
O uso de energia solar, com custos ainda altos, mas cada vez mais acessíveis, já está presente nos equipamentos públicos em praticamente toda a região. Ainda são poucos prédios com energia captada do sol, mas todas as cidades do ABC têm algum equipamento com placas fotovoltaicas e que praticamente não paga mais conta de luz. O investimento, pelo alto custo, depende de fontes externas como o Programa de Eficiência Energética da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Os benefícios são muitos, segundo o engenheiro elétrico e professor do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), Edval Delbone, mas o investimento depende também de grandes áreas para instalação de placas solares.
Considerando só as cidades de Mauá e Ribeirão Pires, a economia anual com sistemas em operação e novos a serem instalados pode chegar a R$ 700 mil por ano.
“Há diferentes padrões de entrada de energia; baixa, média e alta tensão, na maioria dos casos prefeituras usam baixa tensão e para esses casos é um negócio muito bom, que pode reduzir até 100% da conta. No caso de média tensão, onde há um consumo maior e o cliente paga a conta em duas partes, o preço por demanda e o preço do consumo, ainda assim é vantajoso porque como o consumo cai, ele pode pagar só o valor do preço por demanda contratado junto à concessionária”, explica o professor da Mauá.
Para Delbone o sistema tende a funcionar melhor em prédios públicos térreos ou de um ou dois pavimentos, porque a geração da energia depende da disponibilidade de área para instalação das placas solares, geralmente colocadas em telhados. Em prédios verticalizados, como das prefeituras de São Bernardo e Santo André, onde se tem dezenas de andares que consomem energia e uma área pequena no telhado do prédio, a geração de energia não seria suficiente para trazer resultados efetivos. “Funciona melhor em prefeituras com prédios menores e maior área de telhado. Prefeitura verticalizada não tem área suficiente para por as placas no telhado”, explica.

Também há possibilidade de um próprio público verticalizado se beneficiar da energia gerada em outro equipamento municipal, ou seja, um prédio ser beneficiado pela energia gerada em outro, um ginásio, por exemplo, com grande área de telhado.
“Isso se chama consumo remoto, que pode beneficiar uma Prefeitura, uma empresa ou até uma pessoa física, basta que o número do CPF ou do CNPJ seja o mesmo em dois imóveis. Como o sistema é on-grid, ou seja, ligado à rede pública de energia, o volume de energia gerada e não consumida em um lugar vai para a rede e outro imóvel do mesmo proprietário acaba beneficiado com a redução da conta”, diz.
Na região, só Rio Grande da Serra ainda não tem nenhum sistema solar instalado no Paço ou em equipamentos municipais, mas a Prefeitura espera ser escolhida em editais do Programa de Eficiência Energética. Nas demais, as prefeituras já são beneficiadas com redução na conta de energia.
Ribeirão Pires prevê economizar R$ 318 mil por ano na conta de luz
Ribeirão Pires já possui sistemas de energia solar instalados no prédio da Secretaria de Assuntos Jurídicos, no Terminal Rodoviário Municipal, na Escola Municipal Palmira Antônio Pereira e na Câmara. O município também foi contemplado com cerca de R$ 4,2 milhões, por meio do Programa de Eficiência Energética através da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), para ampliar o uso de energia solar em outros dez equipamentos públicos.
Segundo a Prefeitura, os próximos prédios municipais a receberem as placas fotovoltaicas são o Centro de Especialidades Médicas, Base da Guarda Civil Municipal, Escola Municipal Carlos Rohm, Escola Municipal Yoshihiko Narita, Escola Municipal Sebastião Vayego de Carvalho, Escola Municipal Maria da Glória, CEU Quarta Divisão, Paço Municipal, Secretaria de Saúde e Hospital e Maternidade São Lucas.
“A previsão é de redução de até 60% no consumo de energia elétrica, com economia anual estimada em aproximadamente R$ 318 mil aos cofres públicos. Em algumas unidades, as contas de energia deverão ser praticamente zeradas. No Paço Municipal, na Secretaria de Saúde e no Hospital e Maternidade São Lucas a redução será parcial, com economia conjunta estimada em cerca de R$ 26 mil mensais”, detalha a Prefeitura em nota.
Mauá recebe verba para ampliar uso de energia solar em prédios públicos
Em junho, Mauá foi contemplada com investimento de R$ 3,2 milhões para a instalação de 12 usinas fotovoltaicas e a modernização da iluminação de prédios públicos. Na cidade a Arena Chicão já conta com placas solares em funcionamento.
“O projeto prevê a substituição de 650 lâmpadas convencionais por modelos LED e a implantação de sistemas de geração de energia solar com capacidade total de 480 kWp. A expectativa é economizar cerca de 785 MWh por ano — equivalente ao consumo anual de aproximadamente 260 residências — e reduzir em cerca de R$ 375 mil por ano os gastos do município com energia elétrica”, diz comunicado da Prefeitura.
