Economia do ABC não cresce em 2013

O resultado não difere do que acontece no cenário nacional, porque existe uma degradação da balança comercial, segundo Maskio.

A economia do ABC não deve ter crescimento considerável em 2013 e isso é reflexo de processo conservador que acontece em todo o País. Na região já se percebe ritmo lento de aceleração. A opinião é do professor Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, durante entrevista ao RDtv. Segundo Maskio, a região é importante ao responder por 7% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado e este representa 35% do PIB brasileiro, maior do que a economia da Argentina, se formos comparar. “Mas, alguns cenários, como mercado de trabalho, têm apresentado desaceleração razoável, em especial nos últimos três meses, o que gera o quadro de estagnação”, diz.

Para o professor, a balança comercial influencia muito, já que na região diversos negócios dependem de exportações. “São carros, pneus, produtos químicos etc, e a balança comercial não tem sido positiva quando se soma resultado do ABC. Estamos perdendo mercado e tendo um volume menor lançado no mercado, o que revela um dado negativo para a economia regional. O resultado disso é que não deveremos ter uma economia local com ritmo considerável de crescimento econômico nesse ano”, analisa.

O resultado não difere do que acontece no cenário nacional, porque existe uma degradação da balança comercial, segundo Maskio. “Se olhamos para o comércio internacional, vemos déficits históricos, o que não se via nem nos anos 1990, com a abertura comercial. Temos ainda o acumulado de 6,5% do PIB, que tem batido 6,59 %, acima da meta, o que gera as constantes revisões da previsão”, destaca.

Sobre a inflação, o coordenador do Observatório Econômico da Metodista explica que é um processo que matura ao longo do tempo. “Na economia tem uma piada que diz que inflação é igual à gravidez. Não há meia inflação, você tem ou não. Se não cuida, em algum momento vai romper. Estamos longe de chegar aos índices de 1993, mas se não houver zelo, podemos ter fatores que elevem os índices”, acredita.

Para Maskio, a inflação tem de ser acompanhada de perto, no dia a dia. O preço da cesta básica tem batido recordes de alta, mesmo com as desonerações do governo. Alguns fatores têm pressionado a cesta, como a queda de safra do feijão e outros grãos, em função até do clima. Outro problema, diz, é a velha discussão da oferta e demanda, e aí o preço acaba subindo. Na opinião do economista, o governo tem procurado estimular a atividade econômica ao impulsionar o consumo, mas o investimento não anda como se esperava. “As medidas de combate à inflação nunca são muito populares, em especial no ano que antecede às eleições. O combate à inflação significaria aumento de juros, diminuição do crédito, o que acaba desacelera a economia”, avalia.

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