
Finalmente, depois de um ano e quatro meses de obras paradas, operários voltaram a trabalhar no Residencial Clara, condomínio da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano) que é construído no bairro Camilópolis, em Santo André, e que tem 480 apartamentos. A obra parou em meados de fevereiro de 2025, quando a construtora Múltipla entrou em recuperação judicial. A previsão dada pela nova construtora aos moradores é de 15 meses de obras, portanto os apartamentos seriam entregues em setembro de 2027, já a CDHU informou 17 meses, o que levaria a previsão para novembro. Desanimados com atraso, mutuários estão céticos em relação ao novo prazo de entrega. Esta semana o RD mostrou o caso do residencial João Ducin, cujo prazo de entrega foi descumprido pela sétima vez; na última promessa a companhia anunciava a entrega para junho, agora a nova previsão é agosto.
Os mutuários acumulam prejuízos com pagamento de aluguéis que não seriam necessários se a obra estivesse pronta dentro do prazo, despejos, danos em móveis por conta de mudanças, além de problemas de saúde por conta da ansiedade para a mudança para o novo apartamento. “Entrou a Torres para terminar os apartamentos aí mudaram o cartaz e falaram que vai entregar lá para setembro de 2027. Está devagar a obra, tem pouca gente trabalhando, mas já chegaram blocos e estão finalizando algumas coisas, mas ninguém nos avisou não, eu fiquei sabendo porque fui lá algumas vezes e perguntei. Tomara que não parem e nos entreguem”, contou uma mutuária que pediu para não ser identificada. Ela disse que o aluguel que ela paga para morar com o marido e dois filhos é caro. “O aluguel poderia estar pagando uma coisa que seria da gente”, completa.
Outra inscrita para uma das 480 unidades do Residencial Clara, disse que está tão desanimada que estuda acionamento da CDHU na justiça para que a empresa pública toque seu apartamento por outro em empreendimento que já esteja pronto. A intenção está baseada em muitos atrasos e desgastes na relação dela com a companhia habitacional e até com outros mutuários que acharam que, em vez de cobrar o andamento da obra, o melhor seria aguardar. “Já vi que tem movimento na obra, mas, de verdade, eu já não acredito mais. Foi muito tempo daquela obra abandonada, com janelas abertas enchendo de água, que garantia eles vão nos dar da segurança dessa obra? Eu desanimei totalmente. Estou procurando advogado que me represente para pedir da CDHU um outro lugar, já pronto, mantendo o meu contrato. Teria condições de fazer isso, porque o problema do atraso não foi meu, foi deles”, diz a mutuária que pediu para que seu nome não fosse revelado.
Em nota, a CDHU informa que o prazo para a conclusão das obras, que estão em 85%, é de 17 meses a contar de junho. “Sobre o Residencial Clara, a companhia adotou todas as medidas necessárias para retomar as obras e entregar, no menor prazo possível, as 480 unidades habitacionais previstas. O empreendimento teve sua implantação paralisada após o pedido de recuperação judicial da incorporadora/construtora responsável. O processo de contratação da nova empresa já foi finalizado pela seguradora, e as obras foram retomadas em junho deste ano, com prazo de execução de 17 meses, a partir da retomada dos serviços. O condomínio possui 480 unidades habitacionais, também com áreas médias de 55 m². Todas as unidades terão sacada. Os apartamentos serão entregues com piso cerâmico em todos os ambientes, revestimento cerâmico até o teto em todas as paredes das áreas frias. Além disso, serão entregues com louças sanitárias instaladas, bem como pia de cozinha e tanque para lavar roupas. As unidades habitacionais também contarão com individualização de medição de água, energia e gás”, diz a companhia.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
