Moradores da avenida Vivaldi, na região do Rudge Ramos, em São Bernardo, relatam uma sequência de furtos e invasões em imóveis próximos à divisa com Santo André. Segundo os relatos, a situação também contribuiu para o abandono de casas e espaços comerciais, com antigos moradores e proprietários que retiraram seus pertences após sucessivas ocorrências.
Um dos moradores, que viveu na região por quase 50 anos e optou por não se identificar, afirma que os problemas se intensificaram a partir de 2018. A própria residência e uma fábrica da família foram alvo de invasões. Após novas ocorrências, a família decidiu deixar o local e retirou os bens aos poucos. “A gente não tinha mais tranquilidade. Entravam, levavam as coisas e destruíam o que não conseguiam levar”, relata.

O reclamante afirma que pelo menos três ou quatro imóveis próximos ficaram vazios nos últimos anos. Entre os locais estão uma casa, um imóvel que seria transformado em clínica veterinária e dois salões comerciais.
O primeiro arrombamento na antiga residência ocorreu por volta de 2020, durante um fim de semana em que a família estava fora. Depois disso, houve outras duas invasões enquanto os moradores ainda ocupavam o imóvel. Ao todo, afirma ter registrado entre seis e oito boletins de ocorrência. A ocorrência mais recente, segundo o morador, ocorreu nesta semana.
Além de televisores e outros objetos, os criminosos passaram a retirar fiação, pias e peças das instalações dos imóveis. Em alguns casos, os itens que não podiam ser levados também foram danificados.
Outro caso citado pelos moradores envolve uma propriedade vizinha, onde três pessoas foram encontradas dentro do imóvel. Após o episódio, o proprietário decidiu deixar a casa vazia. Moradores que ainda vivem na área relatam preocupação com a possibilidade de novos furtos e invasões, sobretudo diante da quantidade de imóveis sem ocupação. Alguns antigos moradores preferiram não se identificar.
O que diz a Prefeitura?
Em nota, São Bernardo diz que não recebeu, pelos canais da GCM (Guarda Civil Municipal), registros recentes sobre furtos, invasões ou imóveis abandonados na Vila Vivaldi, na divisa com Santo André. A pasta também afirmou não ter registro recente de furto de fiação da iluminação pública no trecho citado, mas que a GCM fará verificações na região e reforçará o patrulhamento preventivo.
Ocorrências ou situações suspeitas podem ser comunicadas pelo telefone 153, que funciona 24 horas.
Já a Prefeitura de Santo André não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Violência afeta valor dos imóveis
Para Augusto Viana, presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), a ocorrência frequente de crimes em determinada região pode provocar desvalorização dos imóveis. Segundo Viana, não existe um percentual fixo para esse impacto, mas situações de violência crônica podem gerar perdas superiores a 30% em casos mais graves.
A insegurança também pode dificultar a venda dos imóveis e levar proprietários a reduzir os preços para conseguir fechar negócio. Outro efeito possível é a entrada de investidores interessados em adquirir propriedades por valores menores para posterior locação, o que pode alterar o perfil da região.
Segundo Viana, a combinação entre imóveis vazios, sensação de insegurança e dificuldade de comercialização pode criar um ciclo de desvalorização e aumentar a percepção de abandono. “Quando a violência passa a fazer parte da rotina de uma região, o imóvel deixa de ser avaliado apenas pelas características físicas e pela localização. O comprador também considera o risco e a sensação de segurança, e isso pesa diretamente na decisão de compra”, afirma.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
