ABC - sábado , 7 de novembro de 2026

Câmara de São Caetano ouve Auricchio no processo de cassação contra Getulinho

Acusado de quebra de decoro ao entrar em hospital público, vereador Getúlio de Carvalho Filho responde a processo de cassação. (Foto: Reprodução)

Nesta sexta-feira (06/11) a Câmara de São Caetano deu sequência à fase de instrução do processo de cassação do vereador Getúlio de Carvalho Filho, o Getulinho (União Brasil) com a oitiva de seis das nove testemunhas arroladas. Foram dez horas de trabalhos sendo que ainda há outros três testemunhos previstos para segunda-feira (09/11), entre eles o do ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD).

A Câmara apura suposta falta de decoro parlamentar por Getulinho. Wilson Russo Piotto, ex-chefe de gabinete do vereador e o servidor municipal Geová Ferreira de Oliveira Braz, apresentaram a denúncia. Eles sustentam que o parlamentar abusou da prerrogativa de vereador ao entrar na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital de Emergências Municipal Albert Sabin, sem a proteção adequada para o espaço. Isso teria ocorrido no dia 1º de janeiro deste ano. Por 19 votos a dois a comissão processante foi instaurada em setembro.

Nesta sexta-feira foram ouvidos três GCMs (Guardas Civis Municipais) chamados para atender à ocorrência no hospital, o irmão do prefeito Tite Campanella (Republicanos), Adauto Campanella, o chefe da segurança do hospital e a diretora clínica. Trechos de vídeos gravados na data foram exibidos também. Já para segunda-feira ficaram os depoimentos de Auricchio, de uma médica responsável pelo hospital e de uma paciente que estava no local naquela noite.

Carvalho Filho considerou o dia de oitivas muito difícil, para ele houve cerceamento da sua defesa e o próprio processo de retomada da instrução, após a justiça derrubar uma liminar que impedia o andamento do procedimento de cassação, contaria com nulidade, conforme a análise do vereador, que é advogado e faz a sua própria defesa neste processo.

“Atropelaram o próprio decreto do regime militar que eles usaram, ao não respeitar prazos. O decreto diz que eu só posso ser intimado depois de 24 horas, eles me intimaram em 15, e ainda por cima para uma série de nove oitivas. Além disso cercearam a minha defesa, só passaram trechos de vídeos, tem vídeo de mais de duas horas em que só passaram cinco minutos, para mim foi um tribunal de inquisição”, relatou o parlamentar.

Ainda de acordo com Carvalho Filho a sessão de oitivas desta sexta-feira pode ser dividida em duas partes, pela manhã em que as testemunhas conversavam tranquilamente e à tarde quando as respostas foram monossilábicas. “Não tenho dúvida de que esses servidores foram pressionados sobre o que diriam. O primeiro GCM que falou pela manhã conversou claramente e deu detalhes já os outros dois, na parte da tarde, só respondiam sim e não”, descreveu.

A expectativa de Getúlio de Carvalho Filho sobre a oitiva de José Auricchio Júnior, na segunda-feira, é a de que o ex-prefeito possa falar sobre a relação entre o Executivo e o Legislativo e se é mesmo contra a cassação de vereadores. Ao RDCast esta semana, o social democrata falou sobre os pedidos de cassação de vereadores e disse desaprovar essa postura.

“Eu fui um dos algozes do ex-prefeito durante minha passagem pela Câmara na gestão Auricchio. Eu espero que ele diga ser contra as cassações, porque essa briga entre os vereadores tira o foco e o Executivo fica sem fiscalização, os problemas passam batidos”, disse Filho sobre o depoimento do ex-prefeito.

Além das três testemunhas que faltam para serem ouvidas no processo de cassação, o próprio Getúlio de Carvalho Filho será ouvido. “Eu pedi para ser ouvido em outro dia, até para que eu tenha tempo de compilar tudo que foi dito pelas testemunhas e preparar a minha defesa, mas isso também não me foi concedido, como uma série de outros pedidos que eu fiz, então esse processo tem uma série de nulidades sobre as quais, à partir da próxima segunda-feira, depois das oitivas, eu vou me debruçar e avaliar juridicamente o que pode ser feito”, completou o vereador.

Getulinho é o segundo parlamentar a sofrer processo de cassação na Câmara esse ano. Matheus Gianello (PL) alinhado à família Auricchio, também passou por processo igual, mas que acabou suspenso após o liberal renunciar ao seu mandato no dia 30 de agosto.

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