
Moradores de Diadema relatam meses de espera para conseguir consultas de acompanhamento com especialistas no Viva+ Diadema Centro Médico de Especialidades, antigo Quarteirão da Saúde, no Centro. Em dois casos relatados ao RD, pacientes dizem aguardar desde abril e janeiro, respectivamente, por consultas que consideram necessárias para dar continuidade ao tratamento.
A demora não envolve apenas a espera por uma primeira avaliação. Um dos pacientes já fazia acompanhamento com um cirurgião vascular e aguarda há meses pelo retorno. No outro caso, a paciente foi encaminhada por um neurologista para avaliação com um ortopedista, mas ainda não conseguiu atendimento.
Cosmo Maciel da Silva, 58 anos, morador do Jardim São Judas Campanário, faz acompanhamento com cirurgião vascular após ter sofrido uma trombose na perna direita. O retorno com o especialista estava previsto para abril, mas, até agora, ele não conseguiu nova consulta pela rede municipal. “Se eu, que já sou paciente do médico, não estou conseguindo passar, imagina aquelas pessoas que iniciaram o tratamento agora”, afirma.
Na tentativa de obter informações, Cosmo procurou a Ouvidoria da unidade em três ocasiões. Segundo ele, a resposta foi sempre a mesma: deveria continuar aguardando. “Já fui presencialmente três vezes na Ouvidoria. Eles dizem que não podem fazer nada e falam: ‘o senhor tem que aguardar’”, relata.
Enquanto espera, o paciente afirma ter percebido uma piora no quadro. “Minha perna está inchada e pesada. Eu não consigo dobrar mais a perna”, conta.
A preocupação também envolve o uso de medicamentos. Cosmo afirma que precisa passar pelo especialista para saber se deve continuar com o tratamento ou se haverá alguma mudança na medicação. “Eu preciso passar com ele para saber se vou continuar tomando o remédio, se mudou alguma coisa. Eu não sei nem qual é o período que eu tenho que tomar esse anticoagulante”, diz.
Além da dificuldade para conseguir atendimento, o morador relata o peso financeiro do tratamento. Segundo ele, a meia de compressão que utiliza custa cerca de R$ 300, enquanto o medicamento chega a R$ 115 a cada 15 dias.
Cosmo afirma que depende de benefício social e da ajuda da família para arcar com as despesas. “Pra quem recebe R$ 600 de Bolsa Família, fica difícil. Se eu comer, eu não compro remédio. Se eu comprar remédio, eu não como”, relata.
Encaminhamento para ortopedista está parado desde janeiro
A situação de Sônia Aparecida Dias, 54 anos, é semelhante. Segundo a moradora, um neurologista que a acompanha fez um encaminhamento para um ortopedista, mas a consulta ainda não foi realizada.
Sônia afirma que aguarda desde janeiro pelo atendimento. A demora, segundo ela, é especialmente difícil de compreender porque o próprio encaminhamento teria indicado urgência. “Ano passado eu comecei a cair e tive dificuldade de movimento. Eles avaliaram como caso de urgência, mas que urgência é essa que já fazem 7 meses?”, questiona.
A paciente busca a avaliação do ortopedista para dar continuidade à investigação e ao tratamento. Sem a consulta, porém, permanece à espera de uma nova etapa do atendimento especializado.
As reclamações mostram uma situação que vai muito além de um simples tempo de espera por consulta. Para pacientes que já passaram por avaliação médica e dependem de acompanhamento especializado, a demora pode significar a interrupção ou o adiamento de etapas importantes do tratamento, além de ampliar a insegurança sobre medicamentos, exames e próximos procedimentos.
Também chama atenção o fato de pacientes recorrerem à Ouvidoria em busca de respostas e, segundo os relatos, receberem apenas a orientação para continuar aguardando, sem uma previsão concreta para o atendimento.
Procurada pelo RD, a Prefeitura de Diadema informou que a Secretaria de Saúde estava temporariamente sem energia elétrica, deste modo, não conseguiria apurar as informações. O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Diadema e da Secretaria Municipal de Saúde.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
