar com ele. Combinamos de conversar nos próximos dias. Eu não sei o tamanho da força desse partido, porque foi anunciada uma coisa e parece que já está menor”, diz.
Embora adote tom cauteloso em relação à direção a ser tomada pelo novo partido, o petista reconhece a possibilidade de aliança com Kassab. “Precisamos ver o que o partido (PDB) vai anunciar. O prefeito Kassab é pessoa amiga. Nós sempre dialogamos com franqueza, mesmo antes dessa possibilidade (criação do partido). Eu vejo nele liderança política que tem espaço de construção para eventuais parcerias. Nós não fazemos alianças com iguais, mas com proximidade e compromissos programáticos”, observa Marinho.
O petista avalia que a saída de Kassab enfraquecerá ainda mais o DEM, que deixou o pleito de 2010 com máculas irreparáveis. Porém, o prefeito não acredita na extinção do partido.
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