A escassez de mão de obra na construção civil elevou o sinal de alerta de entidades e empresas do setor olhando para o futuro. A preocupação gerou uma série de ações que foram divulgadas no evento Road Show, promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), regional ABCD. Ao RDtv desta sexta-feira (25/09), o diretor regional da entidade sindical, Cláudio Gomes, apontou uma lista de processos para atrair os mais jovens e aumentar o número de trabalhadores com carteira assinada no setor, o que chega a mais de 47 mil na região.
Tanto ao RDtv quanto na reunião realizada junto à Associação das Construtoras, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC (ACIGABC), Gomes relatou dois pontos de preocupação. O primeiro é a idade média dos trabalhadores que desde a pandemia aumentou em 10 anos e chegou na faixa dos 42 anos de idade. Além disso, a dificuldade de contratação devido a disputa com outros setores, entre eles, o de transporte em consequência do aumento de pessoas trabalhando para as empresas de aplicativo.
“Se a gente levar em conta os últimos anos, a construção civil era uma porta de entrada, dependendo do nível de escolaridade e da condição de cada um, era praticamente a opção que sobrava. As profissões mudam, várias profissões aparecem, várias profissões desaparecem. Hoje, a gente tem a competição da entrega de aplicativos, de aplicativos de transporte, de quem faz a entrega para a logística. Parte desse pessoal, então, foi drenado para esses setores. E aí, lei da oferta e da procura. Ficam menos pessoas dispostas a trabalhar na construção civil.”, explica.

Para reverter a situação, um projeto-piloto foi criado em conjunto com a Feticom-SP (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e Mobiliário do Estado de São Paulo), Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil do Estado de São Paulo) e o Senai-SP, e que busca criar um plano de carreira dentro do setor, formado por sete níveis, e que visa apresentar ao jovem uma forma de evoluir na carreira e deixar de lado o estigma do passado.
“Há um tempo se falava que os pais falavam para os filhos, se você não estudar, você vai acabar numa obra. Por aí você vê o estigma que a carreira envolve. O que mudou de lá para cá? Segurança do trabalho mudou demais, tanto as normas mudaram, ficaram mais rígidas, quanto a consciência das empresas mudou completamente. Há um tempo, se tinha gente alojada em obra, não existe. É muito raro ter gente alojada em obra.”, relata.
O projeto-piloto será feito nos próximos seis meses, em todo o Estado. Além disso, será levado ao Poder Público a possibilidade de mudanças de nomenclaturas de algumas funções como “servente” e “pedreiro”, como uma forma de modernização da Construção Civil para as novas gerações.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
