
Nesta quarta-feira (02/09), Santo André começou a instalar nove jardineiras de chuva na avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, entre os bairros Vila Guarani e Centreville, como parte das ações para preparar a cidade para os efeitos das mudanças climáticas. A infraestrutura verde capta, armazena e filtra a água das chuvas antes de direcioná-la para áreas verdes, reduzindo o volume que chega aos sistemas tradicionais de drenagem.
A iniciativa é realizada pelo MDDF (Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores de Favelas) de Santo André, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, o Semasa e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação. As estruturas ficam às margens do Córrego Cassaquera e integram o projeto Favelas Verdes Resilientes, voltado à adoção de soluções baseadas na natureza na região do Nova Centreville.
Estrutura ajuda a controlar água da chuva
Apesar da semelhança com os jardins de chuva, as jardineiras têm uma função específica. A estrutura recebe a água captada nos telhados das residências, faz uma retenção temporária e filtra o líquido antes de encaminhá-lo para áreas verdes. Dessa forma, também contribui para a irrigação das plantas.
A solução reduz a velocidade e o volume de água destinados às bocas de lobo e galerias de águas pluviais, o que pode diminuir a pressão sobre o sistema convencional de drenagem, sobretudo em locais com baixa permeabilidade e histórico de alagamentos. “Estamos construindo uma Santo André mais preparada para os desafios impostos pelas mudanças climáticas. As jardineiras de chuva são um exemplo de como podemos unir inovação, sustentabilidade e soluções simples e eficientes para reduzir a sobrecarga do sistema de drenagem e, ao mesmo tempo, qualificar os espaços públicos”, afirma o prefeito Gilvan Ferreira.
A instalação faz parte das ações viabilizadas pela adesão de Santo André ao programa Cidades Verdes Resilientes, iniciativa chancelada durante a COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém (PA).
Segundo o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Edinilson Ferreira dos Santos, o município conquistou R$ 1,5 milhão para iniciativas de infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza na região da comunidade Nova Centreville, por meio do edital Periferias Verdes Resilientes, do Ministério das Cidades. “As jardineiras de chuva, construídas às margens do Córrego Cassaquera, são muito importantes para ajudar a não sobrecarregar dispositivos tradicionais de drenagem, especialmente em áreas com menos permeabilidade e histórico de inundações ou pontos de alagamento”, afirma.
Intervenções chegam à comunidade
As nove estruturas terão alvenaria e materiais filtrantes, como entulho ou brita, manta bidim, terra e plantas. Uma canaleta vai direcionar parte da água para o canteiro central da avenida, entre a calçada e a faixa ciclística, com contribuição para a irrigação das espécies.
As jardineiras integram a segunda etapa do projeto Favelas Verdes Resilientes, coordenado pelo MDDF com apoio do Instituto Rios e Ruas, Instituto Árvores Vivas e Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo.
A primeira fase teve oficinas de capacitação e educação ambiental para moradores. A próxima etapa prevê ainda a construção de canteiros pluviais, ações de arborização urbana e a implantação de mais um Quintal Verde, espaço destinado à compostagem de resíduos orgânicos e à agricultura sustentável. “A proposta é associar infraestrutura verde, educação ambiental e participação comunitária, ampliando a capacidade do território de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, além de promover a requalificação de espaços públicos degradados”, explica o coordenador da iniciativa, Felipe Palma.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
