
Aliados do candidato à Presidência derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), ajudaram a construir a versão de que o senador já estava em outro país enquanto ele ainda não havia deixado o Brasil.
Segundo o governo argentino, Flávio cruzou a fronteira argentina às 22h50 (horário de Brasília) de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga a cidade brasileira de Foz do Iguaçu, no Paraná, à cidade argentina de Puerto Iguazú.
Antes disso, porém, aliados do senador já comentavam sobre sua saída do país – alguns mencionavam sua ida para os Estados Unidos, o que foi iniciado apenas às 0h22, quando ele decolou da Argentina rumo a Guayaquil, no Equador. A aeronave decolou às 6h22 rumo a Miami.
Aliado do governo do presidente americano, Simón Levy disse que Flávio já teria chegado ao país comandado por Donald Trump. “Como informei horas atrás, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O mentor por trás desta operação é o Secretário de Estado dos EUA, @SecRubio”, publicou em suas redes sociais, às 15h19, em referência ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
No fim da tarde, o influenciador digital Pablo Marçal publicou em suas redes: “Não é fuga! É exílio”.
Em seguida, pouco depois das 19h, o advogado Frederick Wassef, responsável pela defesa do senador, disse ter sido surpreendido com a notícia da fuga de Flávio. “Quero dizer aos senhores que o presidente do PL Valdemar Costa Neto, assim como eu, também foi pego de surpresa com essa notícia que os senhores estão veiculando, deixando claro, jamais saiu qualquer coisa da minha boca”, declarou.
Por volta do mesmo horário, ou seja, quando Flávio ainda estava no Brasil, o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), comentou a decisão de Flávio: “O Brasil segue longe da normalidade institucional. No contexto, Flávio deixar o país é compreensível”, acrescentou.
O senador eleito paranaense Deltan Dallagnol (PL) disse que “quando o principal líder da oposição deixa o próprio país antes de uma prisão que os aliados esperavam a qualquer momento, isso sinaliza uma ditadura plena no Brasil”.
Já o coordenador de campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), declarou, no começo da noite de terça (27), não saber que o candidato derrotado iria para os Estados Unidos. “Nós todos não temos ainda informações sobre o seu paradeiro, apenas algumas notícias que já saíram na imprensa, inclusive de outros países, que demonstram que pode ter havido um deslocamento do senador Flávio para um outro país”, declarou a jornalistas. Todas as declarações foram feitas antes de Flávio deixar o Brasil, às 22h50, e pousar em Miami, às 10h22 desta quarta-feira (28). O senador do PL usou seu passaporte diplomático para entrar nos Estados Unidos, conforme registros migratórios.
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