O envelhecimento da população coloca as prefeituras do ABC diante de um desafio cada vez maior: ampliar a estrutura de acolhimento para idosos em situação de abandono, violência, negligência ou sem familiares em condições de prestar os cuidados necessários. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a região reúne 465.587 moradores com 60 anos ou mais, o equivalente a 16% da população. Um em cada seis habitantes do ABC é idoso. O contingente corresponde à soma das populações de Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, cenário que evidencia a necessidade de fortalecimento da rede de proteção voltada a esse público.
Levantamento realizado pelo RD junto às prefeituras mostra que os municípios somam 346 vagas em ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos) municipais ou conveniadas. As administrações reconhecem que o avanço da população idosa exige planejamento para ampliar a capacidade de atendimento. Enquanto São Bernardo já constrói uma nova unidade e Mauá prepara o aumento do número de vagas, Santo André realiza estudos técnicos para expansão da rede e Diadema mantém a estrutura atual, com monitoramento permanente da demanda. Entre os principais desafios apontados pelas cidades aparecem a fragilidade dos vínculos familiares, o aumento dos casos de abandono e a necessidade de integração entre assistência social e saúde.

Santo André registra fila de espera para mulheres
Santo André possui duas Instituições de Longa Permanência para Idosos conveniadas, com capacidade total para 132 acolhimentos, distribuídos entre unidades com 85 e 47 vagas. A quantidade disponível varia conforme a ocupação diária das instituições.
Entre os municípios consultados, Santo André foi o único a apresentar quantitativamente a demanda reprimida. Atualmente, seis mulheres aguardam acolhimento institucional, enquanto não há espera para o público masculino. A comparação da ocupação entre 2024 e 2026 ainda depende de levantamento técnico dos registros administrativos.
O acesso às ILPIs prioriza idosos em situação de abandono, negligência, violência intrafamiliar ou outras formas de violação de direitos, após avaliação da rede socioassistencial. Para manutenção do serviço, o município destina cerca de R$ 270 mil por mês às instituições conveniadas. Ao longo de 2026, os repasses voltados às ILPIs somam aproximadamente R$ 1,5 milhão, além dos recursos destinados aos demais serviços para a população idosa.
A ampliação da oferta de vagas permanece em estudo e depende da conclusão das análises técnicas e da disponibilidade orçamentária. Entre os principais obstáculos apontados pela administração está a ausência de familiares aptos a assumir os cuidados de idosos que perderam autonomia para as atividades da vida diária. Além do acolhimento institucional, a cidade mantém o Crisa (Centro de Referência do Idoso de Santo André), voltado à convivência e ao fortalecimento dos vínculos sociais.
São Bernardo amplia capacidade com nova ILPI
Já São Bernardo mantém convênio com três Instituições de Longa Permanência para Idosos, responsáveis por 124 vagas. O município já amplia a estrutura de atendimento com a construção de uma nova ILPI no bairro Planalto. A obra está em fase avançada e acrescentará outras 40 vagas à rede municipal. Neste ano, a Prefeitura também promoveu o reajuste de 15% no valor per capita destinado ao custeio das instituições conveniadas, além da destinação de recursos para implantação da nova unidade.
O acolhimento contempla idosos em situação de abandono, violência, desproteção e outras formas de vulnerabilidade social. A rede de proteção também conta com Centro Dia da Pessoa Idosa, Centro de Referência da Pessoa Idosa, Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e atendimento domiciliar destinado a pessoas idosas, pessoas com deficiência e seus cuidadores.
Diadema mantém estrutura e acompanha evolução da demanda
Diadema possui parceria com uma Instituição de Longa Permanência para Idosos vinculada à rede socioassistencial de alta complexidade do SUAS (Sistema Único de Assistência Social). A unidade oferece 40 vagas destinadas a idosos em situação de vulnerabilidade e risco social. A capacidade permaneceu estável entre 2024 e 2026. Paralelamente, a Secretaria de Assistência Social acompanha a evolução da demanda e o perfil da população idosa para subsidiar o planejamento da rede de proteção. Segundo os critérios adotados, o ingresso ocorre após avaliação técnica individualizada, que considera situações de abandono, negligência, violência, ausência ou fragilidade dos vínculos familiares e necessidade de proteção integral.
A administração mantém o cofinanciamento da instituição conveniada, acompanhamento técnico permanente e monitoramento da execução do serviço. Eventual ampliação da oferta depende de estudos técnicos, disponibilidade financeira e definição das prioridades da política de assistência social.
Além da ILPI, Diadema oferece atendimento por meio dos CRAS (Centros de Referência de Assistência Social), Creas (Centros de Referência Especializados de Assistência Social), Cadastro Único, orientação para acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada) e à Carteira da Pessoa Idosa, além de ações de convivência destinadas à prevenção do isolamento social e do rompimento de vínculos familiares.
Mauá prepara aumento de vagas diante do crescimento da ocupação
Mauá mantém convênio com uma Instituição de Longa Permanência para Idosos, que dispõe de 50 vagas integralmente custeadas pelo poder público. O ingresso ocorre exclusivamente após encaminhamento técnico realizado pelas equipes do Serviço de Paefi (Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos), desenvolvido nos Creas (Centros de Referência Especializados de Assistência Social), quando há identificação de ameaça ou violação de direitos.
Apesar de não registrar fila de espera, a ocupação da unidade cresce ano após ano. Em 2024, a média foi de 35 idosos acolhidos, com pico de 40 e encerramento do período com 39 moradores. Em 2025, a média passou para 42 acolhidos, com ocupação máxima de 45 e fechamento do ano no mesmo patamar. Em 2026, ao considerar dados consolidados até junho, a média chegou a 45 acolhidos, com pico de 47 e igual número de moradores ao fim do período.
Embora as vagas ainda não tenham atingido ocupação total, o município avalia que a capacidade disponível se aproxima do limite. Para evitar futura insuficiência da estrutura, está em tramitação o aditamento do termo de colaboração firmado com a entidade responsável pelo serviço, o que permitirá ampliar a capacidade de atendimento de 50 para 60 vagas.
Além do acolhimento institucional, a política municipal para a pessoa idosa prioriza ações voltadas ao envelhecimento saudável, ao fortalecimento da autonomia, da convivência familiar e comunitária e à participação em atividades culturais, esportivas e de lazer, com foco na prevenção de situações de vulnerabilidade e isolamento social.
As prefeituras de São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não responderam até o fechamento da reportagem.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