De acordo com Mauá, a instalação deve ser feita até o fim de deste ano em escolas municipais, equipamentos esportivos e culturais e prédios administrativos, inclui a Secretaria de Mobilidade Urbana, os CMECs Parque São Vicente e Parque das Américas de Artes, o Almoxarifado Central e nove unidades de ensino. O prefeito Marcelo Oliveira (PT) destacou e economia do sistema e o estabelecimento de uma agenda nesta área com potencial atrativo para investimentos.
“Quando reduzimos o consumo de energia e ampliamos o uso de fontes renováveis, economizamos recursos públicos e construímos uma cidade mais moderna e com mais qualidade de vida. A Arena Chicão já utiliza energia solar e agora estamos ampliando esse conceito para outros equipamentos públicos. Além dos benefícios ambientais e econômicos, essa é uma agenda cada vez mais importante para a atração de investimentos”, diz Marcelo Oliveira.

S.André tem maior complexo municipal de energia solar do País
Em Santo André, a Policlínica Vila Helena e na Creche Gonzaguinha, no Parque Erasmo Assunção, já contam com placas fotovoltaicas, que segundo a Prefeitura zeraram a conta de luz nestes equipamentos. O investimento, neste ano foi de R$ 3.977.047,83 por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica.
“Santo André possui o maior complexo público municipal de energia solar do Brasil, composto por quatro usinas fotovoltaicas (UPES) que somam 8.820 placas. O parque abrange unidades no Jardim Las Vegas, na avenida dos Estados e no bairro Cidade São Jorge”, destaca a Prefeitura.
S.Bernardo tem dois prédios com sistema de energia solar recém implantada
Em São Bernardo são dois edifícios públicos com sistemas de geração de energia fotovoltaica instalados: a UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila São Pedro e a Creche da Vila São Pedro, mas ainda não estão em operação. “Ambos os sistemas encontram-se em fase de conexão com a rede da concessionária de energia elétrica e, por esse motivo, ainda não entraram em operação. Assim, ainda não há dados sobre economia no consumo de energia elétrica”, explica a administração.
A Prefeitura diz que tem projetos aprovados em editais da Enel Distribuição SP e da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A. (ENBPar) para implantar programas de eficiência energética. Também diz que participa da Chamada Pública de Projetos 2026 da Enel Distribuição SP com uma nova proposta voltada à eficiência energética para implantação de geração de energia fotovoltaica, climatização e modernização da iluminação em dez escolas municipais, com início previsto para 2027.
Diadema começa implantação de painéis solares em escolas
A Prefeitura de Diadema, em parceria com a Enel, investe R$ 8,7 milhões através de um programa de eficiência energética, que vai modernizar 10 equipamentos públicos sem custos ao município. Dentre as ações está equipar escolas municipais com painéis solares.
A instalação de placas solares começou em junho. “A primeira a receber os painéis foi a EM (Escola Municipal) Prof.ª Fabíola de Lima Goyano, no Jardim União, com instalação da estrutura, fiação e micro inversores e o início da fase de testes. No mesmo mês, teve início a instalação da estrutura na EM Inspetor Reinaldo José Santana (Piró), no Jardim Inamar. Na área da educação, a previsão é que cinco escolas municipais e a sede da Secretaria de Educação recebam modernos sistemas de eficiência energética, com a instalação de placas solares capazes de gerar aproximadamente 1.057,20 MWh por ano, reduzindo custos com energia e ampliando a sustentabilidade na rede municipal. Também estão previstos equipamentos na Secretaria de Obras, Viva + Diadema (antigo Quarteirão da Saúde), GCM (Guarda Civil Municipal) e Praça CEU das Artes”, diz nota da Prefeitura.
Rio Grande da Serra aguarda chamada para projeto que financiará programa
Rio Grande da Serra ainda não usa energia solar nos prédios públicos, mas a prefeitura diz que faz parte do plano de governo da atual gestão a captação de recursos para tal. “Considerando a limitada capacidade de investimento do orçamento municipal, a implantação de projetos dessa natureza está condicionada à obtenção de recursos externos. Até o momento, não há previsão orçamentária específica para a implantação de sistemas de energia solar. Atualmente a administração mantém tratativas com vistas à participação da próxima chamada pública de projetos de eficiência energética, promovida anualmente pela ENEL Distribuição São Paulo, com o objetivo de buscar alternativas referentes a otimização no consumo de energia, entre essas alternativas sistemas de energia solar”, diz nota da Prefeitura.
São Caetano não respondeu. A cidade anunciou recentemente o início das obras da escola no bairro Fundação. Além de novas técnicas construtivas modernas e eficientes, o projeto prevê a instalação de sistema de energia solar.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
