
Moradores de pelo menos dois bairros de Diadema, Piraporinha e Centro, se queixam de que a coleta seletiva, prevista para ocorrer uma vez por semana não está sendo feita. Segundo os relatos o material é colocado na rua no dia previsto para o recolhimento, mas o caminhão não passa e o material acaba sendo revirado por catadores que levam apenas o que interessa deixando o restante espalhado pelas ruas. A prefeitura nega alteração nos roteiros e diz que não tem registro de problemas nos bairros apontados.
O RD conversou com dois moradores do Centro, ambos da rua Japão. Um morador, que pediu para não ser identificado, contou que há duas semanas os materiais recicláveis não são recolhidos e, como consequência as ruas ficam sujas. “Aqui o caminhão não passa tem dois sábados, parece que abandonaram esse serviço. Já tem pouca gente que se importa com reciclagem por aqui, assim fica pior” resume.
Caroline Dagnone Rocha, outra moradora da rua diz que essa irregularidade da coleta seletiva desestimula as pessoas a separarem os recicláveis do lixo comum. “Tem meses que essa irregularidade vem acontecendo, o caminhão passa num sábado, depois fica dois sem aparecer, às vezes três. Antes tinha o horário certo, o caminhão passava tocando uma música e a gente já sabia que era ele passando. Quando ele não passa os materiais ficam na rua, esperando coleta e os catadores reviram os sacos, mas só levam o que querem. Alguns levam papelão, outros só plástico, o que não querem largam pela rua”, conta.
Caroline diz que não tem como levar os resíduos recicláveis até o Ecoponto pela distância e por não ter carro. “Por causa disso algumas coisas estou deixando de reciclar, um hábito que tenho há muito tempo. Tenho conhecido que trabalha com reciclagem, as ele não leva tudo, só algumas coisas o resto, não tenho como acumular e acabo colocando junto com o lixo comum. Essa imprevisibilidade desincentiva as pessoas a reciclarem, o que é tão importante”, critica. A reportagem também recebeu relato de que o serviço não funciona com regularidade também no bairro de Piraporinha.

Em nota, a prefeitura de Diadema, nega oscilação na coleta seletiva, diz que o sistema não teve alterações e também não tem previsão de mudar o sistema no futuro. A prefeitura diz ainda que o percentual de resíduos separados para reciclagem ainda é pequeno na cidade razão pela qual prevê campanha para incentivar a separação do resíduo a ser reciclado. “Desde 07 de outubro de 2025, os serviços de coleta seletiva são executados pela empresa A3 Terraplenagem e Engenharia Ltda., mantendo o mesmo cronograma anteriormente adotado. Até o momento, o serviço de coleta seletiva não passou por alterações e não há previsão de ampliação da coleta porta a porta. A administração pretende priorizar estudos para implantação de novos pontos de entrega voluntária em locais mais próximos da população, além de fortalecer ações de educação ambiental e campanhas de conscientização sobre a importância da reciclagem”, diz nota do paço diademense.
A gestão municipal sustenta que a participação da população na coleta seletiva ainda é considerada baixa. “Em média, para cada 9.400 toneladas de resíduos sólidos urbanos coletadas mensalmente, são coletadas mais 37 toneladas dos materiais destinados à coleta seletiva, representando um percentual reduzido em relação ao volume total de resíduos gerados. A coleta seletiva atende praticamente toda a área urbana do município, com exceção dos núcleos habitacionais, sendo realizada uma vez por semana, conforme cronograma previamente estabelecido. Para facilitar o acesso às informações, a Prefeitura disponibiliza um sistema de consulta em que o morador pode informar o nome da sua rua e verificar o dia programado para a passagem do caminhão da coleta seletiva: https://portal.diadema.sp.gov.br/meioambiente/coleta-seletiva-e-ecopontos/” .
Segundo a prefeitura uma das alternativas, caso os recicláveis não tenham sido recolhidos é o morador levar até o Ecoponto mais próximo e sugere misturar os recicláveis ao lixo comum. “Quando não for possível aguardar a próxima coleta seletiva, o morador poderá encaminhar os materiais recicláveis ao Ecoponto mais próximo ou, alternativamente, destiná-los à coleta domiciliar convencional, realizada três vezes por semana”, diz o comunicado.
Sobre o caso da rua Japão a prefeitura diz não ter registro de reclamações. “Não há registro de problemas recorrentes ou pontuais na via mencionada. Caso a coleta seletiva não seja realizada conforme o cronograma, o munícipe poderá registrar a ocorrência pelos seguintes canais oficiais: aplicativo Colab ou e-mail: dlu@diadema.sp.gov.br. As solicitações recebidas pelo Departamento de Limpeza Urbana são encaminhadas imediatamente à empresa responsável para verificação e providências”. Atualmente recolhe por mês 38 toneladas de resíduos através da coleta seletiva, mesma média do ano passado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
