
Mais do que uma programação para marcar o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, Mauá teve um fim de semana para celebrar encontros. Entre livros, pinturas, música, esporte e conversas, a FLIPED e a Expo Inclusiva colocaram a pessoa com deficiência no centro das atividades.
Para a secretária de Proteção e Defesa da Pessoa com Deficiência, Noeme Ferreira dos Santos, a programação reforça a importância de criar espaços em que as pessoas com deficiência possam mostrar seus talentos, contar suas histórias e participar ativamente da sociedade.
“Quando a gente cria esses espaços, não está apenas promovendo um evento. Está abrindo portas para que a pessoa com deficiência mostre quem ela é, o que sabe fazer, o que pensa e o que deseja. É sobre protagonismo, pertencimento e respeito.”
Voz para quem tem uma história para contar
No sábado (26/09), a FLIPED ocupou a Pinacoteca Municipal com literatura, oficinas artísticas do Instituto Cida Dias, apresentações e a exposição do artista plástico Leandro Almeida de Britto.
Um dos momentos mais marcantes foi a roda de conversa sobre o protagonismo da pessoa com deficiência, promovida pelo Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência em parceria com a APAE. Sthenie, aluna da APAE, e Mariana Santana Antiqueira, a Mari Antiqueira, autora do livro Um Pouco Mais que Diferente, participaram do encontro.
Mari falou sobre a própria trajetória e sobre uma situação que ainda faz parte da vida de muitas pessoas com deficiência: ser enxergada primeiro pela deficiência e só depois pela pessoa.
Em seu relato, mostrou que, por trás daquela imagem que muitas vezes limita o olhar do outro, existe alguém que pensa, sente, estuda, sonha e tem vontade de dizer o que sente. A conversa trouxe para o centro uma questão simples, mas fundamental: ouvir a pessoa com deficiência e reconhecer seu direito de falar sobre a própria história.
Quando a arte muda o olhar
A arte também ganhou espaço na programação. O artista plástico Daniel Ferreira, formado em Artes Visuais pela Faculdade Belas Artes de São Paulo e integrante da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, conduziu uma oficina de pintura.
Para Daniel, a arte foi fundamental para que ele pudesse compreender a própria trajetória.
“A arte me salvou de muitas coisas. Primeiramente, de eu aceitar a minha deficiência, entender quem eu sou e o artista que eu me tornei.”
Hoje, reconhecido profissionalmente, ele defende que a arte e o esporte podem abrir novos caminhos para as pessoas com deficiência.
“Se ela se descobrir como artista, como atleta, para ela é um escape. A deficiência passa a ser o segundo plano e não o primeiro plano.”
Na quadra, o que importava era estar junto
No domingo (27/09), a inclusão ganhou a quadra do Parque da Juventude. O amistoso de basquete entre Girafinhas e APAE reuniu cerca de 30 atletas e suas famílias.
Ali, o número de cestas e o resultado pouco importavam. Cada ponto era comemorado, mas o verdadeiro objetivo estava em outro lugar: celebrar a união, a convivência e a possibilidade de todos estarem juntos em quadra. O esporte virou encontro — e a torcida, formada também por familiares, fez parte da festa.
A Expo Inclusiva ainda teve oficinas artísticas, massoterapia para crianças, apresentação musical de Leonardo, aluno da APAE, e a exposição de Leandro. Doze empreendedoras apresentaram seus trabalhos, enquanto a OAB ofereceu orientação jurídica. A Secretaria de Mulheres participou dos dois dias, e intérpretes de Libras contribuíram para ampliar a acessibilidade.
Ao final do fim de semana, ficaram as histórias, os encontros e a ideia de que inclusão também se constrói assim: quando a pessoa deixa de ser apenas espectadora e passa a ocupar o espaço, contar sua história, criar, jogar, cantar, empreender e ser reconhecida pelo que é.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
