
O GeoLab, laboratório de geoprocessamento do Centro Universitário FMABC que desenvolve projetos de pesquisa e extensão, iniciou, em julho, um projeto de investigação sobre a relação entre as transformações ambientais na Amazônia e a transmissão de doenças por vetores. O trabalho reúne atividades de pesquisa, extensão e formação científica de estudantes em comunidades rurais da região e foi desenvolvido em parceria com pesquisadores de diferentes áreas e instituições.
A iniciativa combina diferentes estratégias de investigação, como mapeamento aéreo com drones, análise da cobertura e da estrutura da paisagem, coleta de insetos vetores, aplicação de questionários junto aos moradores e modelagem espacial. Os levantamentos realizados em 2022 e 2024 deram origem a uma série de estudos científicos sobre a influência das alterações ambientais na ocorrência e na transmissão de doenças.
“Durante essa nova etapa, foi iniciado o acompanhamento longitudinal, voltado ao monitoramento das paisagens e à avaliação do potencial de restauração de áreas degradadas com espécies nativas amazônicas”, explica Gabriel Laporta, pesquisador do Centro Universitário FMABC e cofundador do projeto.
A nova fase terá como base de comparação os levantamentos realizados em 2022, 2024 e 2026. As campanhas incluem imagens aéreas obtidas por drones, mapas de cobertura da terra, registros de campo, dados entomológicos e informações coletadas nas propriedades rurais. Com a continuidade das expedições, os pesquisadores poderão acompanhar as alterações na vegetação, no entorno das residências e em outros componentes da paisagem.
Entre os resultados já publicados está uma investigação sobre a relação entre a cobertura florestal e o risco de transmissão da malária. O estudo identificou maior risco em paisagens com cobertura florestal intermediária, próxima de 50%, condição frequentemente associada à fragmentação da floresta. Nesses ambientes, foi observada maior presença de mosquitos do gênero Nyssorhynchus e maiores taxas de infecção dos vetores. A pesquisa também identificou infecções humanas assintomáticas, um fator que pode contribuir para a manutenção da transmissão da doença.
Outra pesquisa analisou a presença do protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, em triatomíneos associados a palmeiras. Os resultados indicaram maior probabilidade de infecção dos insetos em paisagens mais desmatadas, com influência adicional da distância entre as palmeiras e as residências. O trabalho foi realizado a partir de levantamentos de campo conduzidos em 2022 e 2024, combinados com imagens de drones e satélites e análises moleculares.
Os estudos também avaliaram outros vetores importantes para a saúde pública. Uma das pesquisas mais recentes investigou a ocorrência de flebotomíneos, insetos envolvidos na transmissão das leishmanioses, em diferentes ambientes da Amazônia. O trabalho também analisou como a ocupação humana e as características da paisagem influenciam a abundância desses vetores.
Os dados da nova etapa serão consolidados progressivamente após cada campanha de campo. A expectativa é produzir resultados intermediários, como mapas, relatórios, trabalhos acadêmicos e análises de acompanhamento. Uma avaliação mais abrangente dos efeitos das mudanças ambientais e das ações de restauração.
Além da produção de conhecimento sobre doenças vetoriais e saúde ambiental, o projeto tem papel importante na formação de estudantes. Entre os participantes está Arthur Lindori, aluno do curso de Biomedicina do Centro Universitário FMABC, que atuou diretamente nas atividades de campo, com a aplicação de questionários junto aos moradores e o apoio às coletas.
“A participação de estudantes em expedições e atividades de pesquisa aproxima a formação acadêmica da realidade encontrada em campo”, explica Laporta..
As expedições também contam com o veículo oficial do GeoLab, utilizado no deslocamento das equipes e no transporte de equipamentos em áreas rurais de difícil acesso. A estrutura tem sido fundamental para a realização das campanhas de campo e para o fortalecimento das parcerias entre o Centro Universitário FMABC, instituições de pesquisa, órgãos locais e comunidades amazônicas.
Os trabalhos contam com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), por meio de projetos e bolsas, e do Instituto de Pesquisa Translacional em Doenças Infecciosas da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. A iniciativa reforça a importância da integração entre ensino, pesquisa e extensão para a produção de conhecimento sobre desafios ambientais e de saúde pública que afetam diferentes regiões do país.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
