A programação do movimento Outubro Rosa mobiliza as prefeituras do ABC com atividades voltadas à saúde da mulher. Além da realização de mamografias, as cidades promovem palestras, rodas de conversa, busca ativa para atendimento e outras ações para incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama.

A oncologista Patricia Santi, da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), explica que o rastreamento mamográfico está associado à redução de aproximadamente 20% na mortalidade específica por câncer de mama. “Por ser um dos métodos mais eficazes para o diagnóstico precoce, a mamografia contribui para aumentar as chances de cura”, destaca.
A especialista alerta que a demora na realização do exame pode reduzir a possibilidade de identificar a doença em estágio inicial. “O objetivo do rastreamento é exatamente diagnosticar um tumor bem na fase inicial, quando o tratamento pode ser menos agressivo e com maior chance de cura. Nesse contexto, a periodicidade do exame é de suma importância”, afirma.
A importância do diagnóstico precoce também faz parte da história de Elis Soares, que perdeu a irmã para o câncer de mama em 2019. Em entrevista ao RD, a moradora de São Bernardo afirma que, após a morte, as mulheres da família passaram a ficar mais atentas à própria saúde. Em 2022, Elis recebeu o diagnóstico da doença. “Minha mãe ficou desesperada, achando que iria perder mais uma filha. Foi um pânico na família. Fiz o tratamento e venci o câncer”, comemora.
Quatro anos depois, em 2026, Elis voltou a receber o diagnóstico de câncer de mama. Desta vez, percebeu rapidamente uma alteração e procurou atendimento médico. “Senti algo diferente na mama e já fui buscar ajuda. Em julho deste ano, terminei novamente o tratamento. O autoexame é fundamental”, relata.
Para a oncologista, conhecer o próprio corpo é importante para identificar alterações que possam indicar a necessidade de avaliação médica. Entre os sinais que merecem atenção estão vermelhidão, retração da pele, presença de nódulo endurecido, dor persistente, aparecimento de ínguas nas axilas e inversão do mamilo, que é quando o bico fica para dentro. “O autoexame é importante, mas não substitui a mamografia, que também deve ser realizada”, alerta a médica.
Público-alvo
Para mulheres que não apresentam fatores de risco específicos, a recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é a realização de mamografia anual dos 40 aos 74 anos. A partir dos 75 anos, a decisão deve considerar fatores como expectativa de vida, comorbidades e as condições da paciente para realizar investigação e tratamento caso seja identificado um câncer.
Para mulheres consideradas de alto risco, o acompanhamento pode começar mais cedo e incluir outros exames, como a ressonância magnética das mamas. Entre os casos estão pacientes com mutações conhecidas nos genes BRCA1 ou BRCA2, histórico familiar importante de câncer de mama e mulheres que passaram por radioterapia torácica entre os 10 e 30 anos.

