
Aconteceu de novo; mais um profissional de enfermagem foi agredido na região na tarde desta quarta-feira (02/09) em Santo André. A agressão teria ocorrido no Reabilita, que fica no bairro Campestre e vitimou a enfermeira Juscilene Santos de Carvalho, que foi agredida por um casal. O caso foi parar no 1° Distrito Policial da cidade. Na segunda-feira (31/09) o enfermeiro David Alves Neves, de 41 anos, que trabalha na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Luzita, foi ao 6° DP e deu queixa de agressão contra um homem e uma mulher que são investigados por lesão corporal.
Segundo o que foi apurado a enfermeira foi abordada pelo casal após a realização de um exame de eletroencefalograma em uma criança. O paciente teve três intercorrências durante o procedimento, com convulsões, o que atrasou a agenda. O atraso teria motivado insatisfação de um homem que viu outros pacientes serem chamados no horário do seu exame. Ele abordou a enfermeira e houve discussão, momento em que a mulher que o acompanhava partiu para cima da profissional. Uma GCM de plantão presenciou a agressão, pediu apoio e as partes foram levadas para a delegacia. Representante da Secretaria de Saúde acompanhou a lavratura do boletim de ocorrência e também a conselheira do CorenSP (Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo), Sueli Coelho.
Vanessa Scarcella, que é coordenadora da comissão de enfrentamento à violência do conselho regional de enfermagem paulista, os casos de agressões a profissionais do setor são cada vez mais frequentes e o ABC se destaca no ranking das cidades com maior número de casos. “A violência contra a enfermagem em Santo André é recorrente e estrutural, não um caso isolado. Em 2026, o Coren-SP já registrou 137 profissionais de enfermagem vítimas de violência física ou moral no Estado, com Santo André entre as cidades com mais agressões. A enfermagem não pode seguir sendo alvo de agressões sem resposta proporcional; isso afeta a dignidade dos profissionais e a qualidade do atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde)”, sustenta.
Em nota, a prefeitura de Santo André diz repudiar veementemente qualquer forma de violência contra os trabalhadores da rede municipal de Saúde. “A ocorrência se deu quando uma paciente e seu acompanhante foram abordar a coordenação da unidade. Durante a conversa, houve uma exaltação por parte do casal, que desencadeou em agressões físicas, verbais e ameaças contra a equipe. A secretaria está realizando o acolhimento às profissionais e está prestando apoio às vítimas, garantindo assistência e suporte institucional. O caso também foi acompanhado pela Guarda Civil Municipal, e os envolvidos foram encaminhados à autoridade policial para registro das ocorrências e adoção das medidas cabíveis. Destacamos que o Reabilita conta com GCM de plantão que agiu rapidamente controlando o casal até a chegada do reforço”, detalha a administração municipal.
O comunicado da prefeitura diz que a enfermeira foi agredida fisicamente e que ela recebeu toda a assistência médica. A vítima passa bem, embora ainda assustada com a situação.
Esta semana, em entrevista ao RD, o secretário municipal de Saúde, Diego Cabral, disse que dialoga com a Câmara Municipal para a elaboração da minuta de um projeto de lei que vai estabelecer uma punição pecuniária a quem agredir verbal ou fisicamente profissional de saúde no município. Na região, São Bernardo já pune, com multa de três salários mínimos quem agredir servidor da saúde. Em Santo André a ideia é que a Câmara envie para o Executivo um projeto na forma de indicação, que será analisado pelo jurídico da prefeitura e retorna ao Legislativo para ser votado. Cabral quer agilizar esse processo para que ele seja votado na próxima semana.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
