
Por Guido Boabaid May
A entrada da Geração Z no mercado de trabalho tem ampliado o debate sobre saúde mental e neurodiversidade nas empresas. Entre os temas que ganham destaque está o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), condição cada vez mais reconhecida e discutida. O tema ganha ainda mais relevância diante da crescente atenção das organizações aos fatores psicossociais no trabalho, reforçada pelas atualizações da NR-1, que ampliaram o foco na saúde mental no ambiente corporativo.
Segundo o Dr. Guido Boabaid May, CEO da Gn Tech, o TDAH não é uma condição nova, mas seu reconhecimento evoluiu significativamente à medida que a ciência avançou. “Com as demandas do ambiente profissional marcado pela necessidade de organização, gestão do tempo e capacidade de lidar com múltiplas tarefas simultaneamente, tornam os sintomas mais perceptíveis na rotina de trabalho”, comenta.
O aumento do acesso à informação, a redução do estigma e a busca por diagnósticos mais precisos têm ajudado muitos jovens a compreender dificuldades antes vistas apenas como distração ou falta de comprometimento. “A Geração Z cresceu em um contexto de maior acesso à informação sobre saúde mental, o que favorece a busca por avaliação especializada”, afirma o psiquiatra.
Durante muito tempo os sintomas do TDAH foram mal compreendidos pela sociedade. “Acreditava-se que o transtorno desaparecia na vida adulta, algo que hoje sabemos não ser verdade. Atualmente, sabemos que os sintomas podem persistir ao longo de toda a vida, embora se manifestem de formas diferentes em cada fase”, explica.
Dificuldades relacionadas ao foco, à organização e à execução de tarefas podem afetar a produtividade e gerar frustração. “Os desafios variam de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem dificuldade em priorizar tarefas, cumprir prazos, manter o foco em atividades longas ou repetitivas e organizar rotinas. Isso pode gerar sensação de sobrecarga e um esforço maior para alcançar resultados semelhantes aos dos colegas”, ressalta o psiquiatra.
Além das questões operacionais, sintomas como desatenção, impulsividade e dificuldade de concentração podem interferir diretamente no desenvolvimento da carreira. Esse cenário também pode impactar a saúde emocional. “Não é raro que pessoas com TDAH também apresentem quadros associados, como ansiedade e depressão, especialmente quando o transtorno permanece sem diagnóstico ou tratamento adequado”, pontua.
O Dr. Guido alerta que é importante diferenciar os desafios comuns do início da carreira dos sinais característicos do TDAH. Segundo ele, o tratamento pode combinar psicoeducação, organização da rotina, psicoterapia e, quando necessário, medicamentos. Nesse contexto, a medicina de precisão surge como aliada. “A farmacogenética avalia como determinadas variações genéticas podem influenciar a resposta aos medicamentos. Isso pode contribuir para decisões mais personalizadas e reduzir o tempo necessário para encontrar a estratégia terapêutica adequada”, conclui. Para o especialista, com tratamento correto e estratégias personalizadas, é possível transformar desafios em oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional para os jovens.

Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 110 mil consultas realizadas, mais de 1.100 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 25 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro “Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