Fila de espera
Diadema não tem fila de espera para a realização de mamografias, assim como Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires, de acordo com as administrações municipais. Diante da ausência de demanda reprimida, as prefeituras têm como foco ampliar a procura pelo exame. As ações incluem a intensificação da busca ativa de mulheres na faixa etária indicada e o reforço da divulgação para incentivar a realização da mamografia. Não estão previstos mutirões ou a disponibilização de carreta de mamografia, já que a oferta em livre demanda atende à procura atual.
Em São Bernardo, são realizados, em média, 3,2 m il exames de mamografia por mês. Atualmente, cerca de 70 mulheres aguardam pela realização do procedimento, com os pedidos atendidos em até 30 dias.
As prefeituras de Santo André, Mauá e São Caetano não responderam aos questionamentos do RD até o fechamento desta matéria.
Palestras
Ao longo de outubro, Mauá terá palestras, rodas de conversa, ações educativas e atividades de autocuidado em diferentes regiões da cidade. A programação ocorrerá principalmente nas unidades básicas de saúde (UBSs), mas também passará por escolas, empresas, igrejas e outros espaços de saúde e comunitários. As atividades são gratuitas e abertas ao público. A lista completa de palestras, com locais e horários, está disponível em: https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3903737/, sujeita a alterações.
A programação busca ampliar o acesso à informação e aproximar as mulheres dos serviços da rede municipal de saúde. Além da prevenção ao câncer de mama, algumas ações também abordarão a saúde integral da mulher e a prevenção do câncer do colo do útero.
Ainda em fase de elaboração, a programação de Rio Grande da Serra é planejada pela Secretaria de Saúde em conjunto com os gestores das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Entre as iniciativas previstas estão palestras, orientações, momentos para esclarecimento de dúvidas e atividades de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Em São Bernardo, as UBSs deverão receber palestras, rodas de conversa e cartazes informativos sobre o Outubro Rosa. Já Ribeirão Pires prevê a divulgação de conteúdos em mídias eletrônicas, palestras nas unidades e um evento no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM).
As datas ainda não foram definidas pelas administrações municipais de Rio Grande da Serra, São Bernardo e Ribeirão Pires.
Consultório na Rua
Em Diadema, 220 mulheres estão atualmente em tratamento contra o câncer de mama, número 111% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando 104 pacientes estavam em acompanhamento. Diante do aumento, a Prefeitura promove ações de orientação, acolhimento e prevenção durante o Outubro Rosa.
O Consultório na Rua integra a programação com atividades nos territórios. No dia 2 de outubro, será realizada uma roda de conversa de acolhimento psicossocial na região do Casa Grande, na altura do número 293 da avenida Fundbem.
Também estão previstas palestras no Centro Pop, nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além de caminhadas, pilates para gestantes e coleta de Papanicolau. A programação completa pode ser consultada em: https://portal.diadema.sp.gov.br/.
Carreta da Mamografia
Durante o mês de outubro, a Carreta da Mamografia passará por 17 endereços de São Bernardo, com capacidade ampliada para realizar até 80 exames por dia. O atendimento é destinado a moradoras do município entre 40 e 74 anos e não exige agendamento ou pedido médico. Nos demais períodos, são realizados até 64 exames diariamente. Os atendimentos ocorrem das 8h às 17h. A programação completa, com os locais e datas, está disponível no site: https://www.saobernardo.sp.gov.br/.
Como parte da programação do Outubro Rosa, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de São Bernardo também funcionarão no sábado (17), durante o Dia D. As unidades oferecerão solicitação de mamografia para rastreamento do câncer de mama, exame Papanicolau para mulheres de 25 a 64 anos, além de palestras, rodas de conversa, vacinação, testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), avaliação de saúde bucal e ações de conscientização sobre a prevenção da violência contra a mulher.

Arrecadação de lenços
O Shopping Metrópole também se une à mobilização do Outubro Rosa com uma ação de solidariedade voltada a mulheres em tratamento contra o câncer de mama. Até o dia 31 de outubro, o empreendimento arrecada lenços de cabeça, que serão destinados à Cabelegria, organização que atua em iniciativas de apoio a pacientes com câncer.
O ponto de coleta está localizado na entrada da avenida Versolato, no próprio shopping, próximo ao Pecorino. Para contribuir, os clientes podem levar lenços que estejam limpos e em bom estado de conservação, e depositar no local indicado.
Prevenção
Além do acompanhamento médico, hábitos de vida também podem contribuir para a redução do risco da doença, como a prática de atividade física, o controle da obesidade, a cessação do tabagismo, a redução do consumo de álcool e a diminuição da ingestão de alimentos processados e embutidos.
Entre os fatores associados ao câncer de mama estão sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo de álcool, reposição hormonal, menopausa tardia, primeira menstruação precoce, não ter tido filhos e não ter amamentado. Alterações genéticas hereditárias, como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, também podem aumentar significativamente o risco de desenvolvimento da doença.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
