
Após Flávio Bolsonaro (PL), ex-candidato à Presidência, publicar uma carta com teor golpista na quarta-feira (28/10), partidos como União Brasil, MDB e PSDB se manifestaram contra a conduta do senador e reafirmaram a confiança nas urnas, no processo eleitoral e no resultado das eleições, realizadas no domingo (25).
O presidente do PSDB, Aécio Neves, chamou a conduta de Flávio de “incompreensível” e criticou sua decisão de exercer oposição fora do país. “O exercício da oposição numa democracia é tão relevante quanto o exercício dos próprios governos. E ele deve se dar em território nacional, fiscalizando os atos do governo e cobrando os compromissos por ele assumidos com a população”, escreveu.
O PSDB afirmou ainda que a oposição deve ser feita dentro “das regras da democracia”, com respeito às instituições e ao processo eleitoral.
Em sua manifestação, o MDB escreveu que “reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo”.
O União Brasil também reiterou a confiabilidade das urnas e a lisura do processo eleitoral e afirmou que o resultado das eleições deve ser respeitado.
“A democracia é, para o partido, um valor inegociável. Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas”, escreveu.
O partido declarou ainda que “nesse momento, é essencial que as instituições sejam maiores que as pessoas”.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil dois dias depois de perder as eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por uma diferença de mais de 4 milhões de votos. Após a divulgação do resultado, o senador deu declarações em que questionou a reeleição de Lula e alegou, sem provas, que houve fraude nas eleições. Na segunda-feira, Flávio foi intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes e proibido de sair do país.
Ele desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28). Após chegar ao país, publicou uma carta em que se declarava o “verdadeiro presidente eleito” e afirmava que pretendia liderar a oposição a partir dos EUA. A carta também trazia um antigo brasão, usado após a Proclamação da República, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com z.
Momentos depois, ele republicou uma nova versão da carta, na qual se dizia “líder do Brasil” e usava o brasão atual da “República Federativa do Brasil”.
O senador é investigado em dois inquéritos que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro em sua relação com o advogado Willer Tomaz e de pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a realização de Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Sem mandato para 2027, Flávio perde o foro privilegiado.
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