
Uma família de capivaras foi vista, na quinta-feira (5), na avenida dos Estados, em frente à Praça Nova, próximo ao Sesi Santa Terezinha, em Santo André. A cena não é inédita, mas continua a chamar a atenção de pedestres e motoristas.
Para entender o aparecimento dos animais na região, o RD conversou com o veterinário Jefferson Vilela. Para o especialista, uma das principais causas que leva as capivaras à cidade é o crescimento imobiliário desordenado. Com construções em áreas inapropriadas, próximo ao habitat natural dos animais, as capivaras, desalojadas, ficam sem lugares para se abrigarem e passam a se deslocar para as cidades.
Com a ida às cidades, os animais se deparam, também, com alimento em abundância, terrenos abandonados e não limpos. Dessa forma, se reproduzem com maior facilidade, visto que quanto mais comida, maior o poder reprodutivo.
Vinculadoras de zoonoses
Dentre os possíveis perigos apresentados pelas capivaras, estão as doenças que elas podem transmitir, as zoonoses. Raiva, toxoplasmose, tripossomania e até mesmo leptospirose. Mas a mais conhecida é a febre maculosa brasileira, uma doença infecciosa grave, febril e aguda que pode vincular através do carrapato estrela, o Amblyomma sculptum.
Carrapatos são um alvo merecedor de atenção, já que são hospedeiros intermediários e, após contato com uma capivara doente, podem picar um ser humano e o contagiar.
“Um (outro) grande perigo é ir pra rodivia, ou mesmo para as avenidas e causar acidentes. Eles também são animais que podem morder. Dificilmente atacam, mas dificilmente não é impossível, né”, comenta Jefferson Vilela sobre outras preocupações relacionadas à inserção das capivaras nos meios urbanos.
Prevenção e cuidados
De acordo com Jefferson, uma forma de mitigação e contenção dos riscos é a diminuição dos alimentos, fator esse que atrai grandemente os animais. É possível, também, capturar e até mesmo castrar as capivaras. “Seria uma forma de conter esses animais, né, (inibir) a reprodução deles”, explica o veterinário.
Levantamento populacional dos grupos de capivaras
Em 2023, a a Prefeitura de Santo André relatou que iniciaria um estudo de levantamento populacional dos grupos de capivaras, além de uma pesquisa acarológica para identificação dos carrapatos. Posteriormente, classificariam os casos para verificar se havia presença da febre maculosa. O levantamento seria realizado por uma equipe especializada, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e a Secretaria de Saúde.
No entanto, avanços e resultados ainda não foram divulgados. Questionamos a Prefeitura de Santo André, mas não obtivemos respostas até a conclusão da reportagem.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
